5.4.08

Tem coisas que só acontecem ao Botafogo...

Não, eu não vou falar de futebol, embora este assunto me agrade muito e eu até entenda bastante sobre ele. Bem, por bastante eu quero dizer mais do que os homens julgam ser capaz uma mulher.
Mas, enfim, essa foto só está aí porque ela é boa mesmo. E porque aqui no Rio há um ditado que diz que existem coisas que só acontecem com o Botafogo. Alguns amigos meus acrescentariam, "e com Natalia".
Essa minha inclinação para eventos insólitos me garantem algumas boas histórias, e muita aporrinhação para contá-las em horas das mais impróprias. Estava pensando nisso porque na semana passada alguns amigos ligaram me chamando pra conversar porque estavam tristes e precisavam se animar. É fato que tenho algumas historinhas reservadas para esses dias, mas a maioria já se tornou lenda. Isto aconteceu na Nova Zelândia, ou, como diria um conhecido, são coisas Jamais Vistas in The World.
E como quem conta um conto sempre aumenta um ponto, de vez em quando eu conheço algum amigo de um amigo que me vem com aquela cara: Ah, você é a fulana que... E blá, blá, blá, eu me vejo fugindo de uma penca de ladrões pulando num pé só, chupando cana e assoviando enquanto fumava meu Marlboro calmamente.
Algumas dessas histórias eu já contei por aqui, travestidas de contos, poemas e com nomes alterados, claro, mas que eu duvido que alguém tenha acreditado que não eram protagonizadas por mim. Algumas pessoas associam bizarrices cotidianas comigo. Por que será?
Uma das histórias que mais gosto é a do banho de chuva. Provavelmente escrita ela não vai ficar tão engraçada, até porque não tenho essa habilidade rara de fazer uma narrativa escrita ser tão interessante quanto uma oral. Por isso vou pedir que vocês imaginem as caras e bocas que eu pedir e ouçam os barulhos que eu sugerir, ok?
Vamos lá. Imaginem um Domingo de verão, à tarde, 40 graus infernais, você em casa, digo, eu em casa, vendo Caldeirão do Huck, pós almoço. Barriga estufada, aquele leve farfalhar de folhas (redundante?) misturando seus sons ao leve chacoalhar dos gases internos. Eu e uma amiga sentadas no chão do apartamento, quase derretendo de tanto suar. De repente começa a chover. Não sei quem deu a idéia de tomar banho de chuva, só sei que ela foi prontamente aceita. Corremos pra colocar nossas roupas de banho de chuva (nada de roupa branca, o lance é tomar banho de chuva e não fazer uma exibição pornô gratuita), descemos as escadas (quatro lances) correndo, abrimos o portão, chegamos na rua e... a chuva parou.
Agora, senhores, imaginem duas mulheres em suas melhores roupas de banho de chuva, salteadas de pequenos pingos vexaminosos, subindo as escadas lentamente até prostarem-se novamente no chão da sala, almadiçoando a maldita idéia (dessa vez redundante mesmo, para expressar melhor a raiva) de ter feito todo um esforço descomunal para NADA. Imaginaram? Desolador, não é? Enfim, o calor aumentou bastante depois da chuvinha que só fez o vapor quente circular. Quando anoiteceu eu resolvi visitar minha mãe e minha tia que moravam no quarteirão ao lado, só pra dizer que fiz alguma coisa durante o dia. Fui, fiquei um tempo e quando voltei, ah, e quando voltei... O vento deu seus primeiros sinais. Veio aquela brisa fresca na cara, e de repente, o mundo caiu. Aquela chuva avassaladora, e eu só conseguia rir pensando "Ah, eu tomei banho de chuva, ela não tomou..." (imaginem uma cara sádica de criança no jardim de infância gritando e zuando o amiguinho com cara de trouxa). Com esse sadismo e felicidade interiores estava eu andando pela rua, cantarolando I'm singing in the rain, quando me apareceu um sujeito de bicicleta, guarda-chuva (???), dizendo:

_ Isso é um assalto! Passa tudo pra cá.

Ao que eu prontamente respondi:

_ Querido, desculpa, mas agora não dá, tô tomando meu banho de chuva.

O cara ficou meio desnorteado com a minha resposta e eu continuei cantarolando pela Lara Vilela. Uns dois metros depois o cara reaparece:

_ Acho que você tá zuando com a minha cara.
_ Eu? Imagina. Só que você está atrapalhando meu banho de chuva.
_ Tá vendo aquele cara ali? É meu irmão. Ele tá assaltando aquela moça.

Bem, a tempestade já estava caindo mesmo, então vocês agora podem imaginar aquela musiquinha de suspense, saca? Eu olhei pra frente e vi um cara igual ao outro (se eram irmãos eu não sei, mas duas pessoas de casaco, bicicleta e guarda-chuva são idênticas em qualquer lugar) com uma arma enorme na mão falando algumas coisas pra uma menina. Não sei o que deu em mim naquela hora, mas eu olhei pro lado contrário do lugar onde estavam os caras, vi a rua vazia, e disse ao garoto:

_ Olha só, eu já disse que tô tomando banho de chuva, ok? Você está estragando meu barato.

E saí correndo, confiante na falta de reação que uma atitude louca e babaca daquela ia causar no cara. Dei uma volta gigantesca pra chegar em casa, subi as escadas correndo, nervosíssima. Aí minha amiga virou-se pra mim e perguntou o que houve. Eu respondi:

_ Ah, eu tomei banho de chuva, você não tomou... Lá lá lá lá lá lá. E, indo pro quarto trocar de roupa: _ Ah, tentaram me assaltar também, mas isso é só um detalhe!!!!

Um comentário:

Patolinus - O Pato! disse...

"querido, agora não dá..."

vou usar essa!!!