23.3.08

Utopia

Meu mundo é uma utopia. Vivo sempre além, ou aquém, da realidade que me cerca. Neutralizo o lapso de tempo com fantasias que me são próprias.

Acredito nas pessoas. O medo ainda me consome. Como imaginar algo além do que vivo? Não perco tempo com suposições nem proposições políticas. Me sinto acéfala de vez em quando por somente viver.

Não tenho uma opinião sobre tudo, e quando me perguntam o que acho, suspiro. Recito poemas ao invés de discursos. Não me interessa se eu concordo ou não. Eu vivo. Da melhor maneira possível.

Quem tiver algo contra que vá a luta, mas não me faça perder tempo ouvindo uma interminável sessão de mentiras. 300 rotações por minuto, 300 palavras por minuto. Energia totalmente desperdiçada em bandeiras imaginárias e fragmentos de ideais irrisórios.

A totalidade do tempo, ou o que ele representa pra mim, é consumida em devaneios sobre ele mesmo. A alma filosófica sustentando um corpo-espectro-fantasma-fantoche. Corpo este que representa o papel que lhe sujeitam. Dia sim, dia não. Me dou ao luxo de me despir das convicções falsas algumas vezes.

Meu mundo é uma utopia. E utópicas são minhas versões particulares deste mundo. Talvez por isso minha voz seja muito mais bonita dentro da minha caixa craniana. O que guardo gravado na retina só tem cores dentro de mim.

Um comentário:

DarwinistO disse...

Eita mulher que escreve bem...