1.3.06

Quiromancia










Trazia na mão uma rosa amarela,
dessas que eu gosto mais.
E com algumas frases soltas,
lamentos e monossílabos,
formou um hiato longo,
num já decrescente
ditongo de nós dois.

Me lembrei quando essa mão
me trouxe um livro,
com palavras tolas
e desejos tortos.
E alguns anos se foram,
até elas se fecharem
ao adeus que te dei depois.

Essas mãos, cujas linhas
tinham escrito meu corpo,
e nele se apagaram um dia.
Teimei em reescrevê-las,
sabendo que delas precisaria
para me redescobrir
fonte de prazer.

E com fogo, refiz cada linha.
Reinventei em ti, meu corpo.
Me joguei numa busca lancinante
e já não queres me servir de guia.
Vejo em ti o amigo, e não só o amante,
porque com prazer e sem carinho,
não tem graça me perder.

2 comentários:

Patolinus disse...

belos textos!!!!

Eduardo Pinheiro disse...

É POR ESSAS E OUTRAS QUE EU ACHO QUE VC NUNCA DEVERIA PARAR DE ESCREVER

AINDA ESCREVE 10X MELHOR DO QUE EU

BEIJOS