9.3.08

devaneios pecaminosos...

No dia em que consumir drogas virou um pecado mortal na lista de pecados modernos da Igreja Católica, eu já tinha decidido que este seria meu assunto. E não foi por saber disso previamente. Ainda não possuo poderes mediúnicos, embora não os dispensasse, caso me fossem oferecidos. Seria muito bom ganhar na Mega-Sena eventualmente, quem sabe uma vez ao ano?

Mas, enfim, rezando para que nenhuma criança venha a dar de cara com estas páginas, volto ao assunto pouco auspicioso a que me propus discorrer hoje: as drogas! Não pensem que vou fazer apologia ao uso, ou um discurso retrógrado, não faz meu tipo. É que hoje, nas minhas andanças pela net, eu descobri uma pesquisa que prova que fumaça de incenso faz mal à saúde. Uma pessoa que queima um incenso recebe uma dose de benzina (substância cancerígena) equivalente a três cigarros. Tudo bem que fumando vinte cigarros por dia, que é o meu caso, eu estou inalando o equivalente a pouco mais de seis incensos, e ele nem dá tanto barato assim, diga-se de passagem...

Vocês vão me perguntar que diabos isso tem a ver com as drogas? Bem, cigarro é uma droga, mas não é dela que venho falar. Lendo essa matéria sobre o incenso me lembrei de uma outra pesquisa que prova que os elementos cancerígenos presentes na fumaça da maconha são duas vezes mais nocivos do que os da fumaça do cigarro. Fumar um baseado por dia seria tão prejudicial quanto fumar um maço de "caretas". Péssimo para alguns amigos meus que se achavam naturebíssimos ao optar somente pela ervinha natural (Se fosse plantada no Sana até poderia ser natural, aqui pelo Rio está é cheia de orégano, mesmo...) Para mim, que acumulei durante anos os dois malefícios, pouco importa.

Esses devaneios ligeiramente viajantes me levaram à velha gíria "da lata", que designava o bagulho bom, puro, que há muito não era encontrado no Rio, e costumava ser usado para o que vinha do Maranhão. Para quem não sabe, a expressão "da lata" veio do famoso Verão da Lata, quando os tripulantes do navio Solano Star, perseguidos pela Polícia Federal brasileira, despejaram sua carga no mar, cerca de 20.000 latas com 1,5 quilos de maconha prensada com mel e glicose. Algumas latas foram achadas até no litoral de Santa Catarina, meses depois. Lendas dizem que muitos pescadores ficaram ricos com o tráfico, mas o certo é que o Verão da Lata rendeu muitas histórias.

O romance PODECRER de Arthur Fontes virou até filme da Conspiração, cuja divulgação contou com pequenas latas contendo negativos do filme cuidadosamente "despejadas" na areia das praias da Zona Sul. Outro que quer contar essa história no cimena é o João Falcão. Com título provisório de Verão da Lata ou Nunca Haverá um Verão Como Esse, o longa vai reproduzir a trajetória de gente que teve contato com as latas - com licença poética para aumentar e criar lendas urbanas.


E, bem, depois que eu fui juntando um assunto no outro, acabei lembrando de um livro que herdei da biblioteca da minha tia, "Estudos atuais sobre os efeitos da Cannabis Sativa [MACONHA]", de Márcio Bontempo, de 1980.

O didático livro do Márcio nos conta, por exemplo, que a cannabis já era utilizada pelos chineses e egípcios, que utilizavam suas propriedades analgésicas. Além disso, na Europa ela já era utilizada há muito tempo para fazer cordas, tecidos e estopas com suas fibras. Os índios americanos também fazem uso da cannabis desde tempos antigos, mas estes já o faziam em busca dos efeitos psicotrópicos.

O princípio ativo da cannabis é o Tetra-hidrocanabinol, ou THC (lembram do slogan? FORA FHC, QUEREMOS THC!!!!). A cannabis tem ação antibacteriana, antinflamatória, anticonvulsivante, antifebril, tranquilizante, sedativa, hipnótica, antiespasmódica, analgésica, antidepressiva, hipoglicemionte e anti-hipertensiva.

Psicologicamente falando a cannabis causaria uma fragmentação temporária do Ego, quando o Id iniciaria um processo de vigília, deixando o indivíduo à mercê do instinto e das forças violentas do Id. Nesta hora acontece a diminuição da intelectualidade, a desregração do pensamento e a despersonalização. O Ego sofre uma divisão, mas não chega a apagar-se totalmente, fazendo com que a pessoa acredite que está num estado estranho e irreal.

Depois disso o Márcio desfaz alguns mitos e conta algumas curiosidades sobre a cannabis:

- O fumo crônico da maconha tem sido associado à bronquite e à asma.

- Não existe comprovação de morte de células cerebrais pelo uso da maconha.

- O aumento da agressividade do usuário da droga não foi provado pela medicina.

- Soldados americanos na Europa fumavam quantidades de haxixe equivalentes a 5.000 cigarros de maconha.

- Usuários de cannabis afirmaram um aumento da sensibilidade depois do uso, principalmente no ato sexual, que produziria um prazer inigualável e prolongado. Mas, os cientistas descobriram que a cannabis diminui os reflexos medulares polissinápticos, interferindo nas sinapses nervosas. Ou seja, a cannabis não aumenta a sensibilidade e sim produz um retardamento na percepção dos estímulos.

Bem, depois de tudo isso vocês estão esperando que eu faça uma conclusão brilhante desse post, ou que comente o que vocês acabaram de ler pela minha perspectiva experimental pessoal.
Só tenho a dizer uma coisa: Quer fazer merda? Faça. Mas faça bem informado.

10 comentários:

Gwyn disse...

"Quer fazer merda? Faça. Mas faça bem informado."

concordo com voce...

sofia disse...

Nem mais. Brilhante conclusão porque isto já não há paciência para falsos moralismos ou paternalismos mais exacerbados. É o que é e informação é poder. Belo blog, já agora. Esta foi a minha primeira visita, mas decerto não será a última (para conclusão também não está mal:)).

Nat disse...

Bela conclusão mesmo Sofia hehehe Volte sempre.

DarwinistO disse...

Nat,

Gostei do seu comentário a respeito dos amigos naturebas. Há hoje uma tendência a sobrevalorização do que é "natural", como se tudo que é sintético fosse ruim.

Ora bolas, saiam por aí comendo cogumelos de todas as espécies, saiam por aí bebendo urina então. Quer coisas mais naturais do que isso?

E quanto às drogas, lícitas ou ilícitas, só vejo uma solução: legalizar e acompanhar. Ou então proibe-se tudo, inclusive tabaco e álcool.

Beijo.

NaturebaBolivariano disse...

Darwinisto, pois saiba que todos os cogumelos são comestíveis (alguns só uma vez)! enquanto urinoterapia me parece apenas uma desculpa pra um fetiche meio nojento, pelo menos pra mim que me acho muito careta pra curtir esse lance...

E largue a mão dessas idéias comunas de proibir cigarro e álcool!! vai que alguém leva a sério!! Já pensou ter que ir no morro comprar "Camel de $10, malrboro de $20"... só ia sobrar grana pra fumar Derby, e amarelo!!!! :-|

DarwinistO disse...

naturebabolivariano,

Apaga esse Chanceler aí que a fumaça tá encobrindo o monitor. Eu sou a favor da legalização. De todas. É muita hipocrisia algumas serem liberadas e outras não. Oras, não querem liberar a Maria Joana, proíbam a cachaça também.

Mas por mim fica tudo liberado. Senão, como vou fazer margaritas para as belas moças que me visitam?

Kct disse...

Outro dia estava super a fim de fumar um, mas não tinha nada em casa. Passando pela cosinha vi uma caixa de Matteleão. Cara, enrolei e fumei. No princípio ficou meio estranho, mas depois ficou legal!
Alguém sabe dizer se vicia?

Kct disse...

*cozinha

Nat disse...

Po, o povo fumou vários antes de passar por aqui...

Kct, mate eu não sei, mas já fumei orégano (sabendo que era orégano), não deu onde nenhuma...

Daniel Caiado disse...

"Quer fazer merda...", quanta surpresa ouvir isso de uma pessoa que provavelmente vai morrer de enfisema pulmonar se não der a sorte de pegar câncer no pulmão para te poupar do sofrimento.

Até mais! Pare de fumar cigarros.