16.2.08

Paulinho Nogueira, a Craviola e a Bachianinha número 1


Essa maravilha que vocês acabaram de ouvir foi composta por Paulinho Nogueira, brilhante músico, que, dentre outras coisas, inventou a craviola.

Confira a entrevista que o Paulinho deu ao Jorge Mello em 1995.


O que te levou à craviola?

Eu te falei do meu lado de desenhista. Então a idéia era fazer um violão personalizado, desenhado por mim. Então eu fiz uns cinco ou seis desenhos, isto em 68. Acontece que a Fábrica Giannini era bem perto aqui de casa... Então eu fui lá e apresentei os desenhos, a intenção era fazer um violão com uma forma diferente. Então quando eu mostrei, o Giannini me disse que a idéia era muito interessante... Escolhemos um desenho e ele mandou fazer. Quando ficou pronto me veio outra idéia! A mudança não podia ser somente na forma, tinha que ter alguma coisa diferente também no som. Sugeri que ,ao invés de seis cordas, se colocasse doze cordas de aço com uma afinação diferente, para não
ficar um simples violão, na forma ela é uma espécie de encontro da guitarra elétrica com o alaúde. Mas não deixa de ser um violão de doze cordas. Acabou ficando diferente pela forma e também pelo som, que é meio de cravo, meio de violão. Aí me veio de cara o nome CRAVIOLA. O Giannini então divulgou para os Estados Unidos e logo depois, a craviola começou a ser exportada para lá, para a Inglaterra e Canadá. Depois ele fez para mim um registro de inventor e combinamos os roiyalites, mas eu fiquei meio decepcionado porque estes eram de dois por cento. Embora tivesse vendido muito, o dinheiro a receber era pouco... Mas ficou o nome porque eu comecei a gravar com a craviola... Depois eu parei porque surgiu um sobrinho meu, Stênio Mendes, que se especializou no instrumento, fazendo shows e composições incríveis. Então eu fui ficando só no violão....

O Bonfá também tocava craviola?


Com o Bonfá quase surgiu um problema sério! A craviola surgiu lá nos EUA e acho que ninguém sabia que a patente era nossa. Tenho a impressão que o Bonfá foi envolvido nisso... Um dia eu abro a revista "O Cruzeiro" com duas ou três páginas sobre o Bonfá, ele na foto com uma craviola e no texto: "Bonfá vem ao Brasil lançar a sua craviola". Bem, isto foi em 74 e eu já tinha até disco gravado com a craviola e o Giannini sabia que a patente era minha, ele viu a coisa nascer... Fui então pra tudo que era jornal e televisão. Fui ao Rio duas vezes, a Curitiba... Bem, o lançamento acabou não acontecendo porque
fiz aquele barulho todo e a imprensa adorando... Tinha até uma charge minha e do Bonfá, um batendo com o violão no outro! Depois ficou tudo esclarecido, o Bonfá é um cara fino, educado e inteligente. Uma vez ele foi lá em casa e nós tocamos, ele solando e eu acompanhando. Foi uma das melhores noites que passei. E ficou nisso a craviola...

Um comentário:

Gwyn disse...

Nat..
Uma bela forma de iniciar uma manha ensolarada e gelada (-1C as 10 da manha).
Os olhos se enchem de lagrimas ao escutar..
Saudades do Brasil!!( para mim isso e Brasil)

um beijao