18.2.08

Carne de Segunda...

... porque gente como eu se alimenta de cérebros.



Villa-Lobos nasceu em 1887, prestes a ver o Rio de Janeiro mudar com a proclamação da República no Brasil.

As primeiras sinfonias de Villa-Lobos foram feitas de acordo com as regras postuladas por Vincent D’Indy, cuja estética era diretamente ligada à de Wagner, mas vários críticos diziam-no que só seria um compositor completo se tivesse uma ópera no repertório, o que fez em seguida, compondo Izaht. Villa-Lobos também não deixava de compor obras que utilizassem elementos da estética de Debussy, o que fazia dele um dos poucos compositores de sua época a ousarem compor uma música “moderna”como a de Debussy no Brasil.

Ao longo da déc. de 10, Villa-Lobos preocupou-se em se posicionar em relação aos músicos eruditos no Rio. A música erudita feita por ele não tinha nenhum elemento declarada ou intencionalmente nacional nesta época.

Villa-Lobos estava com problemas financeiros quando Laurinda Santos Lobo resolveu apoiar a realização de concertos das obras do compositor. Foi assim que, em 1921, se apresentou pela primeira vez com algumas peças de temática nacional.

Villa-Lobos visava o aproveitamento de suas obras nas festas do centenário da independência do Brasil. Um segundo concerto de Villa-Lobos para Laurinda chamou a atenção dos modernistas. A sua “modernidade” fez com que fosse o único compositor convidado a apresentar suas obras na Semana de Arte Moderna de São Paulo. Depois disto, amigos e admiradores de Villa-Lobos começaram a articular sua ida para Paris, completando inclusive o dinheiro necessário para tal.

Villa-Lobos chegou em Paris convicto de que faria sucesso por ser um compositor de vanguarda no cenário musical do Rio, até encontrar Jean Cocteau, integrante e principal representante da vanguarda francesa, que rechaçou sua obra. Nesta mesma época Milhaud, compositor francês, retornava do Brasil, reunindo e transcrevendo as composições brasileiras que ouvira sob uma roupagem erudita “moderna”. Milhaud afirmou que os músicos eruditos cariocas que conhecera não valorizavam a música popular do país.

A série de contatos e interações feitas por ele em Paris agiu no sentido de convencê-lo aos poucos da necessidade de sua conversão, de sua transformação em um compositor de músicas de caráter nacional. Villa-Lobos começou então a utilizar em suas composições os ritmos da música popular, com os quais já convivia, mas que não tinha incorporado em suas criações devido ao valor negativo atribuído à estética popular pelos músicos eruditos brasileiros, inclusive cantos indígenas. Assim, começou a retratar em suas composições toda uma série de representações a respeito de sua nação, desenvolvendo uma linguagem própria e inconfundível, sintetizando o panorama musical erudito europeu contemporâneo e as músicas folclóricas e populares brasileiras. Para Villa-Lobos, o encontro com Cocteau pode ser tomado como momento exemplar do início de um processo de conversão que no final o tornaria um artista brasileiro, compondo apenas músicas de caráter nacional. O projeto de Villa-Lobos para fazer uma música “brasileira” de acordo com a concepção francesa de “Brasil” foi resultante de vários atores sociais como: as opiniões de brasileiros que viviam em Paris com ele; os comentários da crítica; as reações dos artistas que o cercavam e o imaginário que lhe transmitiam a respeito do seu país. Villa-Lobos reconhecia e admirava a civilização francesa. Antes de tudo, ele reconhecia o julgamento dos parisienses como válido e legítimo.

4 comentários:

Jåµë§ ßønd disse...

-= "... se alimenta de cérebros", é? Ainda bem que o meu é minúsculo, não dá nem pra sobremesa...então posso continuar por aqui com segurança, né?

Nat disse...

Hahahahaha
Bem, James, às vezes eu gosto de me distrair com outras coisas que não sejam cérebros... Se essas outras coisas também forem minúsculas, aí sim, você pode permanecer aqui em segurança...

Jåµë§ ßønd disse...

-= ah, então eu fico mais tranquilo. A única coisa avantajada em mim, é meu ego.

Este sim é enorme. Tem uma régua aí?

Nat disse...

James, eu dispenso a régua. Pra medir eu uso o palmo.