14.10.07

Tempo, tempo, tempo, tempo...


Arte de Helenbar

“Se você conhecesse o tempo como eu conheço, não falaria em desperdiçá-lo como se fosse uma coisa. É um Senhor!”, disse o chapeleiro.


Quando era pequena, era fácil sentir o tempo. Meu estômago roncava, era meio-dia. Eu ficava com sono, eram seis horas. Isso quando eu tinha seis anos (e sete horas quando tinha sete, e oito quando tinha oito)...
Na adolescência, o tempo era mais ou menos o período entre um porre e outro. Vida era vida, tempo era tempo. A vida era longa e o tempo era curto.
Chega uma hora em que o tempo desaba na sua cabeça, você começa a contar coisas que aconteceram há dez anos atrás como se fossem ontem, e se dá conta que dez anos já é muita coisa, uma porcentagem grande de uma vida que ainda tem toda a vida pela frente. É quando você aprende o significado das palavras paradoxo e inexóravel... Ah, e pressa também!
É com essa sensação de urgência que eu ia administrando o tempo, até que aprendi o significado de muitas outras palavras e expressões, como 'o tempo parou'!
Quando o tempo parou para mim pela primeira vez eu descobri a sensação de estar apaixonada. Até aquele momento eu achava que sabia o que era a paixão (talvez já tivesse descoberto o amor, mas a paixão não).
E depois disso o tempo parou várias vezes... Algumas horas valeram por dias inteiros, e alguns meses por muitos anos de vida!
Agora não sei viver sem ter como parar o tempo, quando quero pará-lo. Já tentei outros relógios, outros fusos-horários, outros pensamentos e até outras ilusões, mas não consegui fazer o tempo se arrastar, e nem recebo mais dele aquele sorriso maroto de quem entende que às vezes a única coisa que se queria era aprisioná-lo, fazendo dele uma pílula, da qual se pudesse fazer uso outras vezes...
Entendi que o tempo é placebo, cura o físico enganando a alma.

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