5.1.08

Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar...

Estávamos cantando e dançando, animados, comemorando os sessenta anos de um primo, quando de repente eu vejo algumas pessoas chorando. Palavras são dispensáveis nesta hora, e logo todo mundo já tinha percebido que a notícia não era boa.
As lágrimas encheram meus olhos, mas não chegaram a cair, arrumei duas pequenas que de mim precisavam, e com a desculpa de botá-las pra dormir, deitei na rede e me deixei balançar com elas até cairmos no sono. Melhor do que dizer aquelas palavras de consolo que nem você acredita mais serem certas, enquanto o que se quer dizer, embora pareça duro, é que essas coisas acontecem para nos mostrar que a vida é curta. Muito curta, e é urgente aprender a viver melhor.
Véspera de reveillon é um dia anormalmente bom. O hábito nos fez reservar esse dia para invadir a cabeça com projetos e pensamentos positivos. Planos para 365 dias de prazer. Mas a hora da morte, dos outros, é hora de egoísmo, independente se é virada do ano ou não.
Uma tia minha, já idosa, quando ouviu que sua irmã tinha morrido sozinha em casa, só conseguiu pensar que não a deixariam mais desacompanhada. Uma outra tia só conseguiu pensar que se doía tanto esta pessoa, como seria com aquela, a quem ela amava mais?
Eu não consigo me lembrar o que pensei na hora. Só sei que fui dormir com a mesma sensação que tive há uns anos atrás, quando fui sacar dinheiro num banco ainda todo estilhaçado de um assalto ocorrido minutos antes:
O cenário era desolador, mas eu me senti no lugar mais seguro do mundo.

Um comentário:

Fred disse...

Realidades humanas.
Nesta algo que de vez em quando me preocupa, ja que perto estou.
Engraçado....
Mas não ligo tanto.
Beijos