17.4.18

A Solidão da Maternidade

Não gosto muito de ser aquela que manda a real da maternidade não, até porque a maneira como cada um lida com isso é bem pessoal, mas outro dia eu estava conversando com uma amiga grávida, mãe de primeira viagem, sobre a solidão da maternidade e ela começou a falar sobre a vida maravilhosa que ela teria com o bebê e as novas amigas mães e as idas ao shopping, aos parques e as festinhas de crianças

Amiga… Primeiro, uma sugestão: compre um guarda chuva porque é um tal de cuspir pra cima e cair beeeeeem na sua cabeça, que nem te conto. Segundo, tudo vai depender da criança que nascer hehehe e, claro, do perfil da mãe e sua capacidade de organização de caos.

Veja bem, o puerpério é bem solitário mesmo. Pode ter 300 pessoas na sua casa e na sua vida no momento, mas é lá na madrugada tentando amamentar a sua gelatina que não para de chorar um minuto (porque dentro da barriga o bebê é um alien. Quando nasce, o que você leva pra casa é uma gelatina), é que você vai ver o quanto de solidão pode invadir o coração de uma mulher insone cheia de hormônios borbulhantes. 

Mas não vou te enganar, não, viu? Tem uma fase ótima, lá entre os dois (depois das famosas primeiras vacinas) e antes dos seis meses (a famigerada introdução alimentar), que é quando você coloca o bebê no sling ou canguru ergonômico (esse último é muito mais fresco, mas não muito prático pra recém-nascidos), ou carrinho de bebê e vai pra tuuuuuuudo quanto é lugar. Até tomar chope (eles, você água) com os amigos, porque a criança chora, você dá o peito ou a mamadeira, depois dorme ali no carrinho mesmo, é a coisa mais prática do mundo.
Isso, é claro, se seus amigos continuarem existindo. Não me leve a mal, mas é comum se afastar dos amigos. Não é culpa sua, nem deles, é da vida mesmo. Vai te exigir um esforço maior pra manter a conexão em dia. Eu tenho e tive sorte, porque meus amigos sempre me chamaram pra tudo, mesmo depois de parir, mas é aquela coisa… Você vai dizer tantos nãos, que uma hora eles param de chamar, mas aí vou te dar uma dica: aproveita aqueles convites genéricos feitos em grupos de WhatsApp. Registra a hora do encontro mentalmente e se você conseguir se organizar pra ir, simplesmente apareça! Eles vão adorar!

Aí quando começa a introdução alimentar a coisa começa a complicar um cadinho, porque o bebê ainda não come a comida normal, mas se vc for do tipo organizada, sempre dá pra levar a comida da criança, ou se vc for do estilo toma essa batata frita aqui com sal mesmo, é BLW, tá tudo certo, se joga, dou força!

Logo depois vem a volta ao trabalho (infelizmente, para a grande maioria das mulheres brasileiras, esse item vem antes da introdução alimentar). O fato é que seu filho não sabe que você agora não pode mais cochilar quando ele cochila, então ele vai continuar acordando de hora em hora à noite e acredite em mim, você não vai querer sair de casa nem se te pagarem. Se convidarem você e a criança, você implora alguém pra levá-la e vai correndo dormir.

Bem quando você começa a se acostumar ao estado zumbi permanente e começa até a querer viver mesmo sem cérebro, a cria começa a andar. Aí, amore, aquela ida ao bar com os amigos fica parecendo mais uma maratona de barata tonta, porque seu bebê não vai querer mais ficar dentro do carrinho com aquela cara de anjo não, e sua vida vai ser um eterno pega saquinho de sal e palito no chão e coloca na mesa x 1000 e aquela interação com seus amigos adultos? Inexistente.

Chegou o final de semana e você pensa: ok, vou ao parquinho socializar a criança, ver gente, me divertir…
Duas coisas: 1- criança pequena não socializa. Ela só quer o brinquedinho do amigo e vai rolar chute, tapa e mordida pra conseguir o que quer e os únicos adultos com quem você vai falar vão ser aqueles para os quais você vai pedir desculpas pelo seu filho. É normal e vai passar (oremos! Você pode ter um filho mais tímido ou com dificuldades sociais, aí pode apostar que você vai evitar os parques a todo custo)
2 – parquinho só serve pra te lembrar que o nervo ciático existe. Você vai passar seus minutos preciosos embaixo de um sol escaldante, em pé, ajudando seu filho a subir escadas não projetadas para crianças e a descer do escorrega com a mãozinha dada. E se ele gostar de balanço? F*deu… Dica: compre um banquinho retrátil e leve com você, porque é coisa de passar mais de uma hora empurrando a criança pra cima e pra baixo.

Logo logo chega o primeiro convite pra festinha de amiguinho da escola, você fica toda animada e feliz e vai com a cria toda paramentada e linda e trabalhada no filhotinho do demo, tentando enfiar o dedo nos doces, no bolo, estourando bola de soprar, e com aquela energia maléfica que vem do açúcar que ele vai conseguir comer escondido enquanto você olha por um pentelhésimo de segundo para o lado. Mas se acalme, porque depois de um tempo seu filho vai começar a se interessar pela animação da festa.
Aqui vai mais uma dica: vai fazer festa? Não gaste dinheiro com buffet ou decoração, não. Criança não liga pra isso. Contrate a melhor animação que você puder. Confia em mim, você vai virar a MÃE DEUSA das festinhas. Todas as mães vão te agradecer eternamente e vai fortalecer os novos laços de amizade. Mas não se engane, você vai ter um pouco mais de tempo pra conhecer e conversar com suas novas amigas-mães, mas vocês só vão falar sobre filhos. 
Aqueles mesmos, que não devemos ter, mas se não tê-los, como sabê-los? A maternidade é solitária mesmo, amiga, mas vai fundo, é uma solidão compartilhada!

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O mal que habita em mim

Acho que se o que as mulheres pensam sobre a maternidade fosse um quadro, certamente ele seria uma bela paisagem num dia de sol, crianças correndo num gramado verde, uma toalha de picnic e uma mãe feliz com um sorriso largo no rosto.
Mas em alguns dias – até muitos – achei o céu desse quadro muito cinza e nebuloso.
Meu puerpério foi todo neblina, turvo, embaçado. Liguei o piloto automático e passei minhas horas cuidando de um Tamagotchi: mamar-chorar-arrotar-chorar-dormir-chorar-mamar… Quando ele mamava eu chorava, quando ele chorava eu chorava mais um pouco e quando ele dormia eu tentava fazer em quarenta minutos o que não tinha feito durante o dia. E assim passaram-se os dias, a fumaça se dissipou e parecia que a tempestade tinha ido embora, mas não é à tôa que a privação de sono é usada como instrumento de tortura, meus amores. Ela trouxe o pior de mim à tona.
Hoje uma moça me procurou pra falar sobre surtos de mãe, no caso os dela e sobre todos os pensamentos ruins que passaram por sua cabeça nos últimos dias. Cabeça de mãe que não dorme há um ano e meio: _ Se eu pudesse voltar no tempo eu não seria mãe, ela me disse.
Como eu te entendo, minha mais nova amiga, eu também levei dezoito meses pra dormir mais do que duas horas seguidas e se há uns meses atrás você me perguntasse o que eu faria se pudesse voltar no tempo, eu certamente te diria que eu não teria sido mãe.
Quando engravidei, uma amiga minha me disse que o ápice de ser mãe é quando você pensa em jogar seu filho pela janela ou imagina mil e uma maneiras terríveis de calar a boca dele na madrugada. Me lembro que fiquei horrorizada e afirmei que seria impossível que eu pensasse uma coisas dessas. Mas eu pensei.
É aquele negócio: por fora eu ria, mas por dentro era puro desespero. De dia eu era a mãe feliz do quadro e à noite eu me remoía numa culpa terrível agravada pelo sono, pensamentos ruins e total falta de paciência.
Se eu pudesse te dar um conselho, seria:
Pare. Respire. Procure ajuda (eu procurei). Grite pela sua aldeia. Se alimente dos dias felizes para o jejum dos dias tristes. Os primeiros, em breve, serão bem mais numerosos que os últimos, eu te prometo.
Não queira ser a melhor mãe do mundo. Apenas seja a melhor mãe possível.
Eu aceitei o mal que habita em mim. E você?

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18.9.11

dir *.*

As palavras já não são escritas com tanta facilidade. É o excesso delas que vem me prejudicando, vem, sem acento, porque já estou na fase do novo acordo, mesmo sem saber o que o novo acordo diz. Sei que ideia não tem acento, assim como Natalia, o meu Natalia, nunca teve. Destino.


E mais um janeiro se passou, e oito meses depois passados, e um ano inteiro vazio. Vazio de palavras porque esteve cheio delas. Frases curtas, pouco mais de 140 caracteres, porque estes são muito pouco pra mim, mas muito menos do que infinitos caracteres, porque desaprendi a escrever. Agora eu fecho a torneirinha de asneiras, com medo da conta no fim do mês. E ela nunca vem, mas está sempre por aí, me assombrando.

Uma vontade imensa de falar o que eu quero falar e uma censura imensa de não falar, para não falar. Vontade ainda maior de fazer. Que seja. Whatever.

Nenhuma vontade de ler o que tenho lido, pois uma vez lido, não consigo apagar do HD. Que vontade de formatar o disco rígido, de mudar o sistema operacional. De restaurar antigos arquivos (e amigos) perdidos na lixeira ou em algum backup que não consigo encontrar.

E mesmo assim acumulando novos documentos, imagens e planilhas. No meio de um armazenamento de Terabytes, onde arrumar espaço para os bits de sentimentos?

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28.3.11

2011 será.

No começo do ano fui tomada por uma estranha (e imensa) sensação de que 2010 tinha sido horrível. Se eu colocar no papel, até não foi, mas isso não impediu o sentimento esquisitoaqui dentro. Temo ser pela falta de ação que às vezes nos acomete, arrefecendo-nos aos poucos.


Tomada por esse formigamento, decidi então que 2011 seria o melhor ano de minha vida. Acredito piamente que quando você inicia um movimento, uma hora alguma coisa há de chegar. Certamente chegou. 2011 pode não ser o melhor ano, mas já é notável.

Alguém devia ter me lembrado, porém, que um ano pode ficar marcado por diversos acontecimentos ruins. Façamos, entretanto, que os bons prevaleçam...

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1.12.10

Minha vida de acordo com Chico Buarque

Você é um homem ou mulher?

Uma Menina

Descreva-se:

Essa moça tá diferente

Como você se sente?

Como um samba de adeus

Descreva o local onde você vive atualmente?

Samba e Amor

Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria?

Bye, Bye, Brasil

Sua forma de transporte preferido:

Geni e o Zeppelin

Seu melhor amigo?

Meu Caro Amigo

Você e seus amigos. Como são?

Quadrilha

Qual é o clima?

Sol e Chuva

Hora do dia favorita:

Noite de verão

Se sua vida fosse um programa de TV,como seria chamado?

Cotidiano

O que é a vida para você?

O que será

Seu relacionamento:

Futuros Amantes

Seu medo:

Morte e Vida Severina

Qual é o melhor conselho que você tem a dar?

Amigo é pra essas coisas

Pensamento do Dia:

Não Existe Pecado ao Sul do Equador

Meu lema:

Vai passar


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30.7.10

Maldição dos 27

Hoje escapo da maldição dos 27, talvez por pura teimosia em mostrar pro Renato Russo que os bons não morrem jovens, muito menos antes... Se bem que para mim, morrer com 90 anos vai ser morrer jovem, pelo menos em espírito.


Escapar da maldição também é uma constatação que não sou nenhum Robert Johnson, nenhuma Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Curt Kobain e uma infinidade de gente talentosa, polêmica e inspiradora; Mas sei que tenho uma estrela de rock aqui em algum lugar e ela não pretende morrer nem tão cedo...

Outros ícones do rock que morreram aos 27:

Johnny Kidd (vocalista do Johnny Kidd & The Pirates), em 1966
Brian Jones (guitarrista dos Rolling Stones), em 1969
Alan Wilson (vocalista dos Canned Heat), 1970
Brian Cole (baixista do Associations), 1972
Ron “Pigpen” McKernan (tecladista do Grateful Dead), 1973
Gary Thain (ex-integrante do Uriah Heep), 1975
Chris Bell (guitarrista do Big Star), 1978

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26.7.10

Bom Dia

Cresci com essa estranha sensação
de que eu podia perder a voz enquanto durmo.
Bom Dia, digo ao espelho.
E ele me responde em pensamento.

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26.4.10

Ilusionismo


ilusion
Upload feito originalmente por nat_peixoto

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27.3.10

Tardia

Olhando minha lista de desejos de ano novo percebi que só enchi o pneu da bicicleta ontem... Nem a usei ainda.


Bem, antes tarde do que nunca. Mas não posso me esquecer que é sempre melhor o desconforto de se apressar um pouco do que a angústia de perder o trem...

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20.12.09

15 anos depois...






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