8.2.08

Música de Sexta

Crono, um titã filho de Urano, o Céu e Gaia, a Terra, engolia seus filhos ao nascerem, com medo de uma profecia que dizia que um deles iria destroná-lo. Ao nascer o caçula, Réia, sua mulher, embrulhou uma pedra e a deu a Crono para que engolisse. O caçula era Zeus.

Gaia levou Zeus para ser criado pelas ninfas, e lá ele ficou até que foi chamado por Réia para acabar com o pai.

Zeus fez com que Crono bebesse uma poção preparada por Métis, a deusa da Prudência, que fez com o que o pai vomitasse todos os seus irmãos, ainda vivos, que logo o elegeram Rei, e começaram uma batalha que duraria dez anos.

Com a ajuda de Hecatônquiros e Cíclopes, Zeus e os irmãos conseguiram vencer Crono e o expulsaram, junto com todos os Titãs, para Tártaro.

Para que seu feito de derrotar Crono não fosse esquecido, Zeus pede ajuda a Mnemosine, a Deusa da Memória. Mnemosine então, chama as Musas para que estas repitam interminavelmente a história da batalha de Zeus e Crono.

Assim teria surgido a música, a linguagem das Musas, como um instrumento para memorização de algo.

Existe uma outra história, também grega, para a origem da música.

Na época da Grécia pré-clássica, que se estendia até o Oriente, onde hoje é a Turquia, existia uma sociedade pastoril, onde as pessoas não sabiam ler, nem escrever. Eles achavam que escrever era desnecessário. O que se sabia, sabia de cor, pelo coração, nas emoções;

A emoção era a potência da memória.

A função de guardar tudo o que se sabia era destinada ao AEDO, que podia ser homem ou mulher, e era responsável pela tradição oral da cultura do povo. O Aedo escutava tudo que se sabia, aprendia, registrava e guardava aquilo até contar para outro Aedo. Como as informações aumentavam a medida que se passavam os anos, o Aedo começou a contar a história numa cadência, quase hipnótica. Depois de usarem a cadência para ajudar mnemonicamente, os Aedos começaram a terminar as frases com sílabas iguais, inventando a rima.

O Aedo se tornava então, o primeiro poeta ocidental.

Um dia, nem as rimas nem a cadência estavam ajudando mais na memorização das histórias, então o Aedo começou a cantarolar as histórias, chamando-as de Melos. E assim surgia a música.

Então, tanto no Mito, quanto na História, a música é filha da memória.

A música de hoje é em homenagem à memória e a essas pequenas tradições orais que acontecem não só numa sociedade, mas também em família.

A minha família, como não podia deixar de ser, também tem dessas coisas. A música que vocês vão ler a seguir é uma combinação de várias outras músicas e coisas da cachola do meu Tio Tauzinho, que quando tinha por volta dos seus nove anos, começou a ouvir as músicas de Adoniran Barbosa e misturá-las.

Tio Tauzinho ficava repetindo isso para os sobrinhos dele. Meu Tio Guiga ficava cantando isso pra mim, e com certeza eu cantarei para os meus filhos, que cantarão para os sobrinhos e netos, e etc etc etc

Mulé, eu luto jiujitzum,
se perco a luta,
bato com a cabeça no paralepípidium.
Muléé...

Sonhei que era uma brabuleta branca
toda vremeia e de zazazuis
que avuava numa lâmprida acesa
só pra mostrar que nós sabemus riscar frósfirus.

Cachaça é bebida de próbi
Cachaça mata micróbi
Eu bebo cachaça e não ligo
Cachaça não me faz mal ao figo...

Mulée... (aí começa tudo de novo)

2 comentários:

Monsores, André disse...

A história grega eu conhecia. A música, evidente que não. Se for a Lis, vai ter que aprender também?

Eu tentei cantar e não consegui.

Nat disse...

Com certeza mon chér. A Lis e mais os outros três ;- )

Depois eu te ensino a cantar. Mas coloca dois dedinhos pra cima, estilo Coisinha de Jesus que vc já vai pegando o ritmo.