26.10.06

Sou gostosa e assumo!

Texto de AILIN ALEIXO

Nem quando tinha 10 anos entrei numa calça jeans 38. Nunca me senti feliz com os peitos reinando absolutos em uma blusa branca sem sutiã. Me sentia uma hipopótama prenha quando teimava em vestir um top minúsculo com a pança exposta à poluição. Jamais deixei de ter pânico praiano no final da primavera. Mas, depois de muita terapia e chuchu refogado, decidi: sou muito mais gostosa do que essas esqueléticas posando de cabide maquiado em capa de revista de moda. Porque, na vida real, gostosura não é ter 1,77 metro e 50 quilos, nem ter sido inflada com 300 mililitros de silicone, sugada com lipoescultura ou esticada com Botox até na pupila. Ser gostosa é decisão.
Decida que seus culotes, apesar de não serem a coisa mais fofa do mundo, são extermináveis. Faça um tratamento estético e acabe com eles. Decida dar um tapa na cabeça de seu namorado sempre que ele a chamar de "gordinha", "fofinha" ou qualquer coisa terminada em "linha" que cause ira: você é a única pessoa que pode depreciar a si mesma, é bom que fique claro. Decida reclamar menos do seu corpo e aproveitar mais todas as sensações que ele pode lhe proporcionar se você parar de se torturar com cada estria que se instalar na banda direita da sua bunda.
Burrice é dar valor exagerado ao que é, na essência, detalhe. Tragédia é a fome na África, o assassinato dos bebês-foca, não a falta de elastina no seu glúteo direito. Decida chutar para a estratosfera os padrões de beleza: os peitos da Gisele Bündchen são dela, não seus. A barriga tanquinho da professora de aeróbica na televisão é dela, não sua. E, na real, se ser padrão fosse tão bacana assim, essa mulherada não viveria neurótica, bulímica, anoréxica, com disfunção renal, cerebral, hemorroidal. No fim, todas nós sofremos de prisão de ventre.
Decida que "osso largo", "retenção de líquido" e "gases" não são desculpa para não ter a cintura da Jennifer Lopez - você tem outra estrutura, simples assim. Ou prefere se afogar num sorvetão de pistache no final de um dia estressante a encarar uma porção de gelatina e amargar um humor tão ruim quanto as desculpas do Rubinho em final de corrida. Não dá para ser leoa com pelagem de jaguatirica. Mas dá para ser uma leoa deslumbrante.
Decida que você, e o que existe de melhor em você, não se resume àqueles 2 ou 3 ou 10 quilos de banha que insistem em não sair do seu quadril. Quem acha o contrário deve ser posto sumariamente de quarentena na sua vida. E se for você que pensa assim? De duas, uma: Freud ou Jung. Não, três: pode ser Lacan, também.
Se você decidir que quer mais é ter a barriga sarada, a bunda dura, o peito empinado e a coxa marmórea, vá em frente. Malhe. Feche a boca. Gaste com cirurgias, mas não se engane pensando que depois disso sua felicidade será plena, porque alegria e auto-estima não vêm de brinde com a lipoaspiração. Lembre-se de que o embrulho do presente acaba sempre indo para o lixo.
Então, para descomplicar e desneurotizar minha existência, decidi que sou gostosa. Compro roupas que valorizam o que tenho de bom e não pago o mico de me vestir feito um manequim de vitrine da Dior: o máximo que conseguiria seria parecer um espantalho fashion louco. Não me abalo mais com comentários testosteronentos e babões diante de corpos fenomenais: eles são visualmente dignos de urros de tesão, mas não dediquei minha vida a ter um daqueles, por isso não posso querer ter um daqueles. Não passo três horas diárias na academia, não tenho personal trainer, não gasto as tardes no shopping passeando com meu cachorrinho e com minhas amigas loiras-saradas que parecem saídas de uma linha de produção de Barbies. Nunca vou ter um corpo daqueles porque isso não é minha prioridade. O prazer que um jantar de risoto de pêra com gorgonzola e uma rubra taça Merlot me proporcionam é muito maior que poder rebolar ferozmente a buzanfa-modelo num show da Tati Quebra-Barraco.
Hoje, sou gostosa e assumo. Mas continuo odiando qualquer mulher que fica linda de morrer num biquíni. Eu decidi ser gostosa, mas não virei a Irmã Dulce. Ainda bem: decidi também que ser boazinha não combina comigo.

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7.9.06

Desafio

Desafio

Rachel Gutiérrez

Tu me amarias? tão jovem...
eu sou esta premência, este fulgor,
mas não te quero meu, te quero
na aventura e na voragem
dos abismos, na ousadia dos píncaros,
no inusitado e no apenas pressentido
- no sonhado.
Tu me amarias?

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Filhos

Filhos,
melhor não tê-los.
Sobrevivemos
sem saber.
Não quero ter
essa sensação.
Ser,
outro ser.
Vida, outra vida,
continuação.
Não quero ter
Filhos.

30/01/2001

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Juízo Final

A todo momento somos julgados,
por deuses ou por juízes.
Somos inocentes, porém culpados.
Nossos crimes, inafiançáveis.
Os motivos, os mais banais.
E de todos os pecados,
só cometemos os mortais.
Não somos assassinos em série,
psicopatas ou de aluguel.
Somos seres normais,
tendemos à indiferença.
Buscamos a fé numa religião,
queremos entrar no céu,
mas a porta está fechada,
e São Pedro dá a sentença,
sem direito a absolvição.
Afinal, somos condenados,
e a vida nada mais é
do que uma prisão.

---

20/01/2000

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Via Sacra

Essa é a história de Jesus,
filho de José e Maria,
que um dia,
por sorte ou por azar,
teve três filhos.
Seus nomes não importam,
talvez um Paulo, um Pedro
ou um João,
três filhos de Jesus,
um Jesus sem pão.
Sem cidade santa,
sem nem cidade,
sem chão.
Um Jesus sem mulher,
talvez a tenha perdido.
Desiludido,
um Jesus sem fé.
Não tinha dinheiro,
arroz nem feijão,
como santo,
não precisava comer,
mas seus filhos sim,
santos nunca foram,
nem vão ser.
E Jesus, em sua plenitude,
no dever de proteger a humanidade,
não conseguia dar comida
a seus filhos de verdade,
e tomou uma atitude.
Assim como seu homônimo,
que morreu para redimir
o homem de seu pecado,
esse nosso Jesus morreu
para que seus filhos
não o vissem fracassado.
Um corda no pescoço
acabou com a vida de Jesus,
e agora suas crianças
carregam a sua cruz.
E o pai, agora no céu,
deseja que sua carne
se torne comestível.
Que seu sangue,
ao invés de vinho,
se torne água,
incolor, inodora, invisível.
Que mate a sede,
que acabe a fome,
que se torne vida,
para que seus filhos não morram
de uma história tão sofrida.
E que cresçam para mudar o mundo,
para que não nasça mais
nenhum Jesus
sem um prato de comida.

-----

Seca no Nordeste. Homem sai para procurar comida e se enforca. Seus três filhos são encontrados alguns dias depois, sozinhos, sem água nem comida. 05/01/2000

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6.5.06

Claustrofobia


Não me peçam para fechar os olhos,
não me mandem calar a minha boca!
Não me ofereçam nenhum tipo de prisão
que eu não possa eu mesma criar!
Minha claustrofobia é imensa,
me sinto sempre sem ar,
mesmo que o mundo seja grande demais pros meus pés.
Quando quero criar asas, peço emprestadas as do avião,
mas queria mesmo ser uma borboleta.
Amarela, pra dar sorte!
Não me digam que não tem pote de ouro no final do arco-íris.
O ouro não me interessa, mas não consigo acreditar
que ele não exista.
Minha imaginação é imensa,
me sinto sempre sem chão,
mesmo que o mundo seja real demais pros meus pés.
Quando quero criar asas, eu fecho os olhos,
mas não me peçam para fechar os olhos...

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1.5.06

Bicho Solto



Não sei julgar o que há em ti
Sentir com precisão
Se é fogo ou água, já desisti
O meu coração que agüente
Não há nada mais louco
Mais sensível
Que você junto de mim
Com o seu amor indizível
Eu faço e aconteço
Pra estar com você
Eu te abraço, amor
Te desfaço em flor
Nesse abraço a gente
Se veste um ao outro
Pra virar um bicho solto
Desordenar por aí
'cê de quatro, amor
Beira art-déco
Uma imagem no altar da luxúria
Você com esse jeito seu
Me venceu
Ah, gosto de você em mim!
O lascivo chega a brilhar
De incandescer mais que o sol
Lá no limiar do prazer
Estrelas pulam de alegria
Se fantasiam, mudam de cor
Pra ver o amor nascer

Djavan

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28.4.06

Amar, verbo intransitivo!

Amar, verbo intransitivo...
Não necessita sujeito (seja ele inexistente ou indeterminado).
Não necessita preposição (nem pós posição, nem posição alguma).
Não necessita complemento nominal (porque o amor não completa).
Não necessita adjunto adnominal (porque não precisa estar junto).
Não é um ato involuntário, nem despretensioso...
Ele pretende sim, ser reconhecido, admirado e às vezes correspondido.
Mas ele não precisa ser julgado e muito menos compreendido.
Ele precisa ser vivido.
Poucas pessoas sabem disso.

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20.4.06

Teoria de Darwin

Evolução ou um processo natural das coisas? Destino ou Livre Arbítrio?

Sei lá... Só sei que nesses parcos 23 anos, e principalmente nos últimos sete, eu já tentei ser de tudo um pouco em busca do meu lugar ao sol (embora prefira dias nublados, essa frase sempre me pareceu mágica...)

Já fui relaxada, ouvia Iron Maiden, calças rasgadas, bordadas, camisas pretas num calor infernal, cabelos grandes, desgrenhados, e qq outra coisa que aparecesse...

Já fui hippie de pantalona, batas, flores nos cabelos, tranças dos lados, óculos redondos, colar de paz e amor, e paz e amor só no colar...

Já fui certinha, recatada, nada de cigarro, cerveja, decotes e palavrões...

Já fui hetero querendo ser bi, mas com o tempo a gente percebe que tem coisas que realmente fazem muita falta em outra opção sexual... (e como fazem!)

Já fui atriz, já tentei cantar, já tentei dançar, já tentei tocar violão (só aprendi o refrão de More than Words, e olhe lá... Nem cheguei na fase do Stairway to Heaven... triste!)

Já escrevi um livro e já o rasguei em vários pedacinhos e taquei pela janela (e hoje me arrependo, estava bem escrito!)

Já plantei uma árvore e já tentei fazer um filho várias vezes (porque a graça está em tentar, sempre!).

Já tentei parar de tomar coca-cola inúmeras vezes, hoje em dia tento tomar só aos Domingos.

Nunca tentei parar de fumar, seria mentira aqui se dissesse isso... E, no fundo, queria não ter que parar nunca!

Jà tomei vários banhos de chuva na vida, e em um deles tentaram me assaltar, e eu achei graça! Depois corri, claro, muito...

Tomei banho de rio na virada do ano com medo de ficar resfriada, mas tomei...

Já disse Eu te Amo trocentas vezes na vida, e em todas eu amei de verdade ao dizer aquilo!

Já bebi muito por uma rejeição e entrei em coma alcóolico.

Já bebi muito pra comemorar e acabei triste!

Já aprendi que lidar com a sobriedade é muito difícil para alguns, e às vezes até mesmo para os que acham fácil serem sóbrios!

Já perdi entes queridos e amigos queridos, e ganhei outros poucos ao longo da vida.

Já brinquei de pique-esconde pra dar uma "agarrada" no vizinho, já me aproveitei do escurinho do gato-mia, e já pulei amarelinha depois dos vinte anos...

Apostei corrida de cadeira de rodas semana passada.

Já dei risada quando não podia e já chorei de tanto rir, e até já ri de tanto chorar também...

Quero escrever outros livros, plantar outras árvores e continuar tentando fazer filhos, pra quem sabe um dia, conseguir ter um!

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13.4.06

Dança da Solidão

Paulinho da Viola


Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra
cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
eu dança você
Na dança da solidão

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Sozinha no Mundo

Quando eu era criança, e nem era lá em Barbacena, eu gostava muito de um livro chamado "Sozinha no Mundo", se eu não me engano, escrito pelo Marcos Rey.

Era a história de uma garota que viajava com a mãe que morre na viagem de ônibus, ela ia parar numa pensão e acho que o final, que não lembro muito bem, é que ela tinha um tio rico, sei lá, um parente rico, e tudo terminava bem, e ela não ficava nem um pouco só.

Eu me lembro que eu gostava muito desta sensação de Sozinha no Mundo...

Quando perdi minha mãe, me dei conta de que sou bastante sozinha. Já me sentia sem ela há muito tempo, mas a morte apenas confirma o que a gente no fundo não quer se dar conta. Já não tinha pai, e agora mãe também não tenho.
De alguma maneira, eles se foram...

E de alguma maneira, eu permaneço...

E mesmo assim ainda não estou sozinha, nunca ficamos completamente sozinhos em vida, e eu nem sei se gostaria de estar...

Solidão mesmo, só na hora da morte!
Porque esta hora não podemos compartilhar com ninguém...

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3.4.06

O homem abriu a janela e deixou a chuva entrar...

E ela inundou o parapeito, depois os cabelos, o corpo, o chão e foi passando...

Seguiu seu curso como segue um rio, como segue a vida, mas deixou tudo encharcado pelo caminho.

Encharcado de pudor e lágrimas.

A devassa da chuva faz bem ao homem, dela nada escapa. Ele não escapa...

E quando a janela fechar, e a chuva parar, as lágrimas servirão para encharcá-lo novamente e o rubor da face, possuída pelos desejos da água, esquentarão seu corpo por mais uma noite.

Mais uma noite...

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Fim

Dizem que é triste quando o amor acaba...

Pra mim, mais triste é quando ele não acaba, quando ele fica por ali sem incomodar, mas querendo que o objeto amado se incomode...

É triste quando se ama de maneira diferente do que se amou a mesma coisa, e querer se preocupar com o que tão preocupante já foi e agora não faz mais parte da sua vida...

É triste quando o amor fica mas a convivência não é mais possível.

De repente a gente acorda e o amor continua lá, impassível, mas não é mais tão necessária a presença da personificação do amor, você não precisa mais dos beijos dele, dos carinhos dele, da aprovação dele, da aceitação dele... Mas você não deixa de amá-lo.

E também não quer vê-lo sofrer...

É preciso deixar partir o amor...

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2.4.06

Dor e sofrimento

A dor é um processo interessante da superação.
Existem pessoas que vivem de dor, na dor e para ela.
Não sabem levar uma vida sem sofrimento, sem tristeza, sem melancolia...
Elas se sentem felizes dessa maneira, vivendo o contrário do que as pessoas dizem ser a felicidade...

A felicidade pode ser apenas a medida do quanto a gente quer o que a gente quer...

Desde o amigo que aparece na sua casa, de madrugada, com o braço todo cortado, sangrando, segurando uma garrafa de cachaça na mão, até o que faz sempre as escolhas erradas só para provar que pode errar várias vezes conscientemente, eu já convivi com vários tipos de dores...

Eu tenho muitas dores, mas aprendi a conviver com elas, entendê-las e tentar superá-las, e se não consigo passar por cima dela, deixo ela no canto...

Não sentir dor pode ser tão ruim quanto alimentá-la.

"Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor..."

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Dores

Que dor você está sentindo agora?

Sempre temos algum tipo de dor... Seja saudade, amor, tesão, paixão, cansaço...
Até a alegria pode ser uma dor.
É importante saber que tipo de dor estamos sentindo, focar a atenção nela e de repente, ela some...
Deixa de ser dor, e aí passa a ser sei lá o quê...
Algo que deixa de ser estranho ao seu corpo e se integra a ele.
Passa a ser uma parte de você!

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31.3.06

Pura fisiologia

A gente morre sempre que espirra,
então a morte é quase um escarro.

A gente vive sempre que respira,
então a vida é quase um catarro.

É o que resta do que não serve pra nós...

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Interior

De repente não havia mais chão...
Nem caminhos conhecidos, rostos conhecidos,
frases conhecidas...
Eles não falam mais minha língua.
Ou eu não falo mais a língua deles.

Não preciso mais ouvir as palavras
que eu nunca entendi.

Olho para dentro. Durmo? Morro?
Apenas vivo, como nunca.

Quem quiser me entender,
que seja através de mímica!

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30.3.06

Tormenta

A música das almas

Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam a terra...
Depois veio a claridade, o grande céu, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.

Vinicius de Moraes

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18.3.06

Astral

Eu tenho uma tendência a não acreditar em nada que me digam... Em nada pré-fabricado, pré-existente ou defendido ardorosamente por algúem...
Não sei se por falta de crença nas pessoas ou nas coisas, eu tendo a deixar as coisas rolarem... Intuitivamente me apego a uma ou outra coisa que aparece...
Uma delas é a Astrologia... Não sei quando nem porquê o interesse surgiu, mas comecei a observar as pessoas e os signos e achei fácil fazer uma associação básica entre elas, e agora me divirto fazendo isso.

Mesmo achando a Astrologia interessante, só esse ano resolvi fazer meu mapa astral, e confesso que fiquei chocada com algumas coisas...

É engraçado quando a gente encontra respostas a crises existenciais... A gente começa a achar que aquilo ali é realmente incrível, e não deixa de ser, do ponto de vista emocional...
É um apego ao fato de que alguém (ou alguma coisa) finalmente pode te entender e tentar te explicar o que você tem que fazer...
E no fim, é mentira, só a gente pode saber como é e o que deve fazer da vida...

ASTROLOGICAMENTE FALANDO EU SOU ASSIM:


- Leonina com ascendente em Áries, e lua em Sagitário... (cuidado, quem brinca com fogo faz xixi na cama!)

- Leão e Áries são signos do mesmo elemento, o Fogo, e esta combinação num mapa astrológico é a marca registrada de uma pessoa criativa, que veio para este mundo para brilhar e chamar a atenção das pessoas no que diz respeito a uma verdade: todos temos talentos especiais, podemos e devemos usá-los, sem medo de ser feliz! (Eu sempre disse isso mas ninguém me leva a sério)

- Uma certa qualidade espontânea e infantil é visível em seu mapa. Sob muitos aspectos, você tem uma natureza franca no estilo “bomba”, precisando aprender a cultivar uma certa diplomacia a fim de não causar estrago em torno de si. (sim, eu contenho uma hecatombe em minhas palavras)

- O seu processo de despertar da consciência envolve mergulhos profundos de alma, pois você tem sentimentos e anseios mais profundos do que o geral. (sou fudida, isso sim... por isso que nem psiquiatra me aguenta)

- A falta de elemento Terra num tema astrológico sugere um desligamento do mundo físico e das necessidades materiais e terrenas, de modo que a pessoa fica se sentindo "um ser do espaço". (Eu sou definitivamente um E.T.)

- Você, exatamente por conta de problemas de conexão com a Terra, pode ser uma pessoa muito mais criativa, pois não acredita em palavras como "impossível" ou "inviável". (Paris, hoje?)

- Pode acontecer também, por conta da falta de Terra, ter problemas com seu corpo físico, decorrente da dificuldade de ancoragem. Sua natureza é como a de moléculas pouco coesas, como se qualquer vento mais forte lhe fosse quebrar. (bonita por fora, podre por dentro...)

- Você, com falta de Ar, tende a se envolver em situações complicadas, sobretudo no que diz respeito a relacionamentos. Você se envolve com tudo, até com o que não era da sua conta. (É... foda! Eu sempre digo que sem uma complicaçãozinha na vida, ela fica muito monótona)

- Pessoas com problemas de Ar são dadas a simpatias intensas e antipatias atrozes. (sem comentários...)

- O lado especulativo e filosófico de Sagitário leva você a tentar encontrar um “sentido maior” por detrás de tudo o que lhe acontece. Esta também é a Lua dos bonachões, das pessoas bem humoradas, que cultivam uma atmosfera de “não estou nem aí”. (Tô nem aí! Tô nem aí!)

- Sagitário é um signo que odeia sentir tristeza, de modo que não é surpreendente que a você tenha tanta dificuldade de encarar o lado sombrio da própria natureza, de travar contato com sentimentos ruins. Você pode usar muita energia para evitar ter contato com seus sentimentos ruins, e isso pode explodir eventualmente na forma de depressão ou de males somáticos. (Eu tenho somatite aguda!)

- Emoções muito intensas são a marca registrada desta Lua de Casa 8 e você, precisa desenvolver uma atenção redobrada para não ser vítima de obsessões emocionais às quais você se apega. (Maníaca-compulsiva-obssessiva-emocional-intensa!)

- Você possui um fascínio natural pelo sexo e pela psicologia, e tem uma facilidade para fazer as pessoas se abrirem com você. Muitas dizem que têm a impressão de lhe conhecer de longa, longa data, e abrem seus corações, contando coisas que talvez não diriam nem para os analistas! (Vou começar a cobrar!)

- Você nunca pensa apenas em si: ainda que num momento que exija egoísmo e individualismo, você busca a harmonia entre os opostos, inclusive se atraindo naturalmente pelo que é diferente. (os meus amigos sabem que isso é verdade pura...)

- Em geral, pessoas com harmonias entre Sol e Lua preferem relacionar-se a ficar sozinhas, e em geral há um bom entendimento com o sexo oposto, o que garante popularidade. (Eu sei que eu sou legal...)

- predisposição a apegar-se mais rápido do que manda a racionalidade. (sempre!)

- Seu senso de beleza se desenvolve quando você troca idéias com os outros, isso verdadeiramente lhe traz prazer. (Com certeza!)

- você é alguém perfeitamente capaz de compreender o verdadeiro significado da palavra "amor", com todas as implicações de autodoação que esta curta e poderosa palavra sintetiza. (será?)

- dificuldade em viver o amor saudavelmente, uma vez que você se acostumou a se recolher por detrás de poderosas defesas. Comportamento maniacamente desconfiado. (além de todas as manias, ainda sou desconfiada...)

- uma inteligência mais intuitiva do que necessariamente lógica e racional. (já disse isso lá em cima)

- o regente da sensibilidade emocional (Lua) lhe confere um bom senso de observação, de modo que o entendimento das coisas flui com facilidade. A harmonização entre a Lua e Mercúrio confere ao tipo uma boa memória que lhe garante enorme lucidez. (Concordo com o senso de observação... A lucidez varia com o dia)

- Este é um aspecto que sugere uma vida com muitas viagens e movimento. (Tô esperando...)

- a forma de se comunicar deste tipo, apesar de clara e lúcida, tende mais ao fantasioso do que ao objetivo. (eu aumento, mas não invento...)

- Muito cedo, você aprende que conhecimento é poder. E, quer seja isto verdade ou não, você pretende usá-lo. (e uso)

- pode ser considerado um indivíduo "esquisito" pelos seus pares, e mesmo excluído do convívio social por conta de suas "idéias esquisitas". (acho que todos os meus amigos têm esse trânsito, pq eu era justamente incluída no convívio deles por causa das minhas idéias esquisitas...)

- atitudes de estudo compulsivas e geralmente monomaníacas, dedicadas obsessivamente a um assunto em específico. (redundância de manias e obssessões...)

- é muito comum que a pessoa subitamente transforme suas obsessões intelectuais num total abandono mental. (eu estava me desintelectualizando há um tempo atrás... Mas desisti, dá muito trabalho!)

- Um grande passo é dado se você conseguir se desapegar das próprias idéias, relaxando e não levando tão a ponta de faca alguns princípios. A tolerância intelectual é um exercício importante. (eu odeio burrice)

- você é uma pessoa justa, humana, que entra em batalhas para tornar o mundo e a sociedade um lugar melhor para se viver. (Green Peace, aí vamos nós!!!)

- você tem o dom de reavivar os outros com um entusiasmo contagiante em relação a projetos, causas, ideais e metas. (as pessoas são muito pra baixo!)

- você veio para este mundo com o objetivo de aperfeiçoar a realidade em torno, tendo uma abordagem crítica em relação à forma como nós vivemos neste mundo. (acho que ainda não terminei minha crítica ao mundo, pra saber o que penso dele ainda...)

- é preciso aprender a relaxar este excesso de controle, caso contrário você ficará doente! (eu não vou ficar, eu fico sempre!)

- O estudo da energia sexual, do orgasmo, do tantra yoga, tudo isso lhe leva a um processo natural de expansão da consciência, e de conseqüente liberdade para níveis maiores. É através do sexo que você dá saltos de consciência. (alguém quer me ajudar?)

- Num nível mais mundano, Netuno na Casa 9 pode sugerir viagens e jornadas de peregrinação, descobertas e identificação espiritual com outras culturas, laços espirituais com terras distantes. (terras distantes? eu vou ser abduzida?) Pode haver uma confusão inicial quanto à vida universitária, que se resolve com o tempo. (resolve é?)

- através das suas relações que mudanças profundas e crises de identidade são desencadeadas em sua vida. (disso ninguém precisava me avisar)

- é provável que você venha a ajudar muitas pessoas que estão passando por situações extremamente dolorosas. Você é uma espécie de força auxiliar para pessoas em fases de crise extrema e transição. Observe a beleza deste papel! (Tô tentando... Juro que estou tentando!!!)

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17.3.06

Bandolins

Às vezes no meio da noite eu escuto uma música e dá uma vontade louca, repentina, de dançar e dançar e dançar, até cair tonta no chão...
É quase um transe e é uma vontade tão imensa que eu levanto e rodopio como um pião pelo quarto, e a alegria depois é inexplicável...
Principalmente se for na rua, embaixo da chuva...

A música que eu escuto nem sempre é clara, nem sempre é alta, é um sussurro, um gemido, um murmúrio de prazer... mas acalma, e eu me julgo amada ao som dos bandolins...


Bandolins
Oswaldo Montenegro


Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
ao som dos bandolins e como não
E por que não dizer
que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo
e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
iluminava e a noite caminhava assim
e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada
do meu botequim
valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite tá no fim,
e ela valsando só na madrugada
se julgando amada ao som dos bandolins

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15.3.06

Caos...

"Na vida a gente tem horas fáceis e horas difíceis, hora do fazer e não-fazer, horas de amor e desamor.
Horas de fossa, angústia, alegria, solidão, esperança...
Mas a hora maior é a hora da morte.
Hora em que a gente se liberta completamente do CAOS que é nosso coração."

Eleonora Peixoto - 16/01/1976

"Um minuto de vida na hora da morte
são como séculos de existência..."

Eleonora Peixoto - 1975

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Eu estou chorando o fato, sabendo que você encontrou a calma...

"Eu a sinto perto de mim.
Talvez como nunca senti antes.
Ela está à minha espera, eu sei.
E, de cabeça erguida, enfrento a sorte.
É minha sina, é minha luta.
Fugir sempre da sua sombra
sobre mim, dentro de mim.
É meu sonho, é minha morte.
Quando eu não mais estiver aqui,
não sei o que será do homem que amo,
sei que levarei a presença dele
gravada no fundo da alma.
Sei que alguém vai chorar o fato,
mas vai saber que encontrei a calma.
Amo a vida como amo a morte.
Sinto apenas como se fosse um corte.
Voltarei, porque meu amor será sempre,
sempre, muito maior e mais forte."

Eleonora Peixoto - 1977

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12.3.06

Close to you

Close To You
The Carpenters

Why do birds suddenly appear
Every time you are near?
Just like me, they long to be
Close to you.

Why do stars fall down from the sky
Every time you walk by?
Just like me, they long to be
Close to you.

On the day that you were born
The angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moon dustin your hair of gold
And starlight in your eyes of blue.

That is why all the girls in town
Follow you all around
Just like me, they long to be
Close to you.

On the day that you were born
The angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moon dustin your hair of gold
And starlight in your eyes of blue.

That is why all the girls in town
Follow you all around
Just like me, they long to be
Close to you.

Just like me, they long to be
Close to you.

Perto de você
The Carpenters

Por quê os pássaros repentinamente aparecem
Toda vez que você está próximo?
Exatamente como eu, eles desejam estar
Perto de você...

Por quê as estrelas caem do céu
Toda vez que você passa?
Exatamente como eu, elas desejam estar
Perto de você...

No dia em que você nasceu
Os anjos reuniram-se
E decidiram criar um sonho transformado em realidade.
Então eles espalharam poeira da lua
No seu cabelo dourado
E [espalharam] luz das estrelas nos seus olhos azuis.

É por isso que todas as garotas na cidade
Te seguem por toda parte.
Exatamente como eu, elas desejam estar
Perto de você.

No dia em que você nasceu
Os anjos reuniram-se
E decidiram criar um sonho transformado em realidade.
Então eles espalharam poeira da luaNo seu cabelo dourado
E [espalharam] luz das estrelas nos seus olhos azuis.

É por isso que todas as garotas na cidade
Te seguem por toda parte.
Exatamente como eu, elas desejam estar
Perto de você.

Exatamente como eu, elas desejam estar
Perto de você.

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Luzes da Ribalta


Chove lá fora e eu olho pela janela...
Os que tem bom senso correm pra rua pra tomar um banho de chuva, lavar a alma...
Eu hesito...
À essa hora, as luzes da ribalta acesas, e o espetáculo já acabou.
Enquanto todos vão dormir, a gente reabre nosso teatro, e com muitas merdas para nós, encenamos as nossas vidas...

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Papo de Amigo

"Eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia..."

mulher - Vai fazer o quê hoje?
homem - não sei, tomar uma cerveja, mas não posso perder o programa X na TV...
mulher - Vamos tomar uma cerveja no bar tal?
homem - Boa!
mulher - pensando bem, tou de TPM...
homem - Ihhhhh, então é melhor você ficar em casa... Você fica muito chata!
mulher - Não quer ver o programa X aqui em casa?
homem - Tá carente é?
mulher - Talvez!
homem - Tá, o que ia fazer aqui em casa, posso fazer na sua... Te faço companhia.
mulher - Chego em casa tal hora...
homem - Chego em seguida...
mulher - Isso não quer dizer que quero te comer, ok?
homem - E quem disse que eu quero? Até porque não posso perder o programa X...
.
.
.
.
homem - Você faz isso de propósito...
mulher - O quê?
homem - fica me provocando...
mulher - sei... Talvez!
homem - isso porque não quer...
mulher - e nem quero, é porque você disse que não queria, aí eu passo a querer...
(silêncio)
.
.
.
.
homem - Faltam vinte minutos, vou ligar a TV.
mulher - não, vem cá, vem!
homem - Não faz isso, por favor...
.
.
.
.
mulher - Ei, tá pensando que vai aonde?
homem - Tá na hora!
mulher - Vai me deixar aqui, assim?
homem - Nem adianta, vou te trocar por um cigarro, uma cerveja e a TV.
mulher - Então eu vou dormir... E se tentar me acordar te dou um safanão na cara!
homem - Tudo bem!
.
.
.
.
homem - Tá acordada?
(silêncio)

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7.3.06

Vícios, pessoas e bandos

Confesso, sou viciada em pessoas...
Pessoas diferentes, pessoas multi-pessoas,
com várias facetas e múltiplas caras.

Pessoas que saibam ser elas mesmas
sendo várias elas no mesmo corpo.

Acho que nasci com muitos defeitos,
mas tenho a incomparável habilidade
de me colocar no lugar do outro
com muita facilidade.

Um processo tão rico, tão intenso,
e na maioria das vezes, tão doloroso...

Tentem experimentar saber o que o outro tá sentindo...
Qual a visão do outro...
A ótica que ele tem da vida...
Como ele pensa... Como ele sente...

Pessoas multi-facetadas são deliciosamente confusas,

possuem fluxos complexos de pensamentos,
de hábitos, de sentimentos.

É muito confuso sobreviver a si mesmo,
imagina sobreviver a outos eus confusos compartilhados?

Mas isso me excita,
e eu me entrego a todos esses eus, sempre.

Eu sou só uma observadora desse
bando de pássaros que voam perto de mim.

Queria às vezes voar com eles,
mas não consigo ser pássaro que voa sempre para o Sul...

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6.3.06

VERSINHOS

O amor é um dom impossível,
de natureza inexistente.
Só o tem o insensível,
só o quer quem não o sente.

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4.3.06

Religião

Eu olho sobre as nuves,
e descubro quem é Deus.
Estranhas vertigens
de homens ateus,
descrentes, sem fé, desiludidos.
Perderam suas origens.
São eles que o criaram.
Renegado, ele nasceu
e se fortaleceu.
Controlou a humanidade,
se tornou a própria verdade.
Criou o remorso, criou o pecado.
Instrumentos de tortura
que consistem em deixar
o homem culpado,
querer se redimir,
se auto-flagelar.
Ele sabe que o remédio indicado
é rezar, e reza.
Teme o castigo,
pede perdão.
Constrói uma igreja,
cria uma religião.
Convence os amigos,
que passam também a crer,
é a única salvação,
senão vão todos queimar
no fogo intenso do inferno,
onde está o Diabo,
mal intencionado.
Foi nos dado o livre-arbítrio,
o direito de escolher.
Mas se fizermos o "errado",
somos condenados,
ou podemos nos arrepender
e passar o resto da vida
com uma dívida.
Ficamos atormentados
e criamos falsa fé,
alimentando o ego
do personagem do século
que diz ser o que não é.
Não iremos pro céu,
nem pro inferno.
Apenas morreremos,
e em nossos corpos é que ficarão
os crimes que cometemos,
mas corpo acaba,
e com ele, o que vivemos.

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República dos Monstros

Muitas vezes ao fazer o bem
somos mal interpretados.
E ao querer o mal
Não somos bem sucedidos.
O ódio julga o amor
para os que não são amados.
E a mente o sepulta
nos que são bem resolvidos.
Odiamos quando queremos amar,
ferimos quando queremos curar,
choramos ao querer sorrir,
ficamos ao querer partir.
Enlouquecemos buscando sanidade,
sofremos desejando felicidade.
Sufocamos nossos sentimentos,
que sufocam nossos amores,
que escondem nossos ódios,
que não são nada além de nós.
É o nosso íntimo, o Id.
Passamos a vida inteira procurando o amor,
não seria mais fácil libertar o Id, destruidor?
E nos tornarmos monstros, voltarmos ao primitivo,
libertar o prazer e praticá-lo sem preventivo?
E nos proliferarmos, formando a República dos Monstros?
Ou será que é o que somos? Monstros?
Não, somos humanos,
mesmo que quase animais.
Lutamos para permanecer humanos,
lutando contra os monstros.
E buscamos o amor,
quando só queremos libertar
o ódio que alimentamos.

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2.3.06

FRUSTRAÇÕES

Está frio,
nada sinto.
Corpo dormente,
doente de vazio.
Sedento de gente,
cansado de amigo,
cheio de amante.
Entediado,
entediante.

Está quente,
nada penso.
Mente demente,
de transe intenso.
Sedenta de entorpecente,
cansada de incenso,
cheia de calmante.
Anestesiada,
anestesiante.

Está frio e quente.
Não tenho mais
nem corpo nem mente.
Dormente ou demente,
vou em frente.
Sem abrigo e sem amigo,
sem você comigo.
Cansada, entediada.
Frustrada,
frustrante.

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METALINGUÍSTICA

Deve-se escrever poesia
nas linhas da vida.
Embeber boca na boca do companheiro
toda sua métrica e rima.
Transformar os sons dos corpos
numa onomatopéia lírica,
com um compasso de 3/4,
dois amores e uma cama.

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CULINÁRIA

Pensava ter posto
no azeite o gosto
do amor, entretanto
pra meu grande espanto
não obtive sucesso
ao final do processo.
O azeite azedou,
a comida estragou.
Não pude te dar meu amor
de maneira indolor.
E agora o que faço?
Vou te dar um pedaço
do doce do meu coração:
chocolate e paixão.

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PLIM PLIM

Navego sem rumo,
alguém está me orientando.
Mas sentada, alheia a tudo,
em nada me concentro,
fico viajando.

Em pensamentos confusos,
me vejo como se não fosse eu.
Narro a minha vida como uma história.
Um drama, uma comédia,
estou me interpretando.

A voz não sai,
mas o texto está decorado,
os passos marcados.
Sei para onde vou,
mas não sei quem sou.

Minha vida é uma novela,
menos no final feliz.
Está tudo sendo gravado,
do nascimento ao casamento,
da chupeta ao primeiro namorado.

E recebo cartas me parabenizando,
sou famosa como atriz.
Mas depois de um tempo,
enjôo de tal tormento,
estou sendo vigiada.

E o ator se mistura ao personagem.
Uma bomba-relógio, prestes a explodir.
Só faço drama, não sei sorrir.
E chega o clímax, o terceiro ato.
E o final é de teatro.

Desesperada, perco a razão,
me mato por diversão.
O sangue é minha única platéia.
Ninguém bate palmas.
Não recebo elogios nem críticas,
esse capítulo não passou na televisão.

O enterro foi real,
ninguém ao lado do caixão.
E descubro muito tarde
que a vida não é arte
e um final trágico
não dá IBOPE.

Pode até passar no Fantástico,
apresentado pelo Pedro Bial.
Mas é só isso.
Conquisto meus quinze minutos de fama
e volto para a vida normal.

Levanto da cadeira,
esqueço meus sonhos e ideais.
E quem sabe um dia,
a fantasia vira realidade,
viro atriz de verdade,
e largo essa minha mania
de sonhar acordada
nos intervalos comerciais.

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Sós

O que nos faz sós nesse mundo,
senão nosso único coração?
Condenado a ser solitário
em nosso corpo duplo de órgãos
e dúbio de sensações...

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Dupla Face


Uma parte de mim apaga,
a outra inflama.
Uma é cinza,
a outra é chama.

Uma parte de mim fala,
a outra grita.
Uma acalma,
a outra agita.

Uma parte de mim se cala,
a outra exclama.
Uma pensa,
a outra ama.

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1.3.06

Quiromancia










Trazia na mão uma rosa amarela,
dessas que eu gosto mais.
E com algumas frases soltas,
lamentos e monossílabos,
formou um hiato longo,
num já decrescente
ditongo de nós dois.

Me lembrei quando essa mão
me trouxe um livro,
com palavras tolas
e desejos tortos.
E alguns anos se foram,
até elas se fecharem
ao adeus que te dei depois.

Essas mãos, cujas linhas
tinham escrito meu corpo,
e nele se apagaram um dia.
Teimei em reescrevê-las,
sabendo que delas precisaria
para me redescobrir
fonte de prazer.

E com fogo, refiz cada linha.
Reinventei em ti, meu corpo.
Me joguei numa busca lancinante
e já não queres me servir de guia.
Vejo em ti o amigo, e não só o amante,
porque com prazer e sem carinho,
não tem graça me perder.

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COM LICENÇA POÉTICA


"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou."

Adélia Prado

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Correntes

ilustração by Sóter

Nasci gauche na vida mesmo sem a ordem de um anjo...
Mesmo torta, não sou de esquerda, muito menos direita...
Sou do bloco das que preferem não dizer...
Nada, muita coisa!
Sou das que ninguém entende, como a florbela.
Me disfarço, me critico e me adoro, como a virginia.
Me assusta e acalma ser portadora de várias almas, como a elisa.
Me deixo cortar e volto sempre inteira, como a cecília
ou como a primavera...
Não gosto de tantas coisas que sempre me acho desperdiçando desgostos.
E gosto tão mais do que desgosto, que me acho eclética.
Sou fiel aos príncipios... Os meios, cada um tem os seus.
Sou fiel aos sentimentos, pessoas não são fiéis.
Não tenho problemas em me olhar no espelho, mas através dele me assusto.
Tenho um amor, a Vida, e várias paixões que vêm com ela.
Gosto de mergulhos de cabeça, erguida, sempre.
Sou autora das minhas poesias.
Escuto a música que meus ouvidos gostam,
vejo o mundo na cor que quero,
falo o que penso
e não vivo só porque respiro.
Uso todos os sete buracos da minha cabeça
e invento outros ao longo do corpo.
Sou movida a prazer, e não satisfação.
Tento dialogar a mente com o coração.
Arrasto as correntes das quais não me liberto.
Ainda não me resolvi em muitas coisas,
continuo tentando
e não páro jamais...

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