27.3.08

Devaneios inacabados ou descoloridos


Pálida a lua que pintaste
Limpo o céu, negro o azul.
Será que o amor acabou?
Ou meus olhos opacos
não podem mais brilhar?
Esse castanho-escuro
nessa esfera branca
quase vermelha
tornam lusco-fusco
qualquer luz.
Se são doze ou sete
as cores do arco-íris,
o que me importa,
se só vejo preto?

...

Ponha moldura na lua
que você pintou pra mim
Moldura de estrelas
piscando vermelhas
enquanto o amarelo
da lua empalidece
antes o brilho dos olhos
contemplando-na.
E vai esbranquiçando
à medida que eu olho
e vou me tornando bela
para que não tenha lua
nem estrelas
no próximo quadro.
E eu brilhe mais que tudo.

...


Eu vou cobrir
as paredas do quarto
com nossas fotos
retratos falados
do amor em várias poses.
O mundo em suas cores
num arco-íris
fixo nas cabeças
tornando a vida cor-de-rosa
Tudo azul, todo mundo nu.
E os corpos desejosos
de algo mais
servirão de manequins
aos instintos selvagens
dos anjos construtores
que reforçam
a corda bamba
do nosso sexo frágil.

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