29.4.08

Muitos nadas sobre alguma coisa e algumas coisas sobre o nada...

... ou o popular Enchendo Linguiça.

Bem, faz tempo que não escrevo nada, mas não vou ficar justificando ausência nenhuma não. É um misto de preguiça, falta de tempo, falta de disposição, e alguns dias fora de casa. Mas, no fundo, tudo não passa de uma desculpa esfarrapada, porque quando a gente quer escrever, a gente escreve.
Pra encher linguiça vou começar satisfazendo um pedido de um amigo que reclamou que eu não postei fotos andando de bicicleta em Paquetá e que isto é um absurdo. Além disso, reclamou que eu não coloquei legenda de quem é quem na foto lá do post anterior. Como ele está correto, e além do mais eu sou da política de que o cliente tem sempre razão, lá vai uma fotinho de euzinha andando, não de bicicleta, mas de quadriciclo... Chiquérrima eu né? E saiam da frente que Nat no voltante, perigo constante!!!!!


A segunda parte da exigência é meio chata, mas vou fazer também. Vamos à legenda da fotinho de baixo:

Em pé, da esquerda pra direita: Madrinha (ou Titia 1); Priminho (filho da Titia 3); Titia 2 (casada com Titio 1); Titia 3; Titio 1; Titio 2 (casado com Titia 4); Irmão.

Acocorados, da esquerda pra direita: Priminha (filha da Titia 2 com o Titio 1); Priminho (filho da Titia 4); Priminha (filha da Titia 3); Euzinha; Priminho (filho da Titia 4); Titia 4; Priminho ( filho da Titia 2 com o Titio 1).

Facilitou à beça, não foi? hehehehe

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Bem, um outro assunto que eu queria falar era do buxixo do pornô da Leila Lopes, mas acabou que o Adamastor falou sobre isso, e muito bem, então nada tenho a dizer.
Outro assunto que eu queria falar era sobre Ronaldo, o fofenômeno dos travecos, mas tenho certeza que o Adamastor falará sobre isso com mais sabedoria do que eu.
Dito isto, calo-me.
Até a próxima...

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27.4.08

Família que se preze...

... paga mico unida.


Veja a legenda da foto aqui

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25.4.08

É por essas e outras que eu me orkuticidei...

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22.4.08

Oito coisas

Me incumbiram da missão de continuar o novo meme da blogosfera que é escrever sobre as oito coisas que se deve fazer antes de morrer. Acho que esse pessoal está vendo filme demais, embora eu concorde que qualquer filme, mesmo com mote conhecido e ligeiramente babaca, que tenha Jack Nicholson e Morgan Freeman como protagonistas já vale alguma coisa. É por isso que aceitei o desafio de dizer algumas coisas sobre o que se deve fazer "Antes de Partir". Como eu não tenho o dinheiro do cara do filme, nem daria a sorte de ser condenada à morte justamente ao lado de um cara desses, então eu vou fazer uma lista bem plausível e condizente comigo.

Confesso que comecei várias vezes. É que na minha cabeça só aparece uma resposta: Viver bem. Sim, não só viver, posto que viver todos vivem, mas viver bem, que é coisa pra poucos mesmo, pouquíssimos. Mas eu sei que esta resposta não vale, até tinha escrito um poema cujos narradores seriam meus filhos, enfim, uma coisa muito mórbida. Descartei. Vamos à segunda tentativa.

1 - Orgia;

Toda e qualquer pessoa que pretende morrer feliz e com dignidade tem que participar de uma orgia pelo menos uma vez na vida. E entenda-se por orgia algo que inclua mais de quatro pessoas, porque senão é só um swing. E entenda-se que nesta orgia deve-se incluir a sua melhor amiga. Será fácil convencê-la, afinal, você vai estar com o pé na cova, mas o resto ainda estará aproveitável, e pra mim essa coisa de podofilia tá por fora, ainda mais com as unhas todas pretas de terra. Um horror!!!!!!

2 - Comer todos os seus amigos;

Acredite, você vai fazê-los feliz com esta atitude. Tudo que seus amigos sempre quiseram ouvir de você é: Vamos transar? Se não for isso, troque de amigo. E é melhor você fazer isso logo, afinal, você está morrendo e é muito "out" ter pouca gente no enterro.

3 - Posar nua;

Não basta que só seus amigos saibam o quanto você é sexy e gostosa, é necessário que o Brasil, quiçá o mundo, saiba disso. Para isso você tem que posar nua antes de morrer. Para facilitar o trabalho recomendo namorar um fotógrafo bom e tarado. Não precisa ser necessariamente nesta mesma ordem, pode ser um bom fotógrafo tarado também, basta que ele não seja ciumento, nem tenha algum problema com chifres na cabeça.

4 - Fazer sexo numa cachoeira;

Essa coisa de transar na praia está absolutamente fora de moda. Além da areia funcionar como um belo esfoliante, dias depois você ainda vai encontrar um grão de areia em buracos que você nunca imaginou que pudessem existir no seu corpo. Fora que depois dessa esfoliação toda, a água do mar funciona como um Merthiolate daqueles antigos mesmo, arde pra caralho. E, convenhamos, há muito que você deixou de acreditar no que sua mãe dizia sobre tudo que arde, cura, não é mesmo? Recomendamos que o encaixe seja feito fora dágua, senão fica aquela sensação de estar dentro da Moby Dick, tudo balançando por dentro, e como tudo que entra tem que sair, você fica pingando durante dias. Isso quando não dá ar, igual a torneira quando falta água. E os homens esquecem que são os culpados dessa situação ridícula e ainda te acham um Alien quando ficam aqueles gases ridículos saindo de dentro de você.
Mas a energia da água caindo sobre você compensam o esforço, acredite. Você não pode morrer sem saber como isso é bom.

5 - Andar a 250 km/h numa BMW Z4 conversível;

Acredite, qualquer artimanha para realizar esse sonho é válida, até dar em cima do seu chefe, melhor amigo, parente, inimigo, sogro, seja lá quem tiver um carro desses. Mas atenção: ele leva 5,9 segundos para atingir essa velocidade, mas você vai precisar de mais tempo para agradar o motorista. E muito mais atenção: embora o câmbio da marcha não atrapalhe, porque o modelo tem direção elétrica, abusar nas distrações ao motorista pode fazer você antecipar seu encontro com São Pedro. O prazer pode ser longo a 250 km/h, mas a morte é instantânea.

6 - Marcar um gol de barriga pelo Mengão, aos 47 do segundo tempo;

Em um Maracanã lotado, claro. Depois fazer alguma dancinha idiota pra comemorar, levantar a camisa com alguma mensagem agradecendo a Deus e ser ovacionada pela torcida do Flamengo toda gritando: "Eu sempre te amarei / Onde estiver, estarei / Óh meu Mengo! / Tu és time de tradição / Raça, amor e paixão / Óh meu Mengo!"
Essa não precisa de maiores explicações, a não ser que eu tinha 12 anos, estava na rua comemorando meu campeonato e aquele dito cujo resolveu fazer um gol de barriga no minuto final dos acréscimos do jogo. Para compensar a tristeza que senti naquele dia, só vendo a tristeza de outros numa mesma situação. Sim, eu sei, eu sou sádica.

7 - Ficar doidona e ver alguns filmes;

Com todas as suas amigas, fique doidona (com o psicotrópico de sua preferência) e assista Alice no País das Maravilhas, depois A Noviça Rebelde, em seguida O Mágico de Oz (quando o leão aparecer, aperte o play do The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd), depois A Fantástica Fábrica de Chocolate (o antigo, claro!), e por último Mudança de Hábito.
Prepare-se para sair andando pela sala de joelhos cantando Oompa loompa, doompa-dee-doo. Lembre-se de guardar em lugar seguro (e ignorado) todos os dispositivos capazes de registrar tal momento.

8 - Viver! Bem, é claro.

Não deixe pra depois o que você pode fazer hoje. Arrependa-se do que fez e não do que podia ter feito. Diga o que tem vontade e o que não tem vontade, apenas fale.
Não deixe pra perceber que não viveu só na hora da morte.


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Depois de muito pensar, resolvi repassar o desafio sobre as oito coisas a se fazer antes de morrer para o meu grande amigo Felipe, do Conselheiro Acácio, pro meu primo querido Sérgio Leo e para o Adamastor, do Udigrudi, que certamente irá escrever sobre as oito mulheres que ele tem que comer antes de morrer. Bem, mesmo assim, eu espero que ele o faça.

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20.4.08

Tudo tem seu preço.

Ana, me diz, qual o preço de amar demais a vida?
João, vou te dizer, é o mesmo que amar de menos. A solidão.
Mas por quê, Ana?
As pessoas têm medo dos que vivem demais. A maioria prefere passar a vida sem ter vivido. E eles vão excluir você do convívio deles, por mostrar que a vida pode ser sempre mais, e eles é que não têm a coragem de enxergar isso.
Ontem me perguntaram se eu conseguiria fazer um Top 5 de todas as coisas da minha vida.
Sexo?
Só teria um, ou então teriam todos. São mais de cinco, no meu caso, mas todos eles são diferentes. Todos me deram prazer, até quando foram ruins.
Amor?
Só teria um, ou então teriam todos. Não foram mais de cinco, mas são diferentes também. Todos me deram dor, até quando foram bons.

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16.4.08

Cegueira

Hoje são 22.
Amanhã serão 23.
23 - eternidade.
23 - fossas contínuas e irracionais.
23 - depressão por hoje, por amanhã, para sempre.
23 anos - sem razões, sem objetivos.
23 - rápidos, longos e extremamente dolorosos.
Dia após dia, eu contei
23 anos.
Nada construído ou desejado.
E são 23 que chegaram inexoráveis.
23 - castigo por tudo,
por todos os que se passaram
e que eu fiquei esperando,
olhando,
mas sem ver.

Eleonora Peixoto - 16/04/1981

Amanhã seriam 50.
Aproveite sua festa, onde quer que esteja.

Mais da mãe, aqui.

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14.4.08

Encaçapando

E eu achava que sabia jogar sinuca...



Via Casa do Kct

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10.4.08

O Chicote e os Evangélicos

Quando olhei o apartamento onde eu moro hoje, me apaixonei. Foi paixão mesmo, à primeira vista, pelas janelas. Grandes, enormes, gigantes janelas. Não importa se está muito sol, ou uma tempestade colossal, minha janela está sempre aberta. Gosto de ar fresco, circulante.

Estava tudo indo muito bem, quase um ano de paixão correspondida, eu e minha janela. Aí um dia, entrou uma música junto com o ar fresco. Era uma música até legal, bem tocada, o problema é que nem todo mundo entende que música instrumental às vezes é infinitamente mais interessante. Quando começaram as letras, foi o fim. Elas falavam de Deus, não abandone Deus, segure na mão dO Senhor, etc etc e tal... Foi aí que o inferno começou...

Toda quarta à noite e todo Domingo de manhã percebi que meus vizinhos da frente, separados de mim por uma rua relativamente larga, faziam um culto na sala deles que entrava direto pela minha janela. Eles respeitavam o horário de silêncio, então certamente não me restava muito a fazer, a não ser fechar minhas janelas para não ouvir aquela música infernal (desculpe-me a heresia, Senhor).

Por falar em janelas, me lembrei de um episódio super engraçado que tinha acontecido no outro apartamento onde eu morei. Uma das minhas amigas só trocava de roupa no quarto, que tinha um janelão de cara pro outro apartamento. Eu tentei falar com ela, mas enfim, ela gostava da exibição mesmo, até que um dia ela lá feliz e contente trocando de roupa, eu entro no quarto e dou um grito: _ Fecha essa janela agora!!!!! Ela, meio assustada, olhou pra janela e viu um cara da Prefeitura podando a árvore da frente na mesma altura que ela e a um metro de distância, de camarote. Tenho certeza que ele se sentiu o cortador de árvores mais sortudo da cidade naquele dia.


Pois bem, voltando ao assunto, eu não ia ceder assim tão fácil, não sem antes lutar com todas as minhas armas, resolvi sacanear os Homens de Jesus. Comecei a sair do banho de toalha e vir dar uma passeada pelo quarto. Luzes acesas, janela aberta, como sempre, consegui que eles ficassem uns dois minutos sem tocar, nada além disso. Não ando com essa bola toda, pelo visto.

Aí comecei a circular só de calcinha pela casa. Nos primeiros dias os caras deram uma, duas, três olhadas, eu fingia que não via, dava uma espiada pelo espelho, e nada, eram só uns minutos de sossego enquanto eles fofocavam sobre a minha vida, depois voltava tudo do normal.

Depois de um mês eu vi que eu me divertia à beça com a cara deles, mas não conseguia que eles parassem de tocar. Desisti e passei a fechar as janelas nos dias do culto.

Alguns meses depois, eu até já tinha me esquecido do episódio, dei uma olhada pela janela e vi duas moças conversando, enquanto os caras tocavam. Na mesma hora eu tive a inspiração. Peguei meu radinho, coloquei Pink Panther Théme pra tocar na maior altura possível na janela, abaixei a luz, liguei o abajur de luz vermelha que tenho na cabeceira para ocasiões estratégicas, e peguei um chicote desses comprados na Sex Toy Shop (que ainda estava fechado no plástico por falta de oportunidade).

Fechei só a cortina branca, fiz caras e bocas, gritos e gemidos, rodava o chicote pra lá e pra cá tentando imaginar o que as moças estariam pensando, claro. Parei quando achei que já tinha sido o suficiente. Liguei a luz, abri a cortina e... Surpresa!!!! A janela deles estava fechada sem uma única frestinha que fosse.

Isso já tem dois meses, nunca mais vi aquela janela aberta. Certamente eles devem estar orando pela minha alma perdida...

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8.4.08

Carrossel

Um ícone da minha geração, com certeza. Em ótima forma.
Maria Joaquina, ou melhor, Ludwika Paleta.


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7.4.08

Dia 1

Pra quem não leu o começo, está aqui.
Gostaria de lembrar que esta é uma obra de ficção, que vem a ser um livre exercício criativo da minha mente, com direitos autorais reservados a ela.
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Hoje eu acordei melhor. Estaria bem se não fosse um pequeno nervo latejando à direita da minha testa, inflamado e pulsante como se quisesse mostrar que para cada batida do coração há uma dor equivalente. Para morrer basta respirar e respiramos inconscientemente. Não pensar é um passo para a morte.

Mas não é de morte que eu quero te falar, é de vida mesmo. Dizem que a minha começou (e é sempre importante começar do começo, quando não se sabe o que dizer) num banco de praça em Lumiar. Eu acho um bom lugar para ser concebida, não o banco de praça, claro, me parece meio desconfortável, mas Lumiar. Além do mais, lareiras são bem românticas, embora imagino que tenham sido descartadas no meu caso.

Eu nasci nove meses depois, ou não sei quantas semanas depois, não importa, o fato é que nasci. Pesava determinados quilos e media alguns centímetros. Não era alta para um bebê, assim como não sou agora, embora meu pé tamanho 40 indicasse o contrário aos 11 anos. Meu parto foi todo fotografado e até hoje aquelas fotos servem de consolo para a minha decisão de não ter filhos. Não consigo imaginar cena mais deprimente do que aquele sangue todo e um cordão verde de aparência nojenta prendendo duas pessoas que nem sequer escolheram estar nesta situação. Bem, pelo menos uma das duas não escolheu, no caso eu.

Meu album de bebê me diz que nasci com os olhos cinzas, os cabelos pretos e a pele rosa. Me diz também que eu era "linda, gulosa e careteira", o que me faz crer que certos atributos são definitivamente genéticos. Por ele também sei que sorri pela primeira vez aos seis dias de vida e me sentei sozinha e fiquei em pé no mesmo dia, aos sete meses. Mas o mais importante do meu álbum de bebê é que só por ele eu sei o nome dos meus bisavós paternos. Com certeza a mãe não tinha noção da importância que teriam aquelas cinco linhas numa árvore genealógica de uma filha recém-nascida. Do pai sobraram umas fotos velhas na pia batismal, dos avós somente uma linha. Um nome num álbum vermelho, presente de tios distantes. O resto a imaginação teve que dar conta de suprir.

Era sobre família que eu queria te escrever, mas sempre me dou conta de que não tenho muito a dizer. Precisaria te pedir uma melhor definição desta palavra. Posso dizer que ela é enorme, ou que não é nenhuma. Depende do otimismo do interlocutor. A primeira vez que pensei nisso foi aos onze anos. Na verdade não fui eu que pensei, pensaram por mim. Foi minha primeira crise depressiva, embora eu não soubesse o nome que se dava quando os pensamentos fogem do controle do próprio cérebro. Um dia você não consegue mais terminar um pensamento e ele te consome inteira. Minha mãe achou que eu precisava de um médico e o médico achou que eu precisava de um pai. Eu achei que não precisava de nenhum dos dois, e melhorei. Desde esse dia mais pensamentos me consumiram, mais pessoas acharam que eu precisava de um médico e mais médicos acharam que eu precisava de um pai. Eles quase me convenceram. Foi assim que eu me vi numa tarde qualquer de um dia qualquer com um telefone na mão (em uma daquelas cinco linhas tinha um nome diferente demais para ter dois iguais na lista telefônica), dizendo "Oi, sou eu, sua filha." Não tinha nada de diferente no meu coração, só o nervo na testa pulsava, pra me lembrar que querendo ou não, eu continuava viva. Pensei o que eu faria se alguém me ligasse mais de vinte anos depois, quantos erros pesariam na minha cabeça ao ouvir uma voz de alguém que não fazia idéia de que rosto tinha. Silêncio certamente seria a resposta.

O silêncio não durou mais do que o tempo do arrependimento chegar, mas quando não se tem nada a ganhar, nada se pode perder. Meus ouvidos captaram o pedido de que eu desse meu telefone e o aguardasse ligar outro dia, e tiveram a certeza de que este dia jamais chegaria. Mas eu estava enganada, o destino não é tão generoso. O que é ruim sempre pode piorar, e ele ligou de volta no dia seguinte. A surrealidade tomou conta da conversa. Não existe um protocolo ou um check-list que te digam o que deve ou não falar para alguém que você não vê há vinte e três anos (e tinha a capacidade de uma minhoca para guardar uma imagem) e que por destino ou acaso tem seu nome na carteira de identidade logo abaixo do seu.

Sempre fui boa para exercícios de futurologia, minha imaginação é um poço quase sem fundo de surpresas, mas para este assunto nunca a estimulei, masoquismo não é minha parafilia preferida. Meus presentes de Dia dos Pais feitos na escola eu dava para a minha avó, e no resto eu teria sempre metade dos problemas dos outros. Mas ao ouvir a voz dele era impossível não imaginar a sua cara, sempre tive vontade de saber de quem herdei esse nariz enorme, e fiquei feliz ao saber que ele estava morando bem longe de mim, depois que comecei a terapia fiquei com medo de acabar dando em cima dele num balcão de bar. Sim, você sabe, eu sou um prato cheio para os pseudo-psicólogos de plantão, e para Freud, claro. Mas Freud era tarado. Aliás, todos eles o são, a diferença é que Freud era um tarado complexado. Não precisei me dar um trabalho muito grande em imaginar a cena do nosso encontro, ele nunca aconteceu. Depois de duas horas de conversa e a promessa de que iríamos nos encontrar na Semana Santa, desliguei o telefone com uma sensação aliviante de que tinha feito a minha parte. Por sorte a vida me deu experiência suficiente para saber que uma vez covarde, sempre covarde. Eu tinha rolado os dados mas não poderia andar com o peão dele. Ele nunca mais ligou e eu pude tirar um sarro com minha terapeuta, era a sua única cliente abandonada pelo pai duas vezes.

Nesse mesmo dia resolvi me dar alta da terapia, ninguém além de mim seria capaz de me ensinar a conviver com meus problemas. E, acredite, ausência de influência paterna pode ser um problema para Freud, mas não para mim. Desde pequena aprendi que fantasmas não podem causar dano algum às pessoas. Os vivos é que são perigosos.

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5.4.08

Tem coisas que só acontecem ao Botafogo...

Não, eu não vou falar de futebol, embora este assunto me agrade muito e eu até entenda bastante sobre ele. Bem, por bastante eu quero dizer mais do que os homens julgam ser capaz uma mulher.
Mas, enfim, essa foto só está aí porque ela é boa mesmo. E porque aqui no Rio há um ditado que diz que existem coisas que só acontecem com o Botafogo. Alguns amigos meus acrescentariam, "e com Natalia".
Essa minha inclinação para eventos insólitos me garantem algumas boas histórias, e muita aporrinhação para contá-las em horas das mais impróprias. Estava pensando nisso porque na semana passada alguns amigos ligaram me chamando pra conversar porque estavam tristes e precisavam se animar. É fato que tenho algumas historinhas reservadas para esses dias, mas a maioria já se tornou lenda. Isto aconteceu na Nova Zelândia, ou, como diria um conhecido, são coisas Jamais Vistas in The World.
E como quem conta um conto sempre aumenta um ponto, de vez em quando eu conheço algum amigo de um amigo que me vem com aquela cara: Ah, você é a fulana que... E blá, blá, blá, eu me vejo fugindo de uma penca de ladrões pulando num pé só, chupando cana e assoviando enquanto fumava meu Marlboro calmamente.
Algumas dessas histórias eu já contei por aqui, travestidas de contos, poemas e com nomes alterados, claro, mas que eu duvido que alguém tenha acreditado que não eram protagonizadas por mim. Algumas pessoas associam bizarrices cotidianas comigo. Por que será?
Uma das histórias que mais gosto é a do banho de chuva. Provavelmente escrita ela não vai ficar tão engraçada, até porque não tenho essa habilidade rara de fazer uma narrativa escrita ser tão interessante quanto uma oral. Por isso vou pedir que vocês imaginem as caras e bocas que eu pedir e ouçam os barulhos que eu sugerir, ok?
Vamos lá. Imaginem um Domingo de verão, à tarde, 40 graus infernais, você em casa, digo, eu em casa, vendo Caldeirão do Huck, pós almoço. Barriga estufada, aquele leve farfalhar de folhas (redundante?) misturando seus sons ao leve chacoalhar dos gases internos. Eu e uma amiga sentadas no chão do apartamento, quase derretendo de tanto suar. De repente começa a chover. Não sei quem deu a idéia de tomar banho de chuva, só sei que ela foi prontamente aceita. Corremos pra colocar nossas roupas de banho de chuva (nada de roupa branca, o lance é tomar banho de chuva e não fazer uma exibição pornô gratuita), descemos as escadas (quatro lances) correndo, abrimos o portão, chegamos na rua e... a chuva parou.
Agora, senhores, imaginem duas mulheres em suas melhores roupas de banho de chuva, salteadas de pequenos pingos vexaminosos, subindo as escadas lentamente até prostarem-se novamente no chão da sala, almadiçoando a maldita idéia (dessa vez redundante mesmo, para expressar melhor a raiva) de ter feito todo um esforço descomunal para NADA. Imaginaram? Desolador, não é? Enfim, o calor aumentou bastante depois da chuvinha que só fez o vapor quente circular. Quando anoiteceu eu resolvi visitar minha mãe e minha tia que moravam no quarteirão ao lado, só pra dizer que fiz alguma coisa durante o dia. Fui, fiquei um tempo e quando voltei, ah, e quando voltei... O vento deu seus primeiros sinais. Veio aquela brisa fresca na cara, e de repente, o mundo caiu. Aquela chuva avassaladora, e eu só conseguia rir pensando "Ah, eu tomei banho de chuva, ela não tomou..." (imaginem uma cara sádica de criança no jardim de infância gritando e zuando o amiguinho com cara de trouxa). Com esse sadismo e felicidade interiores estava eu andando pela rua, cantarolando I'm singing in the rain, quando me apareceu um sujeito de bicicleta, guarda-chuva (???), dizendo:

_ Isso é um assalto! Passa tudo pra cá.

Ao que eu prontamente respondi:

_ Querido, desculpa, mas agora não dá, tô tomando meu banho de chuva.

O cara ficou meio desnorteado com a minha resposta e eu continuei cantarolando pela Lara Vilela. Uns dois metros depois o cara reaparece:

_ Acho que você tá zuando com a minha cara.
_ Eu? Imagina. Só que você está atrapalhando meu banho de chuva.
_ Tá vendo aquele cara ali? É meu irmão. Ele tá assaltando aquela moça.

Bem, a tempestade já estava caindo mesmo, então vocês agora podem imaginar aquela musiquinha de suspense, saca? Eu olhei pra frente e vi um cara igual ao outro (se eram irmãos eu não sei, mas duas pessoas de casaco, bicicleta e guarda-chuva são idênticas em qualquer lugar) com uma arma enorme na mão falando algumas coisas pra uma menina. Não sei o que deu em mim naquela hora, mas eu olhei pro lado contrário do lugar onde estavam os caras, vi a rua vazia, e disse ao garoto:

_ Olha só, eu já disse que tô tomando banho de chuva, ok? Você está estragando meu barato.

E saí correndo, confiante na falta de reação que uma atitude louca e babaca daquela ia causar no cara. Dei uma volta gigantesca pra chegar em casa, subi as escadas correndo, nervosíssima. Aí minha amiga virou-se pra mim e perguntou o que houve. Eu respondi:

_ Ah, eu tomei banho de chuva, você não tomou... Lá lá lá lá lá lá. E, indo pro quarto trocar de roupa: _ Ah, tentaram me assaltar também, mas isso é só um detalhe!!!!

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2.4.08

Viva o que é bom!

Quando estiver cansado ou com sede, reanime-se...



Via Casa do Kct

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1.4.08

Contagem Regressiva

Ela sabia que a depressão estava a caminho. Sempre começava com um porre na noite anterior, uma dormência no cérebro, uma dor na cabeça, como se a culpa tivesse um peso maior do que deveria ter. O processo era sempre o mesmo, mas isso não fazia com que ele fosse menos doloroso. Uma bolha prestes a explodir. Sangue. A febre lhe consumia o corpo, provocando suores intermináveis. O calor do corpo evaporando, condensando-se em contato com a pele. Umidade.

Deixava ela chegar bem devagar, tomando conta de toda a sua fragilidade. Era como um ventro frio entrando silenciosamente pelas frestas da parede de madeira ajambrada. Parede que ela jamais tinha conseguido eregir corretamente. Sempre que parecia sólida o suficiente para lhe proteger, e também sufocar, dava um jeito de destruir um pedaço e recomeçá-la meio torta. Sentia vontade de largar tudo todos os dias, certamente uma fuga, mas no fundo queria uma segunda chance para recomeçar, sem conhecer ninguém, sem ter defeitos expostos, verdades descobertas, mentiras recontadas e revividas.

A dor a consumia por um dia inteiro, uma dor que não sabia de onde vinha, mas agradecia por durar tão pouco. Não conseguiria sobreviver a muitas horas imersa na obscuridade dos seus pensamentos. Se apossava da inércia como alavanca para o dia seguinte. Era assim que vivia, um dia fazendo o próximo ter sentido. E quando achava o sentido a dor voltava, avassaladora.

Ainda tonta da roda gigante dos seus sentimentos, levantou-se e procurou uma caixa no armário. Tirou a tampa e passou a admirar cada uma das miudezas que tinha colocado ali durante a última semana: algumas fotos importantes, poemas, cartas, recados, enfim, quinquilharias que formavam o relicário da sua vida. Pegou um caderno e anotou algumas palavras em páginas espalhadas, com o cuidado de deixar exatamente o mesmo número de páginas em branco entre elas. Marcou uma data no calendário, devolveu o caderno à caixa, pegando em seguida o livrinho de capa azul com cheiro de traça. Retirou cuidadosamente as medalhas acumuladas pela família que estavam dentro dele, símbolos de fraqueza e genética, abriu na página que queria e leu, em voz alta:

Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar

Quando se marca o dia da partida, não importa o que vai ficar para trás.

Coragem para modificar aquelas que posso

Mais do que coragem, é preciso tempo. Acertar a hora da partida, nem um dia a mais, nem um dia a menos.

E sabedoria para distinguir umas das outras

Só hoje, por mais alguns dias.

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Não precisa de título.

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