18.6.08

Furta-Cor-Ofusca

Às vezes eu olho pro céu
e vejo uma semente piscante,
além, vejo um buraco furta-cor,
me roubando a cor dos seus olhos.
Talvez por isso eles (seus) sejam negros.
O piscante não é ofuscante,
por mais que rimem.
É um grãozinho, grão, pequenininho,
gigantesco em seu piscar.
Fecha os olhos, lamenta.
Abre os olhos, lamenta.
Piscam os olhos, semente.
Semente que olha, vidro,
de cor furtada.
Ofuscada.

7 comentários:

Samoça disse...

Oi Nat,

Gostei tanto...
Beijo.
:)

Brancaleone disse...

Não gosto de poesia. Ative-me a Augusto dos Anjos, João Cabral e uns outros poucos.
Poesia para mim são como telas pequenas para grandes pinturas. A posia limita, ordena e estabelece regras aos textos e textos não podem ter limites nem regras.
Sem querer ofender mas talvez ofendendo, usar recursos de métrica, rima e ritmo para valorar textos muitas vêzes desinteressantes é coisa que não faço.

Nat disse...

Branca, vc não ofende, por ter certeza.

Aliás, a falta de métrica, rima e ritmo muitas vezes me impede de escrever algo verdadeiramente bom. Não consigo me ater aos espaços pré-determinados.

Bjs

Pax disse...

Já gosto um bocado de poesia. Até das parnasianas. Desde que digam algo bem dito.

Samoça disse...

Oi Nat,

Eu aprecio a linguagem poética... a poesia é sempre bem vinda em outras línguas... na minha língua... do lugar onde vivo, viva... para onde deslocada, me desloco... e tudo mais.

:)

El Torero disse...

Eu gostei...

Olhos sempre cabem em poesia, e olhos, não sei porque, remetem ao vidro.

"Me quebrou o vidro dos olhos
me fez chorar, me fez chorar
quem o vidro dos meus olhos
vai agora remendar..."

Pax disse...

pra você, poetinha querida...
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Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento…

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

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Florbela Espanca