13.5.08

Devaneios e diálogos madrugais...

Metamorfose

do Gr. metamórphosis, mudança de forma
s. f.,
transformação;
modificação;
Zool.,
mudança de forma ou estrutura, mais ou menos profunda,
que sobrevém durante a vida de certos animais,
principalmente dos insectos e dos batráquios;
transfiguração;
mudança;
transformação física ou moral.


_ Boa noite.
_ Eu reluto em dizer essas duas palavrinhas sádicas. Noite boa pra mim é acordado. E eu nem lembro dos meus sonhos. Merda! Quase uma catátrofe.
_ Que nada, escreve sobre isso e publique.
_ Tô cansado de escrever, escrever e escrever sem sentido. Cansado. Talvez mais alguma coisa e nunca mais...
_ Vai se matar?
_ Já estou em contagem regressiva. Mas é uma morte simbólica, não sou dado a espetáculos suicidas. Gosto das coisas mais simples: Mata-se o que é ruim, e faz nascer outra coisa melhor. A vida é assim para alguns, uma eterna metamorfose. Nada mais lindo...

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."

_ Assim diria Raul Seixas.
_ Tô mais pra Kafka do que pra Raul hoje.

"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos."

_ Raul tinha tudo de Kafka, mas com um baseadinho na mão.
_ Que nada, Raul era até bem lúcido às vezes. O chato dessas pessoas mutantes e visionárias é que elas morrem antes. Um dia elas se metamorfoseam em algo que não aguenta o mundo e então, adeus. Partem de vez.

"É tão estranho, os bons morrem jovens
Assim parece ser quando me lembro de você
Que acabou indo embora, cedo demais
- Vai com os anjos, vai em paz
Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade
Até a próxima vez, é tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você e de tanta gente
Que se foi cedo demais"

2 comentários:

Samoça disse...

Olá Nat,

Adorei... pra variar.
Mas... para mim, Raul Seixas nunca conseguiu ser metamorfose ambulante. Sempre a mesma música... um rockizinho balada... sempre a mesma mosca na sopa... não conseguiu deixar a barata cair na sopa.
Viva Kafka.
Beijos.

Nat disse...

Hahahahah Samoça, o Raul tinha lá seus créditos. Talvez a pareceria com o Paulo Coelho tenha deixado ele bitolado ;- ) Admito que mantenho antipatia antiga pelo segundo citado acima.
Vale ler o livro O Baú do Raul, tem pérolas manuscritas, inéditas, muita coisa interessante...