8.10.07

O Amor é uma Grande Fantasia




Minha incursão pelo mundo dos insones tem realmente me trazido grandes experiências (em todos os sentidos), ainda mais agora, de greve, em que realmente não preciso me preocupar com a hora em que vou dormir...
Ontem já não estava tão sonolenta quando achei o programa que alegraria minha noite... Zapeando (como dizem por aí) pelos canais, parei no SBT onde estava passando o COLD CASE, ou melhor, ARQUIVO MORTO, porque por aqui é dublado mesmo, o que tira grande charme da série, mas ela ainda é muito boa, por isso nela fiquei. Depois da célebre música final do seriado (que graças a Deus é legendada, pois sempre é interessante), começou no canal o filme "O amor é uma Grande Fantasia".
Do mesmo diretor de "Pretty Woman" e "Frankie e Jhonny", Garry Marshall, o filme é, no mínimo, surpreendente. Conta a história de um casal de tiras que têm que se disfarçar de adeptos do BDSM para seguir um fotógrafo que acidentalmente tirou fotos de um bandido, que também está atrás dele. O filme é classificado como comédia, mas eu diria que ele é mais filosofo-pornográfico do que engraçado, e definitivamente o assunto investigação é somente uma desculpa para falar de filosofia sexual. Pelo menos as cenas são bem feitas e tem muito mais assunto do que um filme pornô, um programão!!!!
Não sei se eu sou assim, ou se outros teriam capacidade de extrair filosofia de um filme aparente tosco, mas o Sado-masoquismo sempre me intrigou... O termo sadismo vem do Marquês de Sade, e significa ter excitação no sofrimento físico e psicológico dos outros, e o masoquismo é ter excitação no ato de sofrer... Os dois termos andam juntos, embora sejam parafilias diferentes.
O BDSM (Bondage, Dominação e Sado-Masoquismo) segue o lema SSC (São, seguro e consensual) ou seja, a prática segura desses atos, com total consentimento dos participantes...
O que comecei a me questionar é se essa prática pode ser realmente sã, visto que é uma deformação psicológica humana e irrecuperável... Se é seguro e saudável manipular os outros, criando expectativas psicológicas falsas. Mas como não manipular? É possível viver a vida e fazer o que se quer sem manipular as pessoas à sua volta? Sem enlouquecer com as respostas dos seres manipulados? Sem sentir-se mal por alterar a rota de alguém? Ou talvez estejamos dividos entre manipuladores e os que gostam de ser manipulados? Será que todo mundo é inocente nas relações?
Sade foi condenado à morte por sodomia, o que hoje é impensável, mas o seu sadismo vai além da simples prática de perversões sexuais, é uma filosofia de dominação, humilhação e satisfação. Talvez por tudo isso, Sade tenha sido considerado louco e tenha influenciado os intelectuais de tantas épocas, como o movimento surrealista, alguns filmes de Buñuel, e peças de Jean Genet, dois gênios.
Pensando nisso, acabo concordando com final do filme do Gary Marshall, onde a divertida Rosie O'Donnell diz: "Não importa a perversão sexual. O amor verdadeiro é que é a grande fantasia!".

5 comentários:

Marcos Grassi disse...

NAT, muito legal seu comentário sobre esse filme. Estava justamente procurando informações; você já viu a versão completa, sem censura? Há muitos mais cenas eróticas. E eu concordo com você: embora aparentemente tosco, é um bom filme, basta vê-lo sem preconceitos. Continue tratando tão bem de assuntos tão interessantes, por favor!

Lets de Assis disse...

Seu blog é legal, gostei. Porém, BDSM nada tem de deformação psicológica ou algo assim. Apenas damos nomes aos nossos fetiches, sejam eles relativos à dor, masoquismo, dominação e submissão, ou não. ;)
Beijos
Lady Vulgata

Nat disse...

Olá, LadyVulgata, queria deixar bem claro que, quando digo "deformação psicológica humana e irrecuperável..." estava me referindo ao ensaio de Sade, sobre o que foi definido como sadismo, que é o prazer e a excitação pelo real sofrimento alheio.

Respeito o BDSM, assim como respeito qualquer prática exercida por qualquer pessoa que busque o prazer claro, quando todo o ato é consentido.

Bjs, Nat

Pedro disse...

Esse filme é realmente muito bacana, eu o assisti só uma vez, há mais de 10 anos. Bom saber que ainda passa e alguém mais já viu também. Mas, eu ainda insisto no gênero "comédia erótica".

Marcelo Lopez disse...

Acabei de assistir esse filme no canal Paramount. Também retirei dele muitas reflexões filosóficas relacionadas às relações humanas. Principalmente no tocante à liberdade sexual. E nos bloqueios que são impostos nos envolvimentos afetivos por medo de se ferir. Talvez o SM tenha tantos adeptos por isso. Uma permissão de dor física ou violência psicológica, consentida e premeditada. Como se fosse o triunfo da dor física sobre a dor da desilusão amorosa.
O que de fato pode ser muito eficaz.