6.7.08

Prisma


Poucas pessoas que convivem comigo sabem que eu tenho um blog. Muito poucas sabem da minha "second life". Quase ninguém faz idéia de como é a vida virtual, muitos acham ridículo, vários acham perda de tempo. Eu não.
Mas o que de fato me interessa é que pra cada pessoa eu sou uma pessoa diferente, mesmo que eu mantenha um padrão ligeiramente parecido em lugares ligeiramente parecidos. Dentro do meu trabalho, uns me conhecem como uma pessoa e outros me conhecem além desta pessoa que represento lá.
Existem algumas pessoas que despertam em mim um personagem, ou um lado real de eu mesma, que nem eu mesma conhecia. Essas pessoas, e eu nem sei porquê, acabam acumulando uma série de reações minhas que eu não costumo ter com outras. Isso não me incomoda, mas intriga. Dizem que a primeira impressão é a que fica, mas eu acho que a impressão repetida é a que permanece de verdade...
É possível rotular qualquer um à primeira vista, mas a confirmação de um detalhe analisado da primeira vez que você a conhece é que faz a pessoa ter algum significado pra você.
Sei que de manhã eu sou a moradora do 502 pro meu porteiro, na hora do almoço eu sou a moça que gosta de comer rolinho de camarão e carne com batata para a atendente do China in Box, à tarde eu sou a moça que come pão na chapa com coca-cola para a caixa da lanchonete, à noite eu sou a que gosta de beber Bohemia pro garçom do bar.
O legal dessas multi-perfomances é que eu sou cada uma dessas moças numa moça só. Eu sou parte de tudo isso e tudo isso é parte do que eu sou hoje... Não abro mão de nenhuma das minhas facetas. Elas me pertencem e sem elas eu não sou feliz...

4 comentários:

Pax disse...

lindo texto Nat, lindo !

zig disse...

Nat, passei por aqui visitando o seu blog e encontrei este texto especialmente bonito. Bonito e especial, mesmo.

Aproveito para dizer que para mim, além de todas essas moças bacanas, você é a mulher sensível que escreve umas coisas no Pax que nos fazem parar e refletir e achar que vale a pena viver.

Seja feliz, minha amiga, deixando que o acaso lhe surpreenda a cada dia.

Clara disse...

Segundo Max Weber, nós somos perfeitos "actores sociais" porque ao longo da via desempenhamos diversos papéis consoante a situação onde estamso emergidos. Eu concordo plenamente com o mestre, porque, tal como tu, eu tenho inumeras facetas. Estas facetas, às vezes, aparecem no meu blog, outras vezes, são facetas que estão bem escondidas de toda a gente. E por vezes, facetas que na realidade nem existem. Mas é por isso que o blogue é tão interessante e sedutor, porque torna-se um jogo onde conciliamos estas tres estruturas num só espaço.

Beijo

Gwyn disse...

Nat...
mais uma a gostar muito do seu texto...
Lendo e refletindo, eu sempre me pego pensando da mesma forma, principalmente quando "me escuto" falando na linguas diferentes, portugues, ingles e espanhol...( no meu trabalho falo as tres constantemente) e ai vejo que para cada uma das linguas faladas (e escutadas) eu sou uma pessoa diferente....uma voz diferente, um tom de voz diferente...