1.12.07

Marion


"Será que a gente é louca, ou lúcida,
quando quer que tudo vire música?"

Parece inacreditável que ela tenha chegado em casa depois de tudo. Se pegou carona com um unicórnio ou um cometa, ninguém sabe. O fato é que flutuava, suspensa por linhas invisíveis aos olhos cegos de pecados. Parecia um anjo, mas alguns diziam que era um fantasma. Nunca mais foi a mesma, tinha metade da alma, um arremedo de corpo e suspiros cortados por soluços.
Metade triste, metade feliz.

"Eu dizia 'Apareça'
Quando apareceu
Não esperava
Um dia me beijou e disse:
'Não me esqueça'
Foi embora
e só esqueci metade..."

Parece inacreditável que ele nunca mais tenha saído de casa depois de tudo. Se ficou com medo ou em êxtase, ninguém sabe. O fato é que derretia, puxado por linhas invisíveis aos olhos cegos de crenças. Parecia uma nuvem, mas alguns diziam que era fumaça. Nunca mais foi o mesmo, tinha metade do corpo, um arremedo de alma e soluços cortados por suspiros.
Metade amargo, metade doce.

"Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci"

Parece inacreditável que eles andem juntos. Se unem as mãos ou os medos, ninguém sabe. Ele derrete enquanto ela flutua, guiados por linhas invisíveis aos olhos cegos de linearidade. Pareciam anjos em nuvens, mas alguns diziam que eram fantasmas em fumaça. Nunca mais foram os mesmos, mas são corpo e alma, e suspiram e soluçam.
É amarga a tristeza e doce a felicidade.

"Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Marion! Marion...É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!..."


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Créditos: Bagatelas, Roberto Frejat / Antônio Cícero.
Olhos nos olhos, Chico Buarque.
Boa Noite, Castro Alves em Espumas Flutuantes.

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