21.1.08

Computador Portátil

Ainda da série "A origem de todas as coisas"

Quem inventou o primeiro computador portátil, que se chamaria laptop e depois notebook, foi o Zé Adam Osborne.
Estávamos no ano de 1982. O Zé aparentemente era um cara comum. Mas o Zé tinha um problema muito sério, uma doença rara chamada Intestinuns Preguiçulosuns.
Uma pessoa com intestinuns preguiçulosuns sofre muito. O médico recomendou ao Zé que ele ajudasse seu intestino a cumprir suas funções diárias ficando o máximo de tempo possível em cima da privada.
O Zé então muniu-se de almofadinha vazada no meio, várias garrafas de dois litros de coca-cola, uma TV, um rádio, umas revistas, muitos livros e a Maria, e resolveu se mudar para o banheiro.
A Maria no começo não gostou muito, mas logo se acostumou. Foi dela a idéia de colocar uma rede num lado e uma cama do outro. Logo tiveram que quebrar umas paredes e o banheiro do Zé acabou virando o apartamento inteiro, com sofá, microondas, fogão e geladeira.
No início as visitas estranhavam um pouco, era muita intimidade ficar vendo o Zé peladão em cima da privada, mas depois de um tempo todos se acostumaram.
A vida do Zé estava muito confortável até a Maria resolver fazer intercâmbio na Nova Zelândia. O Zé tentou demovê-la da idéia, mas a Maria tinha aprendido com o Jaca Palladium que tudo acontecia na Nova Zelândia, então era pra lá que ela tinha que ir.
O Zé logo caiu em depressão, e mesmo as visitas mensais do carteiro trazendo notícias da Maria não o animavam mais. Precisava vê-la, ouvi-la. Foi aí que o Zé ouviu falar do Skype. Pegou o telefone e encomendou um computador. Mandou fazer uma mesinha baixa ao lado da privada e instalou lá a bugiganga eletrônica.
Passava a noite toda conversando com a Maria, curvado para a frente, olhando aqueles belos olhos agora tão distantes.
Foi aí que o Zé descobriu que estava com outra doença seríssima: Lordosuns Irrecuperaviuns...
O médico proibiu o Zé de ficar debruçado em frente ao computador, senão correria o risco de jamais voltar a posição semi-erectus a que já estava tão acostumado.
O Zé obedeceu, mas caiu prostrado na privada. A depressão o consumia. Estava dez quilos mais magro, não queria comer mais, nem tomar a sua coca-cola. O cafezinho com o cigarro de manhã já não o animava. Com a falta de comida, seu intestinuns preguiçulosuns se tornou extra-preguiçulosuns. O Zé estava condenado à morte se continuasse assim.
Foi aí que ele teve uma brilhante idéia, encomendou um curso de eletrônica pelos Correios, estudou dias e noites e meses até que conseguiu criar um computador que coubesse no seu colo, e lhe deu o nome de Osborne I.
O Zé ficou rico com a invenção. Se livrou do intestinuns preguiçulosuns quando descobriu que caviar lhe dava dor de barriga. Faz fisioterapia todos os dias pra conseguir ficar em pé novamente. Se mudou para uma mansão enorme, com mais de vinte quartos e só um banheiro. Ficou com trauma.
E a Maria? Bem, enquanto o Zé estudava eletrônica, a Maria descobriu que a vida era mais que um banheiro, se casou com um neozelandês e virou instrutora de bungee-jump.

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