31.1.08

Maktub

os caminhos da vida nem sempre valem a pena

eu poderia pensar que somente

duas escolhas nos separam pra sempre.

duas escolhas ou dois caminhos

mas duas escolhas que se dividem

em muito mais do que dois caminhos

que se dividem ainda muito mais do que em

duas escolhas.

e então no final, somos separados

por dois elevado à quinquagésima potência.

é um fator matemático muito grande

pra não se levar em conta.

é que nem imaginar contrariar a grande regra

absoluta de que arianos não devem se

relacionar com leoninos.

e realmente não devem...

e ainda se formos pensar no lado

não prático da vida,

teremos enfim a gama infinita

de possibilidades da emoção

daquelas palavras que já foram ouvidas

e repetidas, e rejeitadas

veementemente pelos ouvidos...

essas palavras que não podem

vir por uma outra boca,

(ele não vai dizer isso...)

dessa vez tão linda

meu deus, é castigo...

ouvir a mesma coisa por anos a fio...

mas ele não diz nada

não, não é possível.

melhor tapar os ouvidos

e deixar os olhos abertos

esses sim, não rejeitam nada.

e como não ler as coisas belas,

serão sinceras? serão singelas?

o bom é que os ouvidos

já estão tapados...

porque a diferença entre o que se lê

e o que se ouve é sutil,

puta que o pariu,

porque afinal, maktub -

está tudo escrito.

ele é um filho da puta

normal , vai passar...

como diria drummond,

tudo passa!

só não passa ingrácia,

a sua graça...

Um comentário:

Fred disse...

As vezes para mim é muito chato falar certas coisas, porque as visões novas das coisas que passaram, tem cores diferentes da hora em que se passou.

São cores que vem com a idade.

Mas vou te falar mesmo assim:

Eu hoje vejo tudo de bom e tudo de ruim que me aconteceu, como uma benção de vida.
Como o conhecimento da realidade humana.

Eu não procuro mais absorver os fatos, se o fato é bom ou ruim.

Procuro ver a causa do fato ter acontecido.

E armazenar a realidade e se possível passá-la para outros, como forma de evolução cultural.

Beijos