1.3.08

A culpa é da azeitona

Não faz muito tempo que ouvi de duas pessoas a mesma frase como resposta a um questionamento meu: "O problema é comigo", geralmente esta frase vem associada a "me fudi no relacionamento anterior e agora não quero nenhum envolvimento".

Normalmente essa resposta é o típico PPH, Papo Padrão de Homem. Mas para alguns isso é mesmo uma verdade. Eles se envolveram demais numa relação que fracassou, e começam a querer se afastar de toda e qualquer possibilidade de ter algo parecido. Os seres humanos gostam de basear as coisas em padrões. Basta ver algo parecido para jogar tudo no mesmo saco e decidir sem ter certeza de que seria a mesma coisa mesmo. Com o tempo a gente consegue distinguir os que estão dando uma desculpa para não ficar mal na fita, e os que estão sendo sinceros quando dizem que não querem se envolver.

Mas como é possível ter algum prazer, como é possível respeitar o outro, como é possível gostar de alguém ou de alguma coisa, como é possível realizar um pequeno ato que seja sem se envolver naquilo?

Que importa o que vai ser amanhã? O importante é que o que se fez hoje tenha todo o sentido possível, e para isso é preciso se envolver.

As relações hoje em dia se tornaram tão frugais e os interesses pessoais tão acima de qualquer outra coisa que além de não se querer um compromisso, agora também o envolvimento, mínimo que seja, é um carrasco para o ideal egoísta de liberdade?

Eu sempre acho que não é o envolvimento o vilão dessas histórias. O medo o é. Os problemas são sempre internos demais e vão se acomodando de um jeito que fica muito difícil se livrar do conforto que a solidão é capaz de trazer. Os anseios pessoais acabam por impossibilitar a troca, mesmo que de algumas horas, de si com outro. É o medo da falta de estabilidade.

Algumas pessoas são assim. Neste caso, se eu as questiono, "o problema é comigo". Mesmo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Normalmente um eremita (sentimental ou literal) não se aproxima do vilarejo (fictício ou não) de uma só vez, tenta aos poucos e falha muitas vezes. Não é falta de coragem que o retrai (engano comum), mas sim o fato de já conhecer o que lhe espera, saber que para algo bonito fatalmente tem de absorver outras nem tão bonitas, sacrificar e atender expectativas que ele se comprometeu a não atender.

A necessidade de algo (como se envolver) pode dar uma noção estranha para esse tipo de pessoa, fazendo com que ao avistar algo bom (quando vê tão poucas coisas boas) se retraia antes que acabe quebrando algo. Ninguém nasce ou planeja ser um eremita... Mas isso não quer dizer que ele nunca vá chegar ao vilarejo, independente de aida estarem lhe esperando por lá ou não.

Os problemas dessa espécie não estão na percepção que o mundo lhes mostra (ele já aprendeu a ser indiferente a isso tudo de uma forma geral), mas sim nos seus próprios desejos, cotraditórios ao seu bom senso...

Claro que quem conta suas desculpas sempre está pronto para desenrolar suas histórias sob uma ótica menos constrangedora, se acreditam ou não nas suas histórias, é o que irá determinar a duração os próximos silêncios constrangedores...

Nat disse...

Anônimo (pena que não tenha se identificado...), adorei seu texto. Realmente o que retrai as pessoas é o já conhecido. Mas tudo na vida, mesmo o já experimentado pode mostrar uma nova ótica, e se transformar em algo revelador.