31.3.08

Seria um dia como qualquer outro não fosse um pequeno detalhe que me deixou deprimida.
Era um ônibus como qualquer outro que pego todos os dias pra voltar pra casa. Na minha frente tinha uma mulher lendo alguma coisa, como muitas vezes tem.
Às vezes me canso de olhar a água embaixo da ponte e dou uma olhada nos que me rodeiam. Muitos dormem, cansados do trabalho. Já vai dar onze horas da noite e todo mundo quer chegar em casa rápido.
A moça do banco da frente continua folheando a revista, anotando uma coisa ou outra que achou importante. Olho para o título da revista "Conhecimento Cristão" - livro do professor. Imagino que a moça deve ser professora de catecismo, os capítulos da revista são "Deus é onipotente", "Deus é onipresente", e assim por diante. Começo a prestar mais atenção, enquanto ela puxa papo com a moça ao lado dela. Uma conversa sobre o Senhor se inicia, e aí vem o choque com o que leio.
No capítulo "Você conhece Deus?", encontro a seguinte frase:

"Muitas pessoas acreditam que existem outros deuses, mas nenhum deles é como o NOSSO Deus. Os outros são falsos."

Voltei meus olhos para o mar. Por alguns minutos perdi meu interesse nas pessoas.

5 comentários:

Cmd. Jåµë§ ßønd disse...

-= Sei que isso não devia ser surpresa para você, não é mesmo?

Diga-me uma religião que, em seus núcleo, não pregue o mesmo preceito.

Não existe sincretismo religioso.
Elas apenas acabm obrigadas a se aturar.

Ênfase em "aturar".

Anônimo disse...

Olá Nat...
Por isto gosto daquele termo sanscrito, Namastê. "Meu divino saúda teu divino."
Muito bacana teu blog, abraço!

El Torero.

Ricardo C. disse...

"... nenhum deles é como o NOSSO Deus."

Não parece uma versão daquela propaganda que dizia que "Os nossos japoneses são melhores do que os outros"?
;-P

nada será como antes disse...

Consegui!!!!
Nat,

Sempre achei esquisito o "livro do professor". Afinal, o professor deve usar o mesmo livro do aluno, sem as respostinhas prontas. Mas o seu post fala de outra coisa pior : a intolerância. Naquele weblog que freqüentamos, há exemplos bem parecidos.

Seus textos são sempre ótimos e deveriam render uma publicação em livro. Beijos.

Nat disse...

James, Ricardo e Nada,

Claro que não é surpresa pra mim, mas eu fico indignada de ver isso escrito, não sei se vcs me entendem... Para mim era só parte do pensamento de alguns dentro das religiões, e não parte de um todo a ser ensinado a milhões de crianças em formação. Não posso dizer que não foi um choque.

A intolerância nasce da comparação. Mas se a comparação fosse feita mesmo, de mente aberta, as pessoas perceberiam que nada disso faz sentido. O máximo que poderia ocorrer é aquele pensamento de Nossa, como eles acreditam nisso? Mas eu respeito e ponto final. No fim todos deveriam chegar à conclusão de que nada, nem um Deus, é melhor ou pior do que outro, só são diferentes.

Eu ainda acredito que isso é possível, mas como eu sempre digo aqui pra vcs, meu mundo é uma utopia.