9.1.08

Quantos Janeiros?


Janeiros

Já passaram dias inteiros
Janeiros
Calendário que nunca chega ao fim
Início sim
E só recomeçar

Roberta Sá e Pedro Luis


Te escrevo mais um janeiro. É confuso passar tantos janeiros escrevendo e tantos outros que virão tendo que agüentar essa melancolia que cai sobre mim como chuva de verão. Misturando na mesma água, minhas memórias – boas! ruins! – aos meus planos de futuro. Pensar em você é escrever. É um rito pretérito que deus ou o diabo impuseram a mim há muitas encarnações ( se é que existe tal coisa ), e a um ou outro imploro que não me retire das costas essa penitência ou dádiva, sei lá.

Te escrevo mais um janeiro. Melancólico sim, posto que essa é a minha e a sua natureza. E disso não podemos e acho que nem queremos fugir. Melancolia sem dor. Que a dor foi curada pelo câncer do tempo. Sem falar que fomos felizes em nos unirmos num janeiro, que logo vem a festa do Momo e aquele gordo filho da puta, com sua música uterina e seu vinho de biles, abafa todo pranto.

Te escrevo mais um janeiro. E a ele levanto um brinde de alvíssaras. Convido a todos que se embebedem de cerveja e vodka, coca-cola com gelo SEM limão pra arrematar. E ordeno ao "timoneiro" que rume direto para a lua, seja ela cheia de tesão, ou sorridente como o gato de Alice. Procure a lua que é que, mesmo inconstante e zombeteira, é nossa maior confidente e avise a ela, que mesmo depois de tudo, eu te escrevi mais um janeiro.

Seu, ( seja como for )

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Meu, seja como for,

Procurarei a lua sim, mas para dizer que não me escreverás mais um janeiro. Seguiste teu rumo, assim como segui o meu, e só as boas lembranças permaneceram.

Há muito que perdi minha melancolia. Não tenho mais a capacidade de olhar para o céu e me perder em pensamentos passados. Acho que fui morrendo aos poucos nestes muitos janeiros idos. Mas não lamento. Não foram perdas, e sim reformas.

Nosso amor sempre foi mais um conjunto de palavras do que de ações. É natural que depois de tanto tempo eu ainda esteja aqui, escrevendo pra você. Talvez eu e você ainda o façamos muitas vezes mais, mas só nos janeiros da vida, que trazem para nós um relicário de alegrias, e também de dores.

O timoneiro do nosso barco de sonhos nos levou a lugares nunca antes imaginados, e que jamais visitaremos novamente sem carregarmos um ao outro junto. Numa dessas visitas lembrarás de mim, escreverás meia dúzia de sensações disfarçadas em frases, e eu te entenderei. E te amarei ainda mais.

Ou pelo menos por mais um janeiro...

4 comentários:

Ligia disse...

Lindo, Natalia!

Sérgio Inácio disse...

Gostei muito. Parabéns.

Nat disse...

Ligia querida, e Sérgio, muito obrigada pelos comentários de vocês.

Beijos,
Nat

renata disse...

NOSSA PARABÉNS FICOU MUITO BOM !!!