2.11.07

Supernova



"No universo das paixões
Amor assim é supernova
Certeiro na veia da carne
Da alma, na carne d’alma"
Supernova - Skank




O Gabriel, no site do Pedro Dória escreveu:

Cerca de 100 milhões de anos depois do Big-Bang, o universo já mais ou menos expandido, depois de ter esfriado um pouco dos bilhoes de graus que tinha quando começou, apresentou um fenômeno chamado “decoupling”. Em termos simples, a luz gerada pelo calor era imediatamente absorvida pelas partículas daquela “sopa”, dada a densidade. Naquele momento, a densidade mais baixa permitiu que a luz escapasse e viajasse livre pelo espaço. Hoje, essa luz pode ser detectada, fraquinha, vindo de todas as direçes após ter viajado por 13 bilhões de anos.
Bem, livre daquele calor todo, as partículas (prótons e elétrons, na maioria) puderam se integrar nos primeiros átomos.
Mais de 99% deles eram de hidrogênio (um próton e um elétron - o mais simples possível). O outro 1% quase todo de Hélio.
Em termos moleculares, existe muito pouco que se pode fazer com hidrogênio. No mais, uma ligação covalente entre dois átomos gerando H2 que é o hidrogênio gasoso que existe na Terra. O Hélio simplesmente não se combina molecularmente com nada - nem com o próprio Hélio.
Ou seja; se a coisa fosse estática, moléculas complexas de átomos mais pesados simplesmente nao existiriam. Mas não são estáticas.
Os átomos se aproximaram sob a força da gravidade e, quando geraram uma massa suficientemente grande, o núcleo desta bola começou a esquentar demais sob tanta pressão, iniciando um processo de fusão atômica: os átomos de hidrogênio se combinaram entre si e formaram Hélio, e muita energia.
É o que chamamos de estrela. E é como funciona também a bomba H.
Depois de bilhões de anos (ou milhões, depende do tamanho da estrela - quanto maior, mais rápida a coisa acontece) o hidrogênio do núcleo está quase todo transformado em hélio.
Hélio também se funde, mas para isso, precisa de mais calor, e mais pressão. A estrela colapsa um pouco mais e inicia o processo de fusão de Hélio. A estrela velha, incha pela tremenda pressão da fusão de hélio que vem de dentro e vira o que se chama “Gigante Vermelha”. Gera carbono, oxigênio e outros átomos mais pesados dentro do núcleo.
Making a long story short, quando acaba de vez qualquer chance de gerar fusão de átomos mais pesados ainda dentro do núcleo, a estrela morre. O que vai acontecer com ela depois disso, depende do seu tamanho: se for do tamanho do Sol, simplesmente vai apagando aos poucos, como uma bola incandescente que esfria com o tempo. Se for 5x ou maior, ela não aguenta o próprio peso sem ter uma pressão vinda de dentro, e simplesmente desaba.
Este desabar é tão rápido, tão cataclísmico que gera uma quantidade indecente de calor e energia. Átomos super pesados têm a chance de serem criados neste pequeno instante. E logo depois, a coisa toda explode no que se chama “Supernova”, e tudo vai, literalmente, para o espaço.
Isso significa que neste momento, na história do universo, todo o átomo mais pesado que o hélio, provavelmente se formou no núcleo de uma estrela.
Nós somos formados por átomos de varios tipos, incluindo aqui o hidrogênio, carbono, cálcio, fósforo, sódio e até ferro. Todos eles (fora o hidrogênio) foram criados dentro do núcleo de uma estrela, e chegaram até a nuvem que criou o sistema solar ejetados de uma explosão cataclísmica que selou a vida da estrela criadora.
Somos, portanto, eu, vocês, o Hugo Chaves, a Terra e a Lua, feitos de cinzas de uma gigante estrela morta há mais de 5 bilhões de anos.


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