28.2.08

Por que não?

_ Cara, minha vida é um livro aberto, não há ocultação de provas. O mundo tá cheio de gente com o rabo preso.

_ Opa, quero ficar com o rabo preso também...

_ Se continuar assim, eu corto tua cerveja, você é perigosa...

_ Opa, obrigada. Considero isso um altíssimo elogio!

_ Só pensa em sexo.

_ Meu caro, não é SÓ, e sim TAMBÉM. O resto do mundo é que pensa muito pouco em sexo. Eu adoro um chopp, um ótimo papo, daqueles instigantes, reveladores e por isso mesmo, excitantes. Mas se ele puder terminar num sexo saudável e produtivo entre duas pessoas que se curtem e sabem se divertir, por que não?

Mais...

27.2.08

Aliciante


aliciar
do Lat. *alliciare por alicere

v. tr., atrair a si com promessas enganosas;
seduzir;
subornar;
induzir a actos de rebeldia.

"Toma a minha pele
Recebe todo o meu desejo
Mas não me queiras dar nada
Tira-me sim este calor que me queima por dentro
E esta vontade incessante que tenho de ti"

Madalena Palma

Mais...

24.2.08

Carne de Segunda...

... porque gente como eu se alimenta de cérebros.

"A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE.

Sou anarquista diferente das correntes políticas; posso prever, eventualmente, um substituto para a qualidade espiritual que desapareceu da vida da maioria dos homens, já que as religiões tradicionais perderam seu ímpeto e sua credibilidade.

Existe o "entraram numa" de que o governo é uma necessidade na organização da vida social. O patrão, o padre e o professor nos "ensinam" que o governo é necessário. Se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, vamos entender como o preceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo foi estabelecido.

O serviço militar obrigatório destrói todos os benefícios que o sistema deveria defender. Resistência ao serviço militar.

Como podemos viver sem o Estado? Sem o governo sobre o cidadão?

_ Tudo tem o seu lugar marcado na "cadeia da vida", e se seguíssemos a própria natureza tudo acabaria bem. Mas se qualquer espécie rompesse a cadeia, afastando-se da natureza, sobreviria o desastre.

O homem nasceu livre mas em toda parte eu o vejo acorrentado."

Raul Seixas

Mais...

O que sobrou do Céu?


Marcelo Yuka, brilhantemente interpretado por Fred Martins.

Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia

Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal

O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina

Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá

Mais...

23.2.08

The Piña Colada Song


Escape (the Piña Colada Song)
Rupert Holmes

Uma amiga um dia me perguntou o que eu colocaria num anúncio, caso o fizesse.
Não sei. O que eu tenho certeza é que não conseguiria resumir o que me faz "anunciável" assim em poucas linhas.

Mas, caso conseguisse, poderia ser algo assim:

Se você ama coca-cola
e toma dois litros todo dia
Se você só acorda depois das nove
da noite, e dá um grito de bom dia
se você fecha os olhos
e morde a boca quando ouve Janis
Se você vai toda sexta a um motel
e mesmo sem sexo fica feliz
Se você recita Drummond
todo dia antes de dormir
Eu sou o amor que você procura
Me escreva pra depois fugir

---

Gostaria muito de saber dos meus leitores o que os torna "anunciáveis". O que vocês têm de especial que faria com que seus anúncios fossem respondidos?
Vamos lá, cacholas a todo vapor ;- )

Mais...

A Casa da Paixão

"Da terra, Marta escolhia qualquer recanto. Fechava os olhos, tropeçando contra pedras, galhos livres, perdendo às vezes a esperança. Até não suportar o próprio suor e exclamava:

_ Aqui conhecerei o repouso.

Amava o sol, sob sua luz imitava lagarto, passividade que os da própria casa jamais compreenderam, parecendo-lhes proibido que se amasse tanto o que ninguém jamais amara tão devotada. Mal se sentava, as pernas abriam-se escorregadias sobre o solo, exigindo o esforço da pele ressentida, extraía da areia, da grama, o que fosse - sua aspereza. Dava-lhe gosto olhar as pernas escancaradas sem que o homem ocupasse suas coxas, a obrigasse tombar sentindo mágicas contrações. O exercício de usufruir alguma coisa próxima ao prazer distinguia-a. O sol como que amorenava a pele e aquela dor intuída desde menina deixava-a perplexa, vinha. Pela identidade que descobriu e a certeza de evoluir sempre que se entregasse exaltada à sua paixão. A ardência e sua jornada de dor tomando-lhe os dedos dos pés primeiro, uma delicadeza de sombra. De tal modo que chegava a pensar se não era frio o que sentia então. Até que avançando o calor pelas pernas afora, a cada pele palmilhava, e bem valente, parecia-lhe absurdo que o precipício para tantas andanças viesse a ser o próprio sexo, dourado e suas penugens trevas projetadas para a frente, como lhe ordenavam os mandamentos.

Proclamava: o triunfo do sol, e tombou colorida, pele de ardências na grama, não era o gozo exatamente que palpitava o corpo, certa luz poderosa obrigando a cerrar os olhos, sob a ameaça da cegueira. para que pudesse e sempre enxergar objetos a que indicasse nomes, folhas, frutas, e as mastigaria galgando árvores, algumas arrancando com a boca, através da mordida simples avaliando o império da sua mandíbula nervosa trabalhando a fruta, e a deixaria perdida na árvore, com sua ferida aberta - era sim a descoberta do nascimento, uma longa visita ao útero da terra, seu sexo, como que o ungindo.

... Apenas seu corpo conhecia a estranha exaltação, pertencer aos adoradores do sol. Sempre inventara atrativos, ainda que a própria mão jamais escavasse o sexo em busca dos canais nobres, lábios minúsculos entreabertos expondo o grão maior, do qual partiam ondas sonoras, zonas de detecção proibida.

Seus dedos mágicos trabalhavam em torno apenas e nos momentos penosos consentiu, por misericórdia e fidelidade ao sol, que os dedos, imitando garras, se ampliassem cobrindo-lhe o sexo como o tecido branco do casulo. Exijo coragem e natureza consente. Sem a imagem, cederia a qualquer galho, consentindo a ruptura desleal. Deixava então que a proteção bendisesse a sua casa, chamava de casa ao recanto difícil, impregnado de líquidos, também águas de um rio chinês.

Imaginava o homem auscultando o seu corpo. Primeiro a boca, seus outros instrumentos haveriam de trabalhar com a precisão da agulha injetando alento nas artérias. Não o queria ainda, antes devia selecioná-lo livre, também ela o peixe que se alimentava da agonia de sua raça.

Sempre se destinou às raízes do homem. Às mais profundas, acrescentava sem pressa. Teimosia estimulando as manhãs, ao levantar-se. Cederia sim, antes a resistência, e sorria compadecida, sua promessa de selvagem. Os adventos."

Nélida Píñon

Mais...

Procura-se um Pai pros meus filhos...

Eu tô ficando velha. Muitos dirão que eu surtei. Eu surtei, claro, mas continuo me sentindo uma velha.

Parafraseando a Pitty, do seriado Sob Nova Direção, eu já tenho 25, quase 26. Até arranjar um namorado, 27. Até noivar (só se ele fizer questão), 29. Até casar, 30. Até ter o primeiro filho, 32, no mínimo. O segundo lá pelos 35.

E meu útero tem me dado avisos periódicos de que isso é o máximo de tempo que ele irá aguentar.

Meu medo é virar uma daquelas mulheres sentadas nos balcões dos bares em que os homens chegam e perguntam "Tudo bem?", ao que elas prontamente respondem "Ficará tudo bem se você quiser ter filhos..."

O certo é que, independente de qualquer outra coisa, relacionamentos anteriores nos deixam cada vez mais elitistas em relação ao próximo. E, no meu caso, a coisa tende a ficar preocupante, pois vou olhar pros caras e imaginá-los numa casa enorme jogando futebol no quintal com meus filhos. Nossos, no caso.

O bom é que, tal como acontece na concepção machista dos homens, continuam existindo os pra casar e os pra se divertir. Como diz aquele velho e útil ditado, enquanto não acho o certo me divirto com os errados.

Mas, como nada na vida é perfeito, quanto mais o tempo passa, mas isso vai perder a graça. Agora já consigo até imaginar um homem me fazendo a maior declaração de amor que ele poderia:

_ Eu quero ser o pai dos teus filhos!

E para que essa frase continue tendo esse plural aí no final, é melhor que seja logo...

Mais...

20.2.08

Museu do Sexo Brasileiro

Existem vários Museus do Sexo pelo mundo.

Museu de Arte Erótica de Copenhagem; Erotic Art Museum Hamburg; Beate Uhse Berlin; Museu de Arte Erótica de Stockholm; Museu da Menstruação, Nova York; Museu da Antiga Cultura do Sexo da China (com uma coleção de mais de mil peças); Museu de L´Erótica de Barcelona, Barcelona (Espanha), inaugurado em 1999; Musée De L'érotisme De Paris, Paris (França) inaugurado no final de 1997; Museo Erótico De Madrid, Madrid (Espanha); Museum Of Sex MoSex, New York (USA).

Só Amsterdam tem três: Museu Erótico em Achterburgwal em Amsterdam; Sex Museum Amsterdam Venustempel inaugurado em 1985 e o Erotish Museum Amsterdam "The Art of Erotics".

O Brasil também tem o seu Museu do Sexo, só que ele é virtual. O Museu é uma idealização da Professora Carmita Abdo, que diz que " pensar sobre a sexualidade no Brasil, remete de pronto aos registros históricos da descrição dos corpos e práticas sexuais dos povos autóctones feita por Pero Vaz Caminha, aos personagens históricos portugueses que criaram clãs nas nações indígenas e à miscigenação forçada e exploradora do senhor branco da casa grande contra as negras das senzalas. Dito desta forma, a história da sexualidade no Brasil parece ser a história da repressão sexual e do domínio de raça, cultura e gênero de um povo sobre outros povos."

Provavelmente meus queridos leitores pensam como eu e não acreditarão que o Brasil, o País do Carnaval, das mulatas gostosas, das mulheres de peitos de fora, só tem um Museu do Sexo, e virtual.

E foi aí que eu cheguei... na Bahia!!!!


É claro que a Bahia não poderia deixar de ter o seu Museu do Sexo. Na verdade, ele se chama Museu da Sexualidade da Bahia, e é administrado pelo Grupo Gay da Bahia , funcionando provisoriamente na sede do grupo desde 1999. A curadoria do Museu é do historiador Marcelo Cerqueira com assessoria do Departamento de Antropologia da UFBA.

O acervo do Museu da Sexualidade da Bahia consta atualmente com mais de 500 peças, e é composto basicamente por cerâmicas eróticas do Nordeste, coleções de canecas em forma de pênis oriundas de diversas partes do mundo, terracotas provenientes do Peru e México, de
inspiração nas culturas Incáica, Asteca e Maia, esculturas em bronze e ferro da África Ocidental, porcelanas e metais da Holanda, França e outros países europeus, esculturas em metal e baixos relevos da Índia, cópias perfeitas de esculturas italianas das cidades de Pompéia e Herculano.

O objetivo do Museu é coletar, classificar e preservar as representações da cultura material e intelectual produzidas pelo homem através da cerâmica, pintura, escultura e demais objetos da
cultura popular e erudita com temática erótica, tanto no Brasil, como em outras culturas do mundo, além de fomentar a discussão sobre sexo seguro.

Endereço Provisório do
Museu da Sensualidade da Bahia
Rua Frei Vicente, n. 24 - Pelourinho/Salvador/BA

Caixa Postal 2552 - 40022-260 Salvador - BA
Fone/Fax: 71 - 322 2552

Com certeza você também deve ter ficado com pena de um acervo tão interessante como este ter um lugar ainda provisório depois de quase dez anos de funcionamento.
Mas, se o pessoal da Bahia quiser abrir uma filial lá em Canoas, no Rio Grande do Sul, eles terão uma ótima infraestrutura. É que eu tô falando do Complexo de Arte Erótica, um projeto da arquiteta Paula Posser, que pretende reunir um Museu do Sexo, um Teatro Ritual e um Restaurante Afrodisíaco com Banquete Sexual e Danceteria.











Bem, com certeza eu seria uma das frequentadoras. Mas vocês não acham estranho um Museu do Sexo justamente na terra dos gaúchos? Sem preconceito, claro, mas que ele combina muito mais com a Bahia, ah, combina...

Mais...

O Boneco de Pano

...
Conto do meu amigo Denis Fonseca

"Levado de volta a realidade pelas palavras finais de seu poema, o boneco perguntou-se mais uma vez, como poderia alcançar o chão de forma segura.

Não imaginava que fosse capaz de descer pelo lençol, pois pelo que se lembrava, nunca ouvira falar de um boneco, que fora bem sucedido em semelhante empreitada. O mesmo se dava quando pensava em escorregar por uma das pernas da cama.

Cogitou até mesmo pular, de uma só vez. Mas o medo a respeito de uma coisa desconhecida, chamada morte, lhe impedia de levar a cabo sua idéia.

Não tendo, pois, qualquer plano de como proceder, sentou-se à beira da cama, com os pés a balançar. Ansioso pra que de alguma forma, esperada ou inesperada, uma resposta aparecesse.

-Não seja covarde ! - o boneco ouviu alguém dizer. E por um momento ficou apavorado. Não havia mais ninguém a vista e ele chegou a pensar que sua própria boca houvesse falado por livre vontade.

-Vamos molenga, pule ! - bradou novamente a voz, aborrecida com o susto do boneco. E esse percebendo que sua boca não poderia ser tão mal-educada, perguntou à voz misteriosa.: -Quem está ai?


-Eu – foi a resposta. - Aqui embaixo, perto do pé da cama.

Ao voltar-se pro lugar indicado, o boneco viu uma enorme ratazana. E ela lhe pareceu extremamente feia, embora não conhecesse muitas, pra poder dizer ao certo.

-O que faz ai embaixo? - inquiriu o boneco, curioso e até satisfeito, por ter com quem conversar.

-O mesmo que você ai em cima – retorquiu o monstrengo – Absolutamente nada. E agora desça logo daí.

-Mas como eu posso descer?

-Ora, que pergunta ! Pulando é claro.

-Pulando?! - e em dúvida o boneco coçou o queixo, por um momento. - E se eu morrer?

-Nesse caso não haverá problema. - disse o rato, já um pouco irritado – O problema é se você cair, se machucar muito e continuar vivo. Dizem que dói muito.

Concluindo que o rato tinha uma parcela de razão e confiante de que não se machucaria, por ser feito de pano e algodão, o boneco pulou. E pra um primeiro salto perigoso ele aterrissou de maneira espetacular. De cabeça no chão.

Suspeitando que tivesse morrido na queda, o boneco decidiu não se mover, afinal não sabia muito bem como um morto devesse se comportar.

-Ei molenga. - esbravejou o rato, cheio de raiva por aquela demora. - Vai ficar ai por muito tempo é?

-Só enquanto eu estiver morto – disse o boneco, esforçando pra não se mover muito.

O rato bateu na testa desanimado. Nunca vira ninguém tão tonto. E já tinha visto muitos humanos por ai. Mas sentindo-se um pouco culpado por aquela situação, esclareceu:

-Você não está morto.

-E como sabe?

-Simples. Se você estivesse morto. Haveria um monte de gente por aqui, chorando o quão boa pessoa você era em vida. E quanto pior o seu caráter, mais pessoas estariam aqui.

-Isso é estranho – concluiu o boneco, decidindo que realmente não estava morto, e pondo-se de pé.

-Não é não – rebateu o rato – São as regras.

Enquanto falava, o rato ia em direção a um enorme buraco, que havia na parede. E o boneco, sentindo-se indelicado, alcançou o rato e lhe estendeu a mão:

-Muito prazer – disse ele – eu sou o boneco.

-Não, não, não, não. Está tudo errado. - xingou o rato, movimentando os braços no ar, como se ofendido enormemente por aquelas palavras - Não é assim que se faz. Você tem que seguir as regras. Eu vou te mostrar.

Deu 3 voltas ao redor do boneco, alisou os pêlos da cabeça com a mão e falou, da maneira mais pomposa possível:

-Muito prazer. Eu tenho três bolachas, duas lasquinhas de madeira e 4 restos de queijo. E você, o que tem?

O boneco tateou a procura de algo nos bolsos, mas nem bolsos tinha. Pensou, repensou e não conseguiu pensar em nada. Ao cabo de alguns minutos respondeu, vendo a impaciência nos olhos do rato:

-Eu não tenho nada.

-Nada !?! - explodiu o rato, furioso – E eu perdendo meu precioso tempo com você ! - e súbito afastou-se sem esperar por mais detalhes.

-Ah! - exclamou o boneco, feliz por lembrar-se de algo. E o rato, interessado em que podia ser, parou pra ouvir.

-Eu tenho a minha vida.

-Não conta – atalhou o rato, chateado. - vida não conta.

-E por que não conta?

-E ainda pergunta?! Vida não se hipoteca, não se aluga, nem se vende. Ou seja, não serve pra nada.

-Então não tenho nada – suspirou o boneco, diante de tantos argumentos.

O rato fitou o boneco por alguns segundos, e uma idéia estalou em sua mente.

-Já sei, já sei. Não fique triste, vou te ajudar. - E sem esperar que o boneco, ainda triste, respondesse o rato aproximou-se e de um só puxão, arrancou um dos botões que servia de olho ao boneco.

-Ei ! -berrou o boneco, tarde demais. - o que é que você está fazendo?

-Não seja resmungão – retorquiu o rato e devolveu ao boneco o olho que lhe tirara – pronto, agora você tem um botão.

-Não entendo a vantagem – disse o boneco, aborrecido – agora não tenho um olho.

-Mas você ainda é capaz de enxergar com um olho só. E poderá usar esse botão pra se tornar alguém. Vamos lá, experimente.

O boneco se sentia um pouco frustrado, um pouco desolado, um tanto desorientado, mas resolveu tentar, mesmo que só pra alegrar o rato:

-Muito prazer. Eu tenho um botão.

E o rato aplaudiu bem alto. Enquanto assobiava e corria de um lado pro outro, fazendo as vezes de uma grande plateia.

-Isso ! Isso ! - berrou satisfeito – Viva ! Ele tem um botão. É !!

Para o boneco aquilo não fazia muito sentido. E apesar da agitação do rato, tudo que ele conseguia fazer, era olhar tristemente para seu novo pertence, sem sentir que era alguém por tê-lo. Refletiu que talvez, um olho fosse pouco demais pra ser alguém.

-Eu ainda preferia ter dois olhos. -disse ele por fim.

-Como você é mal agradecido ! Ouça bem, vou te dar um último conselho, porque não estou aqui pra aturar sua ingratidão de graça e um botão não é o bastante pelos meus serviços. - e ao dizer isso o rato começou a se afastar, indo pelo buraco da parede. - Procure a terra dos cegos. Lá você poderá ser rei, e ainda terá um botão, com o qual presentear seus súditos.

Vendo que o rato caminhava depressa, e parecia disposto a ir mesmo embora, o boneco fez uma ultima pergunta:

-Como eu faço pra sair daqui?

-Passe por baixo da porta, e desça as escadas. Depois de outra porta, você estará na rua. -respondeu o rato, já fora de vista, caminhando por algum túnel escuro. - E cuidado pra não encontrar amigos mais caros do que você pode comprar com um botão.

O som dos passos do rato desapareceu rapidamente. E o boneco viu que estava novamente sozinho. Mas apesar de não conseguir explicar, sentia-se aliviado por isso."

Mais...

Enganos












Você podia me dizer,
podia me avisar.
Cansei de te esquecer.
É fácil viver assim?
Me diz se for engano,
me diz se for profano,
me diz se for ruim.
Me diga que errei.
Me coma, mas sem
dizer que não me ama,
isso eu já sei.
Me torne um instrumento
da vossa vontade,
mas não peque
ao dizer a verdade.
Não me sacio mais
com seus beijos amargos,
meros afagos de pena.
Devoro teu corpo
e nem sinto rastro de culpa
ou remorso por me iludir
Sugo a tua alma pequena
e mesmo assim ainda te sigo,
por todos os caminhos,
sem cansar.
Não vou te perseguir,
vou te acompanhar...

Mais...

19.2.08

Mosaico

Pedaços arrancados
da minha solidão
compartilhada.
Mosaico de sentimentos.
Prédio de cimento
em construção.
Pedaços arrumados
da minha vida
compartilhada.
Solitariamente
acompanhada.

Mais...

18.2.08

Eufemismo

Ah, esse diz que não diz,
esse quer que não quer.
Entrelinhas me faz mulher,
entre suspiros me faz feliz.
Devora-me em hipóteses,
em metáforas te aceito.
Pôs verbo antes do sujeito,
deu motivos para a antítese.
Aos amigos cientes do sismo,
calmamente apenas dirás:
Separamos corpos e vogais.
Como é belo o eufemismo!

Mais...

Abraço

Um olhar
Um passo

Um braço lá
Um braço cá
Quase um coito
Disfarçado

No espaço
Que não há

By Edu Pinheiro

Mais...

Carne de Segunda...

... porque gente como eu se alimenta de cérebros.



Villa-Lobos nasceu em 1887, prestes a ver o Rio de Janeiro mudar com a proclamação da República no Brasil.

As primeiras sinfonias de Villa-Lobos foram feitas de acordo com as regras postuladas por Vincent D’Indy, cuja estética era diretamente ligada à de Wagner, mas vários críticos diziam-no que só seria um compositor completo se tivesse uma ópera no repertório, o que fez em seguida, compondo Izaht. Villa-Lobos também não deixava de compor obras que utilizassem elementos da estética de Debussy, o que fazia dele um dos poucos compositores de sua época a ousarem compor uma música “moderna”como a de Debussy no Brasil.

Ao longo da déc. de 10, Villa-Lobos preocupou-se em se posicionar em relação aos músicos eruditos no Rio. A música erudita feita por ele não tinha nenhum elemento declarada ou intencionalmente nacional nesta época.

Villa-Lobos estava com problemas financeiros quando Laurinda Santos Lobo resolveu apoiar a realização de concertos das obras do compositor. Foi assim que, em 1921, se apresentou pela primeira vez com algumas peças de temática nacional.

Villa-Lobos visava o aproveitamento de suas obras nas festas do centenário da independência do Brasil. Um segundo concerto de Villa-Lobos para Laurinda chamou a atenção dos modernistas. A sua “modernidade” fez com que fosse o único compositor convidado a apresentar suas obras na Semana de Arte Moderna de São Paulo. Depois disto, amigos e admiradores de Villa-Lobos começaram a articular sua ida para Paris, completando inclusive o dinheiro necessário para tal.

Villa-Lobos chegou em Paris convicto de que faria sucesso por ser um compositor de vanguarda no cenário musical do Rio, até encontrar Jean Cocteau, integrante e principal representante da vanguarda francesa, que rechaçou sua obra. Nesta mesma época Milhaud, compositor francês, retornava do Brasil, reunindo e transcrevendo as composições brasileiras que ouvira sob uma roupagem erudita “moderna”. Milhaud afirmou que os músicos eruditos cariocas que conhecera não valorizavam a música popular do país.

A série de contatos e interações feitas por ele em Paris agiu no sentido de convencê-lo aos poucos da necessidade de sua conversão, de sua transformação em um compositor de músicas de caráter nacional. Villa-Lobos começou então a utilizar em suas composições os ritmos da música popular, com os quais já convivia, mas que não tinha incorporado em suas criações devido ao valor negativo atribuído à estética popular pelos músicos eruditos brasileiros, inclusive cantos indígenas. Assim, começou a retratar em suas composições toda uma série de representações a respeito de sua nação, desenvolvendo uma linguagem própria e inconfundível, sintetizando o panorama musical erudito europeu contemporâneo e as músicas folclóricas e populares brasileiras. Para Villa-Lobos, o encontro com Cocteau pode ser tomado como momento exemplar do início de um processo de conversão que no final o tornaria um artista brasileiro, compondo apenas músicas de caráter nacional. O projeto de Villa-Lobos para fazer uma música “brasileira” de acordo com a concepção francesa de “Brasil” foi resultante de vários atores sociais como: as opiniões de brasileiros que viviam em Paris com ele; os comentários da crítica; as reações dos artistas que o cercavam e o imaginário que lhe transmitiam a respeito do seu país. Villa-Lobos reconhecia e admirava a civilização francesa. Antes de tudo, ele reconhecia o julgamento dos parisienses como válido e legítimo.

Mais...

17.2.08

Cunnilingus

A primeira vez que ouvi a palavra Cunnilingus eu ainda era pequena, devia ter uns nove anos, e estava assistindo Hair pela primeira vez. Naquela época eu já sabia o que era masturbação, embora só tivesse descoberto o chuveirinho do banheiro anos mais tarde, mas não fazia idéia do resto. Uma vez falei para a minha mãe que fulano estava fazendo sexo e ela disse pra eu dizer que fulano estava fazendo amor que era mais bonito.

Sodomy - Hair

Fellatio
Cunnilingus
Pederasty

Father, why do these words sound so nasty?
Masturbation
Can be fun
Join the holy orgy
Kama Sutra
Everyone!

Depois de um tempo, eu aprendi o que significavam as outras palavras, e, obviamente, aprendi que fazer amor é algo muito relativo.

De todas as palavras ditas feias, a que mais me agrada é a cunilíngua. É quase tão poética quanto Bunda!

Mas, bem, sobre o ato, eu li uma vez uma transcrição muito interessante de uma escritura tântrica, a Siddha Iogis, sobre a Kâmapânacastiram, a cunilíngua tântrica, relatando os quatro estágios do sexo oral feito por um homem numa mulher, de uma forma "poética".

Resolvi colocar aqui para vocês lerem


Primeiro Estágio

Como uma vaca que lambe ternamente sua cria
estende bem a tua língua
e lambe a yoni dela,
sugando os sumos que escorrem
como um cão sedento que bebe água fria.

Segundo Estágio

Como um adorador que circunambula o santuário
passa a tua língua sobre a yoni dela,
rodeando-a em volta da esquerda para a direita,
movendo-se para o interior sempre em círculos menores
até que atinjas o verdadeiro centro.
A yoni dela se abrirá
como uma escura e escancarada fenda.
Abra,então,os lábios da vulva
com a firme pressão de tua língua
e insere sua ponta rija no interior
como um poderoso golpe de lança,
cavando,cutucando firme e mais adentro.

Terceiro Estágio

Com teu nariz precionando contra a yonimani [a jóia da vulva],
tua língua adentra o santuário mais interno dela,
golpeando,e cavando,e cutucando fundo,
procurando por tesouros ocultos no interior.
Inale profundamente,inspirando os odores adocicados
dos sumos da yoni dela.

Quarto Estágio

Toma a jóia saliente e pulsante da yoni dela,
gentil,delicadamente entre seus dentes e língua,
sugue-a como um bebê alimentando-se ao peito;
ela se erguerá e reluzirá,livrando-se de sua capa.
Ela inchará como um grande rubi.
A copiosa descarga perfumada, surgindo como uma doce espuma entre os lábios da vulva é uma bebida rejuvenescedora quando misturada com teu leitoso, branco, lustroso, grosso e perfumado esperma.

Mais...

16.2.08

Paulinho Nogueira, a Craviola e a Bachianinha número 1


Essa maravilha que vocês acabaram de ouvir foi composta por Paulinho Nogueira, brilhante músico, que, dentre outras coisas, inventou a craviola.

Confira a entrevista que o Paulinho deu ao Jorge Mello em 1995.


O que te levou à craviola?

Eu te falei do meu lado de desenhista. Então a idéia era fazer um violão personalizado, desenhado por mim. Então eu fiz uns cinco ou seis desenhos, isto em 68. Acontece que a Fábrica Giannini era bem perto aqui de casa... Então eu fui lá e apresentei os desenhos, a intenção era fazer um violão com uma forma diferente. Então quando eu mostrei, o Giannini me disse que a idéia era muito interessante... Escolhemos um desenho e ele mandou fazer. Quando ficou pronto me veio outra idéia! A mudança não podia ser somente na forma, tinha que ter alguma coisa diferente também no som. Sugeri que ,ao invés de seis cordas, se colocasse doze cordas de aço com uma afinação diferente, para não
ficar um simples violão, na forma ela é uma espécie de encontro da guitarra elétrica com o alaúde. Mas não deixa de ser um violão de doze cordas. Acabou ficando diferente pela forma e também pelo som, que é meio de cravo, meio de violão. Aí me veio de cara o nome CRAVIOLA. O Giannini então divulgou para os Estados Unidos e logo depois, a craviola começou a ser exportada para lá, para a Inglaterra e Canadá. Depois ele fez para mim um registro de inventor e combinamos os roiyalites, mas eu fiquei meio decepcionado porque estes eram de dois por cento. Embora tivesse vendido muito, o dinheiro a receber era pouco... Mas ficou o nome porque eu comecei a gravar com a craviola... Depois eu parei porque surgiu um sobrinho meu, Stênio Mendes, que se especializou no instrumento, fazendo shows e composições incríveis. Então eu fui ficando só no violão....

O Bonfá também tocava craviola?


Com o Bonfá quase surgiu um problema sério! A craviola surgiu lá nos EUA e acho que ninguém sabia que a patente era nossa. Tenho a impressão que o Bonfá foi envolvido nisso... Um dia eu abro a revista "O Cruzeiro" com duas ou três páginas sobre o Bonfá, ele na foto com uma craviola e no texto: "Bonfá vem ao Brasil lançar a sua craviola". Bem, isto foi em 74 e eu já tinha até disco gravado com a craviola e o Giannini sabia que a patente era minha, ele viu a coisa nascer... Fui então pra tudo que era jornal e televisão. Fui ao Rio duas vezes, a Curitiba... Bem, o lançamento acabou não acontecendo porque
fiz aquele barulho todo e a imprensa adorando... Tinha até uma charge minha e do Bonfá, um batendo com o violão no outro! Depois ficou tudo esclarecido, o Bonfá é um cara fino, educado e inteligente. Uma vez ele foi lá em casa e nós tocamos, ele solando e eu acompanhando. Foi uma das melhores noites que passei. E ficou nisso a craviola...

Mais...

15.2.08

Transparência

Cântico Negro
José Régio

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali... "

_ Admiro a tua coragem, sabe... Essa coisa de conhecer as pessoas pela internet me parece muito perigosa. Você não sabe nada da vida do cara.

_ Você também não conhece nada do cara com quem conversa no balcão de um bar. E mesmo assim aposto que dá seu telefone pra ele, ou até outras coisitas mais, sem se preocupar com essa de não saber da vida do cara. É a mesma coisa. A internet é como se fosse um bar, só que temático. A chance de encontrar alguém que goste das mesmas coisas que você é maior, só isso.

_ É, eu concordo, mas conhecer o cara no bar pra mim é mais legal porque pelo menos eu sei como é o corpo, a cara dele. Sei se vai rolar ou não, saca?

_ Você sabe muito bem que o físico do cara não garante que a química na cama aconteça. Não é só isso que excita uma pessoa. No meu caso, e você sabe muito bem, o que me excita é a cabeça.

_ Você tinha certeza absoluta que ia gostar dele não é?

_ Tinha sim. O que me importa é o cérebro, e neste caso, quando eu decido conhecer alguém pessoalmente, dificilmente irei me arrepender. O físico conta, claro, mas a alquimia em mim não parte dele.

_ Mas é sempre bom o cara ter uma bunda gostosa (risos...) E aí, me conta, o que mais gostou nele?

_ Os olhos.

_ Ah, é, eu vi a foto, duas balebas azuis fenomenais.

_ Não, não. Não estou falando por causa da cor, formato, tamanho dos cílios, nada disso. É a verdade que existe neles que eu acho linda.

Mais...

Música de Sexta

Composta como marcha de carnaval, "Malmequer", ficou em terceiro lugar no concurso de marchinhas em 1940, julgada por Pixinguinha e Villa-Lobos (de quem recebeu um voto), entre outros. Em segundo lugar ficou "Pele Vermelha" (de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e a campeã foi "Dama das Camélias".


Malmequer
(Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira)
Cantada pelo Aquarela Carioca e Ney Matogrosso

Eu perguntei ao malmequer
Se meu bem ainda me quer
E ele então me respondeu que não
Chorei, mas depois eu me lembrei
Que a flor também é uma mulher
Que nunca teve coração.
A flor mulher
Iludiu meu coração
Mas meu amor
É uma flor ainda em botão
O seu olhar diz que ela me quer bem
O seu amor é só meu, de mais ninguém
De mais ninguém.

Ouça a música:

Mais...

14.2.08

Trans borda ar

Abre a porta com cuidado. Sabe que qualquer descuido é capaz de derramar o líquido do copo. O pessimista diria que encheu além da conta, o otimista diria que sempre dá pra beber um pouco e encher mais. Ela diria que não aguenta mais nem um gole, senão vai explodir.
Que se foda! Tem vontade de gritar... Tirar aquela porra do peito e jogar no chão e deixar lá esparramada pra quem quiser se afogar nela.
Você inventou esta história, agora aguente.
Ou então trate de reescrevê-la.

Mais...

13.2.08

O ângulo certo












Mais...

Demian

Para a Gwyn

"Todos temos origens comuns: as mães; todos proviemos do mesmo abismo, mas cada um - resultado de uma tentativa ou de um impulso inicial - tende ao seu próprio fim. Assim é que podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se..."

Herman Hesse


"São muitos os caminhos pelos quais Deus pode nos conduzir à solidão e levar-nos a nós mesmos. Por um desses caminhos conduziu-me então. Foi como um sonho mau. Vejo-me avançar desassossegado e ansioso, como um homem atormentado por um pesadelo, através de longas noites de bebedeira e de cinismo, por um caminho odiento e sujo, coberto de bebida. Há sonhos assim em que, ao seguirmos em direção ao palácio da Princesa Encantada, afundamo-nos de repente num lodaçal ou seguimos por uma ruela imunda e pestilenta. Tal foi o que me ocorreu e tal foi o processo nada belo que me estava destinado seguir para chegar à solidão e interpor entre o paraíso de minha infância e eu, uma porta hermética, defendida por dois resplandecentes guardiães implacáveis.
Quanto a mim, me sentia sem cuidados. Mantinha à minha maneira, tão singular quanto pouco atrativa - com bebedeira e jogo - a luta contra o mundo: era minha forma de protesto. Mas com ela me aniquilava, e ao perceber isso equacionava às vezes a questão nos seguintes termos: 'Se o mundo não podia utilizar homens como eu, se não tinha para mim nenhum lugar melhor nem podia arranjar-me uma função mais alta, então não me restava outro caminho senão o aniquilamento. Pior para o mundo'"

Mais...

11.2.08

Carne de Segunda...

... porque gente como eu se alimenta de cérebros.

"O falso e infeliz conceito de que o homem seja uma unidade duradoura já é conhecido pelo senhor. Também já sabe que o homem é formado por um número incalculável de almas, por uma multidão de egos. Dividir a unidade aparente do indivíduo nessas numerosas figuras é algo que passa por loucura; a ciência encontrou para esse fenômeno a designação de esquizofrenia. A ciência está certa, até certo ponto, quando afirma que nenhuma pluralidade pode conduzir-se sem uma direção, sem uma certa ordem a agrupamento. Mas, por outro lado, não tem razão ao imaginar ser possível somente uma ordenação única, encadeadora, perpétua, para a multiplicidade dos egos subornidados. Esse erro da ciência acarreta consequências desagradáveis; sua única vantagem reside na simplificação do trabalho dos mestres e dos educadores a serviço do Estado, poupando-lhes os trabalhos do pensamento e da experimentação. Em consequência desse erro, muitos homens que passam por "normais", e até por valiosos membros da sociedade, são loucos incuráveis, e, por outro lado, muitos que passam por loucos são verdadeiros gênios. Por isso é que completamos aqui a imperfeita psicologia da ciência com o conceito a que denominamos a edificação da alma. Aqui demonstramos aos que experimentaram a destruição de seu próprio eu que podem a qualquer instante reordenar os fragmentos e com isso conseguir uma variedade infinita no jogo da vida. Assim como o dramaturgo cria um drama a partir de um punhado de personagens, assim construímos, com as peças de nosso eu despedaçado, novos grupos com novos jogos e atrações, com situações eternamente novas."

Herman Hesse - O Lobo da Estepe

Mais...

Papo Cabeça

_ Cara, juntei um dinheiro legal ano passado, mas não sei se faço uma plástica e lipo ou se vou naquele curso na Espanha.

_ Amiga, fala sério... É muito simples. Se você for pra Espanha, estará automaticamente abrindo mão da plástica. Agora, veja bem, se você fizer a plástica e a lipo, suas chances de arrumar outros meios de patrocinar sua viagem pra Espanha aumentam consideravelmente...

Mais...

10.2.08

Coisas que você não pode morrer sem saber...

Helen Mirren ganhou pela segunda vez o prêmio de Mulher mais sexy do mundo (acima dos 50, claro). A sessentona (62) está com a bola toda e com tudo em cima, basta vê-la aí ao lado.

Em segundo lugar ficou Sophia Loren, seguida de Meryl Streep, Dame Judi Dench e Diane Keaton






Gostou da Maria Isabel? Pois se você gosta de um churrasquinho no final de semana ou curte uma picanha com aquela camadinha de gordura para dar o toque final, quem sabe um frango a passarinho com cerveja, um peixinho numa praia deserta, pode esquecer a moça.

Maria Isabel, uma colombiana moradora do Canadá, é uma das dezesseis finalistas do concurso A Vegetariana mais Sexy do Mundo.

Se você já está pretendendo virar um Vega para conquistar a bonitona, compre seu kit de iniciante, aqui! Ah, claro, passa lá pra dar um votinho pra Maria também...

A nova temporada de Desperate Housewives estréia nesta quarta, dia 13, às 22h, no Sony. Para quem gosta da série, a quarta temporada promete. Circulou um boato (ou jogada de marketing) de que David Beckham faria um casal gay junto com o Robbie Williams. O certo mesmo é que haverá um casal gay em Wisteria Lane, mas será interpretado pelo Tuc Watkins e pelo Kevin Rahm.
A coisa promete esquentar.


O belíssimo e imperdível filme Juno foi indicado ao Oscar. O filme é mais conhecido pela alcunha "filme escrito por uma stripper-blogueira", que aliás, faz aniversário em Junho.
Brook Busey, ou Diablo Cody, é um fenômeno como escritora, seu livro Candy Girl foi um estouro de vendas. Mas, justiça seja feita, o blog dela já era muito famoso antes de convidarem-na para escrever roteiros de Hollywood, eu era uma das que a visitavam frequentemente, inclusive.
Se quiser conferir a Diablo antes da fama, visitem-na.
O primeiro blog dela era http://pussyranch.blogspot.com/, com detalhes sarcásticos da vida dela como stripper, mas ela cancelou-o-o.
Aí, partiu para este,
Depois ela retornou ao Blogger, neste aqui.
E, finalmente, (provavelmente já patrocinada), este aqui.

Mais...

9.2.08

Imagens que falam e palavras que mostram...

Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Receita de Mulher - Vinícius de Moraes


Oh! quem pintara o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios?
Seio de Virgem - Álvares de Azevedo









Morena, minha Morena,
És bela, mas não tens pena
De quem morre de paixão!
– Tu vendes flores singelas
E guardas as flores belas,
As rosas do coração?!...

Moreninha - Casimiro de Abreu



Aqui – oh quantas vezes!... eu a tive
Em acessos de amor desfalecida!
Lasciva e nua – a me exigir mais gostos
Por sobre mim caída!

Junqueira Freire -
Inspirações do Claustro


Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
– Boa noite! –, formosa Consuelo...
Boa Noite - Castro Alves



E ao longo de teu corpo elástico, onduloso,
Corpo de cascavel, elétrico, escamoso,

Em toda essa exten
são pululam meus desejos,
– Os átomos sutis, – os vermes sensuais,
Cevando a seu talante as fomes bestiais
Nessas carnes febris, – esplêndidos sobejos!
Carvalho Junior - Antropofagia











A todo o momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...

Teu corpo claro e perfeito -
Manuel Bandeira







Mais...

Urbi et Orbi

Mundo, do latim mundu: limpo, puro.

Abriu os olhos e tudo ainda girava. Fechou os olhos depressa e sentiu o corpo num movimento de rotação contínua. Pé ante pé, tentava se equilibrar na rapidez com que fluía o chão. Tentou puxar o freio, posicionou o joelho, escorou as mãos. E nada.
Se sentiu pesada, imunda, com quilos de sujeira a deixar rastro de poeira enquanto tudo corria mais que ela.
Raspou os pelos da superfície, da cabeça, esfregou os poros da pele até incharem de sangue, escamou a carapuça que lhe servia, cortou as unhas, arrancou as cutículas, enfiou cotonetes de algodão em todos os buracos latejantes.
Amarrou o saco de lixo com três nós apertados, abriu a porta, abriu a lixeira, jogou o saco, fechou a lixeira, fechou a porta. Virou a chave, fechou a tranca. Esperou.
Ela sabia que ia saber quando tivesse acontecido. Nada.
Abriu a tranca, abriu a porta, fechou a porta, desceu as escadas, abriu o portão, fechou o portão. Fechou os olhos, o sol era insuportável. Pé ante pé, tentava se equilibrar na rapidez com que fluía o chão.
Chegou no ponto, levantou os braços, abaixou os braços, abriram a porta, entrou, fecharam a porta, passa a roleta, segura no banco, senta no banco. Do seu lado esquerdo a vida passava devagar.
Levanta do banco, levanta os braços, puxa a corda, abaixa os braços, segura no banco, abriram a porta, saiu, fecharam a porta.
Pé ante pé, caía na rapidez com que fluía o chão.
Não levantou, de joelhos caminhava lentamente, escorando o chão com as mãos, se impregnando da imundície dos pés daqueles que sempre se equilibraram, alheios ao fato de que tudo corria muito mais que eles.
Apóia uma mão, a outra. Levanta. Passa um joelho, o outro. Senta. Olha pra baixo, pra cima, fecha os olhos. O sol era insuportável. Apóia um pé, o outro, tentava se equilibrar na rapidez com que fluía o chão. Nunca tinha conseguido, sempre caía. Mas não importava mais, cair agora era tudo que queria.
Do seu lado esquerdo a vida passava devagar. Embaixo, a água. A bendita água que inundava, desinfetava, limpava, transcendia. Capaz de disfarçar a sujeira de mais um corpo arremessado aos seus braços.
Tinha finalmente acontecido, ela sabia.

Mais...

8.2.08

A criatividade do brasileiro


Passeando o controle remoto por aí, fiquei preocupada.
As estatísticas do meu chefe comprovam que
cada vez que passa "O homem que copiava" na Globo,
as notas falsas pipocam no banco.

Mais...

Música de Sexta

Crono, um titã filho de Urano, o Céu e Gaia, a Terra, engolia seus filhos ao nascerem, com medo de uma profecia que dizia que um deles iria destroná-lo. Ao nascer o caçula, Réia, sua mulher, embrulhou uma pedra e a deu a Crono para que engolisse. O caçula era Zeus.

Gaia levou Zeus para ser criado pelas ninfas, e lá ele ficou até que foi chamado por Réia para acabar com o pai.

Zeus fez com que Crono bebesse uma poção preparada por Métis, a deusa da Prudência, que fez com o que o pai vomitasse todos os seus irmãos, ainda vivos, que logo o elegeram Rei, e começaram uma batalha que duraria dez anos.

Com a ajuda de Hecatônquiros e Cíclopes, Zeus e os irmãos conseguiram vencer Crono e o expulsaram, junto com todos os Titãs, para Tártaro.

Para que seu feito de derrotar Crono não fosse esquecido, Zeus pede ajuda a Mnemosine, a Deusa da Memória. Mnemosine então, chama as Musas para que estas repitam interminavelmente a história da batalha de Zeus e Crono.

Assim teria surgido a música, a linguagem das Musas, como um instrumento para memorização de algo.

Existe uma outra história, também grega, para a origem da música.

Na época da Grécia pré-clássica, que se estendia até o Oriente, onde hoje é a Turquia, existia uma sociedade pastoril, onde as pessoas não sabiam ler, nem escrever. Eles achavam que escrever era desnecessário. O que se sabia, sabia de cor, pelo coração, nas emoções;

A emoção era a potência da memória.

A função de guardar tudo o que se sabia era destinada ao AEDO, que podia ser homem ou mulher, e era responsável pela tradição oral da cultura do povo. O Aedo escutava tudo que se sabia, aprendia, registrava e guardava aquilo até contar para outro Aedo. Como as informações aumentavam a medida que se passavam os anos, o Aedo começou a contar a história numa cadência, quase hipnótica. Depois de usarem a cadência para ajudar mnemonicamente, os Aedos começaram a terminar as frases com sílabas iguais, inventando a rima.

O Aedo se tornava então, o primeiro poeta ocidental.

Um dia, nem as rimas nem a cadência estavam ajudando mais na memorização das histórias, então o Aedo começou a cantarolar as histórias, chamando-as de Melos. E assim surgia a música.

Então, tanto no Mito, quanto na História, a música é filha da memória.

A música de hoje é em homenagem à memória e a essas pequenas tradições orais que acontecem não só numa sociedade, mas também em família.

A minha família, como não podia deixar de ser, também tem dessas coisas. A música que vocês vão ler a seguir é uma combinação de várias outras músicas e coisas da cachola do meu Tio Tauzinho, que quando tinha por volta dos seus nove anos, começou a ouvir as músicas de Adoniran Barbosa e misturá-las.

Tio Tauzinho ficava repetindo isso para os sobrinhos dele. Meu Tio Guiga ficava cantando isso pra mim, e com certeza eu cantarei para os meus filhos, que cantarão para os sobrinhos e netos, e etc etc etc

Mulé, eu luto jiujitzum,
se perco a luta,
bato com a cabeça no paralepípidium.
Muléé...

Sonhei que era uma brabuleta branca
toda vremeia e de zazazuis
que avuava numa lâmprida acesa
só pra mostrar que nós sabemus riscar frósfirus.

Cachaça é bebida de próbi
Cachaça mata micróbi
Eu bebo cachaça e não ligo
Cachaça não me faz mal ao figo...

Mulée... (aí começa tudo de novo)

Mais...