22.1.08

O Vazio e a Vontade

"O que foi não mais existe; existe exatamente tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo que existe, no próximo momento, já foi. Conseqüentemente, algo pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, é superior a algo importante pertencente ao passado; isso porque o primeiro é uma realidade, e está para o último como algo está para nada." O Vazio da Existência, Schopenhauer.

Não sei quando me dei conta do vazio, onde antes era só vontade. Nem sei quando comecei a procurá-lo, se foi com Buda ou com Schopenhauer...

Nem posso dizer que sempre acreditei que a realidade absoluta seriam a vontade e o vazio, para mim bastava a vontade ser o motor das nossas vidas e permitir-se ser vista e experimentada através da consciência. Sempre achei coerente, embora nunca tenha podido acreditar em algo que nunca vivi. São Tomé sou eu, e este eu nunca tinha vivido o vazio. Mas agora estou aprendendo a conviver com ele.

É como acordar mais leve, sonhar mais tranquilo, viver mais alegre. Quando você vai se questionar o que há por dentro, não há nada. E é esse o ponto. O nada, o vazio.

A realidade, o presente, como dito aí em cima, é infinitamente superior a algo do passado. Mas como dói se dar conta disso...

Nunca consegui apagar o passado propositalmente. Nunca consegui esquecer e superar paixões e desejos do Maya para chegar ao Nirvana. Nunca consegui não viver sem me preocupar com a ilusão que é este mundo e me permitir repudiá-lo, como se de fato não existisse ou não devesse ter importância. Mas um dia simplesmente me olhei e vi que nada do que tinha sido pesava mais.

Não sei como é não ter apego aos desejos e paixões. Não sei como é não me iludir com uma ilusão. Não sei como é andar pra frente com uma sensação de anos perdidos. Só sei que a vontade de superá-los, e não de revivê-los, acaba nos movendo.

A vontade gera o vazio que gera a vontade, e assim caminho eu. Pela primeira vez intercalada.

E livre.

2 comentários:

rafael disse...

Ok, só existe o que existe. Já aprendemos que a metafísica é só uma conseqüência de estar mal disposto.

Ricardo C. disse...

Nat, não me dê trabalho (risos!!). Hoje tenho trabalho chato, por isso não darei conta de conversar sobre as tuas considerações (bastante interessantes!) a respeito do vazio, dos desejos e cia...
Mas adianto que gostei bastante das tuas reflexões, justo por serem bem mais do que os costumeiros e confortáveis resumos dos autores citados (e das doutrinas filosófico-religiosas por trás de alguns deles).
Bjs