27.8.08

Apenas mais uma carta...

Oi

Oi

Não sei por onde começar...

Pelo começo, sempre :- )

Primeiramente agradecerei os elogios. Sem elogios e críticas construtivas jamais alcançaremos o degrau mais elevado do processo evolutivo. Este é, para mim, primordial.

Elogio não se deve agradecer, é dado por carinho, por vontade!!

Quanto ao ressurgimento da Fênix... A vida tem dessas coisas. Difíceis de serem explicadas tão somente através da razão. Encontros e desencontros sempre acontecerão, pois fazem parte dessa trama, dessa teia de relações que origina a vida em sociedade. Há uma espécie de programação a ser rigorosamente cumprida, observada ou manipulada ao bel prazer, para o alcance da satisfação momentânea e/ou a plena felicidade [desconheço a existência de tal dádiva]. Muitos caminhos ou trilhas são possíveis, até o encontro da clareira e, por fim, ao nosso próprio destino [será q isto tb existe?].

Acredito em destino sim, e acredito também que a plena felicidade é passível de ser conseguida... Tudo depende do quanto queremos alcançar para sermos felizes...

Todos possuímos vícios e virtudes, inclusive os mais sábios homens deste planeta. Não deveis julgar as tuas aptidões e a própria capacidade de discernimento das coisas [certas x erradas], pois não há verdade absoluta. Há apenas uma verdade, uma vontade. Aquela de todo e qualquer indivíduo que virá sempre [ou quase ] acima de tudo, a qualquer tempo. Por isto, és merecedora de minha compreensão e amizade. E claro, também pelos vícios e virtudes...

Tenho vícios e virtudes, com certeza, como todo mundo, mas sou muito mais guiada pelas minhas vontades!!! Impulsividade, eis o meu nome...

Saiba de uma coisa...As mágoas existiram em um momento da vida. Entretanto, todos temos a capacidade e a oportunidadede superá-las. Muitos desconhecem, poucos conseguem. Felizmente alcancei a compreensão necessária para aquele momento. Não poderia ser diferente...Lembra-te daquele fatídico dia? A memória está em dia... Perguntei-lhe: "- É o que queres?" E complementei, com voz trêmula e os olhos cheios d’água: "- Então, que seja feita a VOSSA VONTADE". Veja... Sou contra sofrimento prolongado e desmedida compaixão. Por isso, o fim era inevitável. Jamais ficaria em oposição à tua vontade. Ela é e foi soberana. Na época, lamentei, compreendi mas relutei no q concerne à aceitação. Esta surgiu adiante, após muita reflexão. Sobre meus atos falhos, claro...

É legal a reflexão e a compreensão... Mas acho perigoso o aceitamento da situação só depois de refletir sobre seus próprios atos falhos... Ou seja, falando claramente, me preocupa o fato da aceitação não vir apenas porque o outro teve vontade, ou o outro quis que acabasse... Não, ela vem porque você errou em algum momento que fez que ela decidisse aquilo... Não sei se é assim que você pensa, mas é assim que parece, de vez em quando, mas como também isto é uma carta, fica difícil dar interpretações, porque as palavras não tem entonação!!! Mas se for assim, eu queria te dizer que não acho que você tenha feito nada demais para que eu quisesse terminar com você. Você não se abriu de todo, é verdade, mas acho que isso também não é responsabilidade só sua, eu te travava também... Isso puxa muito o assunto do desgosto que você vai me perguntar mais ali embaixo... Eu não sinto culpa, somente desgosto no sentido de achar que não aproveitei você da maneira correta, que passamos muito pouco tempo juntos e eu poderia ter aproveitado mais... É isso!

Mencionaste "nunca tive culpa, mas um certo desgosto, só isso". Poderia dizer o motivo? Meu objetivo não é forçar a barra, contanto que sacie minha curiosidade. :-)Verdade seja dita... Enfrentamos muitas adversidades e provações. Embora os sentimentos se mantivessem inabaláveis, naquela época. Talvez fossem deturpados, mal interpretados ou até pouco compreendidos. Falo por mim... Francamente, eu não estava preparado. Nunca estive...Serei um eterno aprendiz. [Con]vivendo e aprendendo... Comecei a frequentar a internet, fiz algumas boas amizades, sempre lembrava de suas visitas ao servidor e de vez em quando aparecia lá, inclusive nos canais que você frequentava. Memória de professor é semelhante aos processadores Intel, percebes? Constantemente nos esbarrávamos. Na rua, nas barcas, nos bares... A coragem faltou para ti. Para mim, sumiu totalmente. Considerava minhas falhas como causadoras de tudo. Lembre-se, foram muitas...Recordaste um episódio que exemplifica bem as palavras transcritas acima. Naquele bar, quando soube de sua presença, fiquei calado e atônito. Afinal, a superação e remissão por minhas falhas não haviam se dissipado. Mal coordenava as palavras durante a prosa com amigos. Naquela noite, amigos escolhiam possível repertório de covers. Percebendo a morbidez de minha participação, ele pergunta [bendita e/ou maldita, para eles]: "- E aí cara, o que sugeres? Lacônico, respondi: "– Sixteenth Century Greensleeves, do Rainbow." [banda hard 70’s, da qual sou fã há alguns anos] Eles apavorados e estupefatos [também fãs mas pouco corajosos a “profanarem” tal música]: "– Caralho, boa cara." Um amigo: "- Porra, essa foi foda." Resumindo... Fiquei aliviado, mais participativo ou “sociável”. A noite prosseguiu, normalmente. Apesar do esforço, da empolgação inicial, eles nunca tocaram esta música de refrão forte...hehehe No entanto, quando voltei meu olhar, percebi sua partida. Não vi mais você... Devo salientar que, apesar dos pesares, o tempo foi fundamental para a reflexão e a superação. O relativo desapego [mentiraaaaaaa, isso não existe] constituiu-se em um aspecto positivo para aquele momento. Sempre soubera de minha conduta e que jamais haveriam ameaças ou perseguições. E esta se mantém indissociável de minha personalidade até os temposatuais. A felicidade quase sempre não reside em nossos corações egoístas [queiramos ou não, muitas vezes assim procedemos], que julgam-se arbitrariamente acima do bem e do mal. Ela está na beleza, na contemplação da vida. :-) Jamais esqueci ou esquecerei os momentos vividos. Fazem parte de meu relicário, minha antologia, minha biografia pessoal. Constituem-se parte integrante de minha consciência, que carregarei até a finitude [ou imortalidade, quem sabe?] Gostei da tua idéia...Brevemente relatarei minhas aventuras, peripécias e os eventos inusitados. Prepara-te!!! Voltei com tudo.
:-)

Mantenha contato
Beijos
Te cuida
eu.

Nada mais a dizer, despeço-me também
Mantenho contato
Beijos
Me cuido
eu.

8 comentários:

Samoça disse...

Oi Nat,

Senti sua falta...
E como sempre... muito bom.
Adorei!!!
Beijo.
:)

tropeirooculto disse...

Alguém já viu uma folha se desprender e flutuar numa viagem de destino previsível?
Alguém já desconfiou de seus sentidos em pleno deslumbramento do sol?
Eu que sempre desconfiei de tudo, me rendi ao absurdo e sonâmbulo pelas ruas busco um sonho.

tropeirooculto disse...

A mentira dormia ao seu lado
A mentira velava suas noites
A mentira te deu uma chance na vida
A mentira esquentava seu café
A mentira puxava os cachos de seus cabelos
A mentira sangrava seu trabalho
A mentira era tudo
A mentira te deu todas as chances
A mentira era você mesma.

tropeirooculto disse...

Eu, Rodolfo Mondolfo, serei o poeta da Natinha.

Anônimo disse...

Natinha, cometo poesias com um canivete cortando a alma de quem tem olhos insones. Beijocas.

Dan disse...

Você teve um romance com o professor?

Nat disse...

Com UM professor, não com O professor...

eu disse...

Naquele dia, se havia um tempo passado,
meu tempo elíptico era retorno
eu fui
Naquele dia, quis desfazer uma sentença,
quem sabe uma presença,
fora do tempo
eu fui
Naquele dia, sem pudores ou constrangimentos,
sem mãos tapando a cara,
eu fui
Naquele dia, senti desfazer por dentro,
os medos de uma menina,
que não são mais dessa moça que agora...
já não foge...
eu fui.