1.3.06

Correntes

ilustração by Sóter

Nasci gauche na vida mesmo sem a ordem de um anjo...
Mesmo torta, não sou de esquerda, muito menos direita...
Sou do bloco das que preferem não dizer...
Nada, muita coisa!
Sou das que ninguém entende, como a florbela.
Me disfarço, me critico e me adoro, como a virginia.
Me assusta e acalma ser portadora de várias almas, como a elisa.
Me deixo cortar e volto sempre inteira, como a cecília
ou como a primavera...
Não gosto de tantas coisas que sempre me acho desperdiçando desgostos.
E gosto tão mais do que desgosto, que me acho eclética.
Sou fiel aos príncipios... Os meios, cada um tem os seus.
Sou fiel aos sentimentos, pessoas não são fiéis.
Não tenho problemas em me olhar no espelho, mas através dele me assusto.
Tenho um amor, a Vida, e várias paixões que vêm com ela.
Gosto de mergulhos de cabeça, erguida, sempre.
Sou autora das minhas poesias.
Escuto a música que meus ouvidos gostam,
vejo o mundo na cor que quero,
falo o que penso
e não vivo só porque respiro.
Uso todos os sete buracos da minha cabeça
e invento outros ao longo do corpo.
Sou movida a prazer, e não satisfação.
Tento dialogar a mente com o coração.
Arrasto as correntes das quais não me liberto.
Ainda não me resolvi em muitas coisas,
continuo tentando
e não páro jamais...

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