17.12.07

A perda do senso crítico


Ontem fui fazer um programa típico de amiga: Assistir à uma apresentação de dança de final de ano. E ela tinha que ser, e é, muito amiga mesmo, para que eu conseguisse aguentar duas horas de extensa programação, e vê-la se apresentar na antepenúltima coreografia.
A amiga em questão faz dança contemporânea e a apresentação dela foi belíssima,valeu a pena ter visto.
Tirando o fato de que era no Teatro Municipal de Niterói, absolutamente deslumbrante, e que me perdi alguns minutos reparando nos detalhes dos ornamentos dourados e detalhados do teto, o resto do espetáculo eu passei pensando, entre uma olhadela fingida e outra, no senso crítico coletivo.
Quando se é criança, o senso crítico é meio nulo. Na verdade, quando descobrimos o que é errado ainda não temos vergonha por fazê-lo. Apenas medo de um castigo.
Quando se é adolescente o senso crítico é meio maleável. Vira o tal do semancol. O nível de crítica pessoal varia muito se estamos ou não a fim do menino da sala, e pode ser cruel quando se é o esquisito em busca de um grupo.
Quando viramos adultos o senso crítico fica mais apurado, ou mais fingido. A sociedade nos impute o que é vergonhoso ou aceitável.
Agora, quando viramos pais, o senso crítico conquistado ao longo dos anos, no que se refere aos filhos, vai todo por água abaixo...
Que o digam as palminhas, os gritinhos e os milhões de flashs histérico-entusiasmados para aquelas criaturinhas mostrengas de seus cinco anos no máximo, todas empetecadas e dançando desconjuntadamente ao som de uma musiquinha meio ridícula e chata.
Um verdadeiro espetáculo...

3 comentários:

clarissa disse...

Eu, como prima da menina que tava dançando, achei tudo lindo! Além da dança da Helena, claro, as das criancinhas empetecadas como as que vc falou! Fazendo tudo cada uma a seu ritmo. hahahaha Engraçadíssimas numa roupinha toda colorida que as fazia parecer bonequinhas. E eu, que nem era parente delas, achei lindo. Viu, acho que já tenho um espírito de mãe! hahaha

Sergio Leo disse...

Sofri muito isso, ter de aturr todas aquelas crianças despreparadas até aparecer o espetáculo deslumbrante protagonizado por meus filhos... Agora a vingança é minha: selecionaram um projeto de instalação que eu e uns amigos da UnB apresentamos para exibir no Espaço Piloto, a galeria do Instituto de Artes da própria UnB (http://www.mapadasartes.com.br/setoresnn.php?sal=1&sid=115 ). Os filhos terão de ir. E você, como prima querida, sinta-se convidada/convocada para visitar a capital e ver também, imagino que a exposição será lá por março do ano que vem...

Nat disse...

Cla, querida, eu também tenho espírito de mãe. Só espero que seja um pouco mais crítica do que os que eu vi ontem.

hahahahaha Serginho, boa. Mas se vc fosse dançar ia ser mais divertido ;- ) Vou tentar ir, aliás estou te devendo uma visita sempre né? Vou me esforçar.