23.3.08

Diminuindo minha lista de livros que não vou ler antes de morrer...

Costumo ler muitos livros, e ao mesmo tempo. Com os textos da faculdade fica bem difícil manter o ritmo, mas eu tento. O problema é que eu costumo seguir uma ordem meio tosca, que depende do humor, às vezes é alfabética, outras é cronológica e outras vezes escolho aleatoriamente mesmo. Estou com cinco livros pela metade, mas a culpa disso na verdade é só uma: não engatei nos livros e odeio não terminar um. É como sair de um filme no meio. Mesmo que o filme seja horroroso eu continuo assistindo. Na verdade, já saí no meio de um filme, só um. As Rochas que Voam, sobre o Glauber Rocha. Não consegui mesmo. Tem gente que adora o filme, mas eu não consegui terminar de ver.
Mas, voltando aos livros, dentro desses cinco existe um que até hoje me parece inacreditável. É um do Saramago, um dos meus escritores prediletos, mas que eu não consigo terminar de ler de jeito nenhum. Não sei o que é, mas é o segundo livro do Saramago que eu empaco sem motivo aparente. O primeiro foi A Jangada de Pedra, que terminei a duras penas, com muita insistência e nenhum prazer. Esse que não consigo terminar agora é o Pequenas Memórias.
Outro que não consegui passar da metade foi o da Carla Rodrigues, a biografia do Betinho. Não que Betinho não seja interessante, não que biografias não sejam interessantes, mas eu não tenho menor ânimo pra continuar a leitura. Bloqueio mental.
A minha sorte é sempre existir um livro que compensa outros cinco não muito bons. Não vou dizer nada sobre ele, vou deixar ele falar por si mesmo:

"O Mundo da Minhoca

Existem sonhos simbólicos e realidades que simbolizam tais sonhos. Ou ainda, existem realidades simbólicas e sonhos que simbolizam tais realidades. O símbolo é, por conseguinte, o prefeito honorífico do universo da minhoca. No universo da minhoca não se estranha que uma vaca leiteira esteja à procura de um alicate. Em algum momento a vaca leiteira há de conseguir um alicate. O problema não era meu.

Suponhamos agora que a vaca estivesse me usando para obter um alicate. As circunstâncias, nesse caso, seriam totalmente outras. Eu estaria sendo lançado num universo onde o raciocínio seria completamente diferente. E o maior incoveniente de ser lançado nesse universo de raciocínio diferente é que a história se torna desnecessariamente longa. Eu pergunto à vaca leiteira: por que quer um alicate? A vaca responde: porque estou faminta. Pergunto: e por que precisa de um alicate quando está faminta? A vaca responde: para dependurar no galho do pessegueiro. Pergunto: por que no galho do pessegueiro? Responde a vaca: mas não lhe dei o ventilador em troca? Seria uma sucessão interminável de perguntas e respostas. E, nunca terminando, eu me veria aos poucos odiando a vaca, e vice-versa. Esse é o universo da minhoca. Para escapar desse universo é preciso sonhar um novo sonho simbólico."

Caçando Carneiros - Haruki Murakami

Nenhum comentário: