3.4.06

O homem abriu a janela e deixou a chuva entrar...

E ela inundou o parapeito, depois os cabelos, o corpo, o chão e foi passando...

Seguiu seu curso como segue um rio, como segue a vida, mas deixou tudo encharcado pelo caminho.

Encharcado de pudor e lágrimas.

A devassa da chuva faz bem ao homem, dela nada escapa. Ele não escapa...

E quando a janela fechar, e a chuva parar, as lágrimas servirão para encharcá-lo novamente e o rubor da face, possuída pelos desejos da água, esquentarão seu corpo por mais uma noite.

Mais uma noite...

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