17.3.06

Bandolins

Às vezes no meio da noite eu escuto uma música e dá uma vontade louca, repentina, de dançar e dançar e dançar, até cair tonta no chão...
É quase um transe e é uma vontade tão imensa que eu levanto e rodopio como um pião pelo quarto, e a alegria depois é inexplicável...
Principalmente se for na rua, embaixo da chuva...

A música que eu escuto nem sempre é clara, nem sempre é alta, é um sussurro, um gemido, um murmúrio de prazer... mas acalma, e eu me julgo amada ao som dos bandolins...


Bandolins
Oswaldo Montenegro


Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
ao som dos bandolins e como não
E por que não dizer
que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo
e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
iluminava e a noite caminhava assim
e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada
do meu botequim
valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite tá no fim,
e ela valsando só na madrugada
se julgando amada ao som dos bandolins

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