20.12.09

15 anos depois...






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18.12.09

Desejos de ano novo...

Fiz a minha lista de Resoluções pra 2010:

10 - Comprar um Wii.
9 - Encher o pneu da bicicleta que passou 2009 inteiro vazio...
8 - Eliminar a Ruffles da minha vida...
7 - Conseguir acordar pras aulas de yoga de manhã.
6 - Desligar o computador ao dormir e não ligá-lo ao acordar.
5 - Não tomar coca-cola no almoço. (e nem no café da manhã, no lanche, no jantar, na ceia, de madrugada...)
4 - Voltar a ler mais de um livro por semana.
3 - Passar menos de 10 horas trabalhando.
2 - Não gastar tanto dinheiro com coisas que tenham botão de Liga/Desliga ou ser apresentada ao botão desligar delas.
1 - Parar de fazer listas que não servem pra nada.

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Como o tempo passa rápido...

Eu estava aqui pensando em escrever como vai ser reencontrar meus amigos de 10, 15 anos atrás amanhã e nas expectativas e frustrações que esse encontro é capaz de gerar quando recebi um texto, por e-mail, que resumiu muito do que eu estava pensando...


"Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia (...) no espelho esta cara já não é minha..." (Nando Reis e Arnaldo Antunes)

Os anos passam e cada um de nós vivencia esta passagem à sua maneira. A letra da música fala de situações desta tomada de consciência e da constatação de como o tempo age sobre nossa aparência. Rever velhos amigos é outro destes espelhos. Porque é outro encontro inevitável com o tempo, quando nos damos conta de que não vemos uma pessoa ou freqüentamos um lugar há 10, 20 ou 30 anos. Isso nos faz exclamar: "Parece que foi ontem, como o tempo passou rápido!"

Muitos de nós usam esta constatação para buscar reencontrar estes velhos amigos e lugares. Se você é do tipo que toma iniciativa, talvez já tenha feito uma visita ao bairro da sua infância, à escola que estudou, procurou aquela pessoa que nunca saiu do bairro e tem notícias de muita gente. Mas estas ações demandam disponibilidade de tempo e muitas vezes de dinheiro, já que estes locais podem estar muito distantes de onde você mora ou trabalha na atualidade.

TÃO LONGE, TÃO PERTO

A partir da crescente popularização da internet e dos sites de relacionamento, reencontrar aquela turma gostosa da infância, da adolescência ou da juventude tornou-se uma tarefa muito mais fácil! Basta buscar nomes e lugares e uma rede vai se abrindo, conectando você tanto aos velhos amigos que na época eram muito próximos, quanto a pessoas que às vezes você nem se lembrava de ter conhecido. Este momento de descoberta geralmente vem acompanhado de uma grande excitação e entusiasmo! Planejamos nos encontrar, propostas aparecem de todos os lados, mas muitas vezes o encontro real não acontece. E o tempo volta a passar muito, muito rápido...

Porque deixamos estes encontros para depois? Porque não criamos um sentido de urgência e acabamos adiando este reencontro para um momento ideal, quando a vida estará mais tranqüila, quando não temos outros compromissos... ou seja, para um dia que todos sabemos que não chega nunca? Talvez porque, às vezes, estejamos tentando fugir é de um encontro conosco mesmos, de nos olharmos com outros olhos e de descobrirmos que pouca coisa mudou em nossa verdadeira essência.

Encontro com velhos amigos pode ser um espelho que te mostra para você mesmo. Ao encontrá-los fazemos necessariamente um balanço do que temos vivido! Falamos dos relacionamentos que construímos ou não, do trabalho que exercemos e acabamos nos questionando sobre nosso nível de satisfação com a vida. E isso é muito bom!

Quando você se permite este reencontro com quem você foi um dia, percebe que no seu íntimo esta pessoa vive como se o tempo não tivesse passado, cheia de entusiasmo, de esperanças, muito mais impulsiva e determinada, disposta a conquistar a felicidade. E você tem a escolha de abrir espaço para que tudo isso continue presente na sua vida!
Autora: Kátia Leite, naturóloga.

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6.12.09

Paixão

Não nego, sou uma mulher apaixonada por futebol. Acho que é genético e vem lá da minha bisavó que era flamenguista fanática e colecionadora ferrenha dos álbuns da Revista Placar. Dona Zilca sentava-se na sala, com a recém-comprada TV na frente e um radinho no ouvido, mas vocês se enganam se pensam que era para ouvir pelo rádio a narração do jogo transmitido na tv, ela queria era ouvir dois jogos ao mesmo tempo, apaixonada que era pela arte de conduzir a bola, seja por que time for...


Já comentei sobre futebol algumas vezes por aqui, mas quando me desafiaram a escrever sobre as oito coisas que faria antes de morrer, escolhi, entre outras coisas, fazer um gol de barriga aos 47 do segundo tempo, pelo Flamengo (é claro) em um maracanã lotado (pela minha imensa frustração pelo gol do Renato quando eu já estava comemorando o título estadual)... O maracanã lotado já é algo que me fascina, me arrepia inteira, me emociona e me leva às lágrimas, mas fazer parte dessa grande nação rubro-negra, e é um clichê, é uma honra inenarrável; Poucas são as torcidas ao redor do mundo que conseguem realizar tamanho espetáculo.

Parabéns, Flamengo! Somos hexacampeões!!!!

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Na Sarjeta

Depois da lei anti-fumo, o melhor lugar costuma ser o lado de fora do bar...

Parabéns, tia! 4.6 com motor 3.0!!!

Só queria fumar ouvindo música...

Mais de três já é quadrilha...

Quem tá na chuva é pra se molhar...

Fumando com estilo...

Pelotão de Fuzilamento




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3.12.09

Ataque de Pânico

Estava dando umas voltas lá pelo blog do André Blak quando me deparei com este vídeo que ele postou... Grata surpresa, muito bem feito!


Segue o texto do André sobre o curta:

"Alguns inocentes “golpes” de marketagem dão certo… Fede Alvarez, um publictário uruguaio de 30 anos, juntou alguns amigos bambas em computação gráfica para realizar esse curta-metragem de 5 minutos. Alegou ter gasto 500 dólares na realização do filme (me engana que eu gosto!) e botou pra circular na rede há 2 semanas atrás. O vídeo já é hit no youtube e vai quebrar a barreira de 1 milhão de views logo, logo.

Não é pra menos. Num país onde a tradição cinematográfica é quase nula, ver esse ATAQUE DE PÂNICO causa, de imediato, o espanto absoluto. É irretocável e assustador! Se as marcas Steven Spielberg ou Roland Emmerich estivessem no curta, ninguém ia duvidar da procedência. Um roteiro bobinho que serve de fio condutor para mostrar em 5 minutos Montevideo sendo invadida por robôs gigantes. NADA TOSCO! É de um rigor técnico e estético capaz de deixar qualquer criador de blockbuster hollywoodiano de cabelo em pé. Tanto que os direitos do curta já estão sendo disputados a tapa por alguns dos maiores estúdios americanos. Aguarde porque, em breve, teremos um longa sci-fi arrasa quarteirão comandado por um ermano uruguaio.

Mas dizer que só custou 500 dólares é sacanagem, né não?"

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29.11.09

Garota Propaganda

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26.11.09

Borrão

Ela me mostrava figuras abstratas que eu deveria concretizar em uma só palavra a fim de mostrar minha racionalidade e talvez até minha sanidade e coerência... Para mim era um monte de manchas sem sentido, mas eu deveria dar-lhes um significado qualquer, não um qualquer, um que fizesse sentido aos ouvidos dela... Para mim era um monte de manchas sem sentido. Até que ela mostrou dois borrões brancos, perfeitamente unidos por uma fenda, no meio de um outro borrão preto, que bem poderiam ser dois morros numa noite escura, mas para mim era uma bunda. Perfeita e redonda bunda. Tudo bem, redonda não, um pouco caída pela idade, talvez uma celulite aqui e acolá, mas era uma bunda perfeita, perfeitabunda. Ela tinha duas covinhas na exata junção da coxa e sorria um sorriso de Monalisa. Me apeguei àquela bunda, imaginei roçando-lhe através da saia de veludo preto, imaginei a brisa tocando de leve a sua circunferência, o primeiro tremular dos dedos tocando a sua pele macia e branca, branca como a neve que derrete ao sol... Imaginei o arrepio me percorrendo, me circulando, me transcendendo para correr em seus caminhos de perfeitabunda, com seus morrinhos de pelos se eriçando como gato assustado. Sim, a bunda tinha pelos, suaves, delicados e alvos pelos, assim como os morros têm a relva a pinicar os enamorados de pic-nic, só para lhes lembrar o lugar em que estão, o lugar a que pertencem naquele momento... Pequena relva trepadeira. Dorme, dorme, dormideira, pra acordar segunda-feira. Já era quarta e eu tive que dizer a ela que eram dois morros numa noite escura. Ela ficou satisfeita.

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24.11.09

Mon Drummond

Houve um dia, há muitos e muitos anos atrás, que um velhinho me disse: "Vai Nat, ser gauche na vida". Também me disse que eu não me chamasse Raimundo, o que, por sorte, obedeci, mas se Raimundo me chamasse, eu amaria a Maria... Morreria em um desastre, sem filhos porque é melhor não tê-los, mas como os saberei?

No meio do meu caminho tinham várias pedras e por causa delas perdi o bonde e a esperança. Eu sou uma desiludida... Os desiludidos continuam iludidos, sem coração, sem tripas, sem amor... Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Meu coração não é maior do que o mundo. O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar, o mundo é apenas uma fotografia na parede, mas como dói!

Cantaremos o medo da morte e o de depois da morte e depois morreremos de medo, mas estamos num tempo onde não se diz mais Meu Deus, não se diz mais Meu Amor. O Amor resultou inútil e os olhos não choram. Não amei bastante sequer a mim mesmo, não amei ninguém mas não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas...

A bunda, que engraçada, está sempre rindo, não quero ser o último a comer-te. Pra que tantas pernas? Prefiro as coxas, ah, a castidade com que abria as coxas... Não quereis ser pornográficos? Ah coito, coito, morte de tão vida. E nem restava mais o mundo, à beira dessa moita orvalhada, nem destino.

E agora, José? Se você morresse... Eu não devia te dizer, mas essa lua, mas esse conhaque, botam a gente comovido como o diabo.

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Banguela de bengala

em cada boca uma
sentença e uma
cárie
vou botar a gengiva
no trombone
vai ser olho por olho
pivô por pivô
primavera em nossa terra
extração dos dentes.
por trás de cada
homem bem-sucedido
sucede um banguela de bengala.

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21.11.09

E por falar em The Last Waltz...

... e em baladas, vai aqui um grande sucesso do Delmore Brothers, executado brilhantemente pela The Band, mas que eu prefiro com BB King...



Blues stay away from me
blues fique longe de mim
Oh blues, why don't you let me be
Oh blues, porque você não me deixa em paz
Don't know why
eu não sei porque
You keep on haunting me
você fica me assombrando.

Love was never meant for me
Amor nunca foi pra mim
Oh true love was never meant for me
Amor verdadeiro nunca foi pra mim
Seem somehow
parece que de alguma forma
We never can agree
nós nunca concordamos.

Life is full of misery
A vida é cheia de misérias
Oh dreams are like memories
e sonhos são como memórias,
Bringing back
Trazendo de volta
The love that it used to be
o amor como era antes

Tears, so many I can't see
Lágrimas, tantas que nem posso vê-las
Oh yes, don't mean a thing to me
não significam nada pra mim
Oh, don't go by
Não vá embora*
Still I can be free
Eu ainda posso ser livre.

*(Na verdade, don't go by seria mais um "não passe por mim", "não me ultrapasse", "não siga em frente"... usei a expressão que achei que melhor se adequava à música)

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The Last Waltz


Não sei se é possível ver o estranhamento em meus olhos, mas creio que existe uma hora em que a mudança acontece. Em um ano você está de um jeito, no outro envelheceu dez anos... Como diz o X-Men 2, de tempos em tempos a evolução dá um salto. Acho que isso também acontece com as pessoas normais no curso de sua evolução pessoal.

Só sei que tive vontade de gritar "Sou do tempo onde se acendiam isqueiros em um show, não celulares...", Celulares que servem para fofocar por SMS com as amigas que estão a menos de um metro de distância fazendo concurso para ver quem fica com mais emos que a outra... Celulares que servem para tirar fotos pro Orkut... "Aproveita que ligaram os refletores, tira uma foto! Ei fica de costas pro palco, que é melhor! Miguxa, corre aqui, vou botar no Fotolog"...


Em pouco tempo ninguém saberá o que é um isqueiro e não por melhorias tecnológicas, mas sim por falta de uso mesmo. Ninguém saberá o que é estar na grama lamacenta de algum show de rock barulhento e na hora da melhor balada, no auge da emoção tomando conta, ver o palco apagando as luzes e as pessoas acendendo seus isqueiros, balançando as mãos, a chama fraquejando... Alguém vai comentar "É por isso que eu tenho um Zippo", outro vai dizer "Ai, queimei meu dedo"... Mas nada disso vai importar, porque todos vão estar ali hipnotizados por aquelas pequenas chamas amarelas, bailando no céu, refletindo estrelas em um universo de gente de todos os tipos... Os músicos irão desligar seus instrumentos, a bateria vai marcar o compasso e aquelas milhares de sombras de cabeças iluminadas pelas pequenas chamas amarelas irão entoar o refrão cheios de paixão e criarão um momento, um segundo de momento, único para todos...

Sou do tempo onde se acendiam isqueiros em um show, não celulares... Sou do tempo onde a expressão "sou do tempo" ainda não existia. Pelo menos para mim.

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19.11.09

Jubileu de Ouro póstumo

Anteontem fez cinquenta anos que morreu Villa-Lobos... Dentre os inúmeros programas e documentários que assisti relembrando a data, muitos contam que Villa-Lobos conquistou o mundo, mas poucos contam que essa conquista não foi tão fácil assim. Antes de definir sua identidade brasileira, Villa-Lobos foi rechaçado pelos eruditos franceses, que o consideravam mediano por não valorizar a música do seu país em suas composições... O que é inegável, contudo, é que Paris transformou Villa-Lobos e fez com que ele realmente conquistasse o mundo, como desejava.

Segue o post que eu escrevi há uns anos atrás...

"Villa-Lobos nasceu em 1887, prestes a ver o Rio de Janeiro mudar com a proclamação da República no Brasil.

As primeiras sinfonias de Villa-Lobos foram feitas de acordo com as regras postuladas por Vincent D’Indy, cuja estética era diretamente ligada à de Wagner, mas vários críticos diziam-no que só seria um compositor completo se tivesse uma ópera no repertório, o que fez em seguida, compondo Izaht. Villa-Lobos também não deixava de compor obras que utilizassem elementos da estética de Debussy, o que fazia dele um dos poucos compositores de sua época a ousarem compor uma música “moderna”como a de Debussy no Brasil.

Ao longo da déc. de 10, Villa-Lobos preocupou-se em se posicionar em relação aos músicos eruditos no Rio. A música erudita feita por ele não tinha nenhum elemento declarada ou intencionalmente nacional nesta época.

Villa-Lobos estava com problemas financeiros quando Laurinda Santos Lobo resolveu apoiar a realização de concertos das obras do compositor. Foi assim que, em 1921, se apresentou pela primeira vez com algumas peças de temática nacional.

Villa-Lobos visava o aproveitamento de suas obras nas festas do centenário da independência do Brasil. Um segundo concerto de Villa-Lobos para Laurinda chamou a atenção dos modernistas. A sua “modernidade” fez com que fosse o único compositor convidado a apresentar suas obras na Semana de Arte Moderna de São Paulo. Depois disto, amigos e admiradores de Villa-Lobos começaram a articular sua ida para Paris, completando inclusive o dinheiro necessário para tal.

Villa-Lobos chegou em Paris convicto de que faria sucesso por ser um compositor de vanguarda no cenário musical do Rio, até encontrar Jean Cocteau, integrante e principal representante da vanguarda francesa, que rechaçou sua obra. Nesta mesma época Milhaud, compositor francês, retornava do Brasil, reunindo e transcrevendo as composições brasileiras que ouvira sob uma roupagem erudita “moderna”. Milhaud afirmou que os músicos eruditos cariocas que conhecera não valorizavam a música popular do país.

A série de contatos e interações feitas por ele em Paris agiu no sentido de convencê-lo aos poucos da necessidade de sua conversão, de sua transformação em um compositor de músicas de caráter nacional. Villa-Lobos começou então a utilizar em suas composições os ritmos da música popular, com os quais já convivia, mas que não tinha incorporado em suas criações devido ao valor negativo atribuído à estética popular pelos músicos eruditos brasileiros, inclusive cantos indígenas. Assim, começou a retratar em suas composições toda uma série de representações a respeito de sua nação, desenvolvendo uma linguagem própria e inconfundível, sintetizando o panorama musical erudito europeu contemporâneo e as músicas folclóricas e populares brasileiras.

Para Villa-Lobos, o encontro com Cocteau pode ser tomado como momento exemplar do início de um processo de conversão que no final o tornaria um artista brasileiro, compondo apenas músicas de caráter nacional. O projeto de Villa-Lobos para fazer uma música “brasileira” de acordo com a concepção francesa de “Brasil” foi resultante de vários atores sociais como: as opiniões de brasileiros que viviam em Paris com ele;
os comentários da crítica; as reações dos artistas que o cercavam e o imaginário que lhe transmitiam a respeito do seu país. Villa-Lobos reconhecia e admirava a civilização francesa. Antes de tudo, ele reconhecia o julgamento dos parisienses como válido e legítimo".

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18.11.09

Férias

Rélous Pípous, estou entrando de férias, revivendo antigas viagens. Quando a gente não está num bom momento, acho que revisitar antigas e boas memórias podem dar uma levantada no astral.

Pretendo continuar atualizando o blog, afinal, internet 3G e notebook servem pra isso. Se eu não conseguir, nos vemos em alguns dias. Com sentimentos melhores para compartilhar, eu espero ;)

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Amor Automotivo



Capô de Fusca - Mr Catra

(uma pérola do cancioneiro popular brasileiro, editada em algumas partes por questões óbvias)

Amor auto motivo
Toda peça se encaixa
Mexo no capô da fusqueta
Enquanto você passa a marcha

Gatinha
Assim você me assusta (hahaha)
Com o seu capô de fusca

Gatinha
Assim você me assusta (hahaha)
Com o seu capô de fusca

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11.11.09

Sente

Eu disse a ele que não acredito em destino, mas ele ficou me olhando como se não acreditasse. Em mim, não em destino. Não posso negar que pensei em destino algumas vezes antes de encontrá-lo, mas não há destino algum em pensar, talvez até acreditar e não sentir. Sou uma dependente química, meu destino, se existe, é determinado pela minha compulsão, meu vício. É preciso viver, independente do que me aguarda ao virar a esquina, é preciso sentir o vento no rosto ao fazer a volta. A proibição aumenta e a impossibilidade alimenta o vício. Mas a imprevisibilidade e o desconhecimento me excitam de tal maneira que desligo meus pensamentos. Suspiro, fecho os olhos longamente, relembro cenas imaginadas. Repasso mentalmente o roteiro na esperança de visualizar as portas que poderão se abrir. Decido ali, em alguns segundos, se vou me atirar no desconhecido, espero um gesto que mostre se é sim ou não, mas ele continua me olhando nos olhos e me arrepio... Então acho que foi um sim. É preciso sentir pra decidir, não consigo pensar em nada. Pode ser ele o mensageiro do tal destino, do meu destino, mas quem decide isso sou eu. E se eu decidir que a mensagem enfim foi transmitida, se eu reconhecer um gesto, um arrepio, um frio na espinha ou um gozo como destino, serei eu mesma responsável pelo meu destino? Serei responsável pelo meu sentimento? Pelo que acontecer depois, sim, certamente sou responsável, mas tenho certeza que tudo se definiu ali, naquele arrepio... Meu corpo, meu tesão, coisas sobre as quais não tenho o menor controle, mas ainda assim sou responsável. Pela mensagem, aquela que desconheço, mas aceitei, mesmo sem saber, pelo simples fato de ter sentido. Não sentir de provocar, conhecer, experimentar e reproduzir a sensação. Mas sentimento que se configura no exato momento em que outra pessoa desperta o meu sentir. E no momento em que ele olhou pra mim, eu simplesmente me arrepiei. Será que sou responsável pelas minhas sensações?

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Ente

Ela me disse que não acredita em destino. Me disse assim na cara, com aqueles olhos grandes olhando bem direto nos meus. Mas não consigo acreditar que ela não tenha pensado em destino umas milhares de vezes antes de me encontrar. Porque ela é mulher que precisa da obrigação do destino, precisa que as coisas subitamente aconteçam na sua frente e lhe mostrem que aquele é o caminho certo ou o errado. Aqueles olhos grandes enxergam tudo, mas não fazem nada sem antes terem certeza do que querem. Ela piscou, um movimento super rápido, mas lento me pareceu. Uma eternidade. Ali fui analisado, visto e revisto. Ali ela tentou perceber um sinal, um aviso de que o destino existia e se existia, eu era a materialização desse destino. Terrível fardo para mim, ser portador de uma mensagem da qual o teor, desconheço. Tentei perceber naquele sutil movimento se era um sim ou um não. Mas ela continuou dizendo que não acredita em destino. Então acho que foi um sim. A piscada foi muito rápida, não me deixou perceber, nem sutilmente, a razão do seu acontecimento. Mas eu vi no piscar de olhos a minha parcela de culpa no destino. Destino dela, somente. Mas posso eu ser o mensageiro do destino dela sem que ela seja mensageira do meu destino? Posso eu me livrar da responsabilidade de somente existir? E existindo, posso eu me livrar da responsabilidade de estar ali assistindo aquele piscar de olhos tão significativo? Pelo que acontecer depois, sim, certamente sou responsável, mas tenho certeza que tudo se definiu ali, naquele piscar de olhos. Olhos dela. Piscada dela. Coisas sobre as quais não tenho menor controle, mas ainda assim sou responsável. Pela mensagem, aquela que desconheço, mas que transmiti, mesmo sem saber, pelo simples fato de existir. Não existência de ter sido gerado, ter nascido, crescido, estudado, absorvido, aprendido e me tornado o que sou hoje... Mas pela existência que se configura no momento em que outra pessoa descobre que eu existo, que sou o que sou. E no momento que ela percebeu o que eu era, eu simplesmente existi. Será que sou responsável pela minha existência?

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9.11.09

Patricia

Patricia apareceu

num fim de tarde
Me falou
Me bebeu
Me comeu
Me fumou
Me amou
E partiu
Patricia foi pra puta que pariu
E nunca mais telefonou

by Edu Pinheiro

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8.11.09

Previsível

O alarme vermelho começou a soar dentro de mim: há pouco tempo uma pessoa que mal me conhece conseguiu me definir em apenas uma frase. É um aviso poderoso...

Uma frase, não importa quantos períodos tenha, é apenas o breve espaço entre dois pontos finais.

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Raros e Loucos

Conheci o Lobo antes de conhecer a estepe... Estávamos espremidos em uma pequena janela, meio corpo pra fora, sorvendo com rapidez a fumaça do cigarro proibido naquele quarto de um hotel não-fumante. Tínhamos nos conhecido há menos de seis horas e estávamos desde então trancados naquelas paredes de um hotel barato em frente ao Terminal do Tietê. Não posso afirmar que foi a vez em que mais rapidamente fui pra cama com um homem, porque não sei exatamente quantos minutos levamos para percorrer os caminhos confusos que levam à saída da rodoviária de São Paulo. Só sei que foi pequeno o espaço de tempo entre a última mensagem, ainda no ônibus, que dizia "6 minutos para o impacto" e o impacto em si. Lembro que achei interessante a escolha da palavra, que pode significar, literalmente, "metido à força". Mas a força que me movia não era necessariamente contrária aos meus instintos, era mais um impulso, uma força centrípeta, que me levava para o centro, enquanto ele girava ao meu redor. E era ótima a sensação.


Olhando para o copo de plástico com dois dedos de água amarelada pelas guimbas de cigarro que iam se acumulando, pensei no roteiro deprimente que se desenhava ao meu redor. Um quarto tosco, um banheiro pequeno, uma cama no centro, uma mesa na parede e uma tv desnecessária compunham o cenário do meu romance noir travestido de um tragicômico romance barato que se compra em bancas de jornal. Meu enigmático parceiro trazia no braço um aparelho de medir pressão daqueles que se carrega por 24 horas e que a cada 20 minutos o fazia parar tudo até que o braço estivesse novamente liberado. Com o passar das horas acabamos nos tornando especialistas em controlar o tempo na medida exata do aparelho. No final da noite a conta estava empatada entre o número de medições e o de gozos, sendo que os últimos certamente atrapalharam a fidedignidade do resultado das primeiras.

E de 20 em 20 minutos, o tempo, aquele que determina a sutil diferença entre sonho e realidade, avançou os ponteiros até o ângulo obtuso do constrangimento. Assim como tinha me deixado carregar para o centro, lentamente flutuei de volta para a margem... "Em vez de reduzir o teu mundo, de simplificar a tua alma, terás de recolher cada vez mais mundo, de recolher no futuro, o mundo inteiro na tua alma dolorosamente dilatada, para chegar talvez algum dia ao fim, ao descanso." Não posso afirmar que foi a vez em que mais rapidamente me apaixonei por um homem, porque não sei exatamente quantos minutos levei para percorrer os caminhos confusos que me levaram à entrada da rodoviária de São Paulo. Só sei que foi pequeno o espaço entre a frase ouvida no quarto e a descoberta do livro. A dedicatória dizia "Para a minha querida ... que de todas as impossibilidades da minha vida é a maior possibilidade de ser a minha vida".

"Que dizia o letreiro? 'Entrada só para os raros' e 'Só para loucos'. Ali, provavelmente, estaria o que eu desejava, ali, talvez, interpretassem a minha música."

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7.11.09

A primeira vez...

... a gente nunca esquece ;)


(a primeira de verdade não foi esta, mas eu tinha três anos e a única recordação que tenho é a de ter tomado sorvete o dia inteiro)

Tem uma parte ali que nem eu entendo o que eu falo, é algo sobre não sentir as pernas, mas dito num português bem embolado de quem acabou de tomar anestesia...


video

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5.11.09

Exigências

Moreno, alto, bonito e sensual, talvez seja a solução dos meus problemas.


_ Sabe entender as entrelinhas?
_ O quê?
_ Tem que saber entender as entrelinhas. É porque eu falo somente o suficiente para afastar a pessoa. Quando pareço estar falando sério, estou na verdade querendo te afastar. Já quando brinco, no papo solto, eu falo o mais profundo do meu eu, assim entrecortado, fragmentado, como um quebra-cabeças.
_ Confuso, não?
_ Não, é que você me parece perfeito demais, então o quero longe, bem longe.
_ Mas por que o sexo?
_ É porque tinha que ser ruim.
_ E por que tanto medo?
_ Não sei, mas tenho. Quanto mais perfeito, mais medo. Quanto mais medo, mais vontade. Quanto mais vontade, mais insegurança. Quanto mais insegurança, mais afastamento desejo. É assim a vida pra mim, um círculo vicioso.
_ E precisa ser assim?
_ Não, mas ando esperando alguém que, milagrosamente, goste de desvendar quebra-cabeças e queira montar o meu, peça por peça, conversa por conversa, assim devagar, como quem não quer nada. E no final, pronto, surgiu eu, e apaixonamo-nos.
_ Não é querer demais?
_ Ainda não estou preparada para querer menos do que isso...

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4.11.09

Preciso

Queria poder te escrever

algo nunca antes dito
por qualquer poeta.
Mas preciso, antes disso,
ser poeta.
Preciso contar as estrelas,
admirar a lua,
sentir a brisa pequena
se transformar em vento.
Preciso soltar os cabelos
e as cordas que me prendem,
preciso me libertar.
Preciso aquecer o sol,
e esfriar a noite.
Preciso adormecer seu corpo
e acordar o meu.
Preciso amar homens
e mulheres,
meninos e meninas.
Preciso viver o dia
e morrer amanhã.
Preciso provar que gosto
de coisas de verdade.
Preciso arrumar essa sopa
de letrinhas
em prosa, verso e rima.
Preciso ser bailarina
e dançar nas nuvens,
preciso comer algodão-doce.
Preciso te escrever,
te dizer,
te sentir.
Preciso ser alguém
melhor do que você.

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3.11.09

Tecnoromance

Naquele momento, não teve dúvidas: Ela era a mulher da sua vida. De filmadora em punho, pensou "Preciso registrar esse momento para que meus filhos e netos saibam a hora exata em que nós nos apaixonamos". Já tinha até o mash-up na cabeça com Você é Linda, do Caetano e Eu sei que vou te amar, do Vinicius. O MixPlay que tinha baixado na semana passada ia ser o programa perfeito pra isso.


Ela então sorriu e as covinhas se tornaram duas pérolas naquele rosto perfeito. Ele decidiu começar o vídeo com essa imagem, depois é claro, de um Fade In com fundo branco, pra não ficar pesado. Diminuiu o zoom, fez um giro, mostrou o cenário e voltou a câmera para ela. Tão linda! As mãos tão esguias, o rosto sereno, uma calma no olhar. Ela mexeu nos cabelos, começou a cantarolar uma música qualquer e a dançar no ar, sozinha... Ele pensando "Não se mexe tanto, vai ficar tremido..." Ela fez um gesto chamando-o para dançarem juntos, mas ele disse: _Não, baby, estou gravando, não está vendo?

Ela então veio dançando na sua direção. Ele pensou "Porra, estragou meu enquadramento, vou ter que reajustar o foco". Ela continuou andando em direção a ele e murmurou alguma coisa no seu ouvido. Aí ele explodiu: _ Merda, agora vou ter que legendar.

E foi embora... Pra sempre.

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2.11.09

Casos e acasos

Estou rodeada de pessoas que não acreditam no acaso, somente em destino. Não acreditam que as sucessões de eventos, por vezes inacreditáveis, aconteçam por mera casualidade. É tudo fruto de uma coisa maior e por muitas vezes, mais sádica também... Esse destino, se existe, tem um quê de ironia relativamente grande.


Mas o destino pode ser também uma grande desculpa para aceitar as coisas que nos acontecem sem parar para refletir sobre elas, ou analisá-las de uma maneira racional, superando ou absorvendo os eventos que por vezes nos perturbam. É como um espírita que deixa de resolver seus problemas nesta vida porque ainda terá outras tantas para viver...

Acreditar em destino é como ter fé em qualquer outra coisa. As coisas se ajeitarão, porque de uma maneira ou de outra, elas estavam previstas para acontecerem, e, de uma maneira ou de outra, tudo vai se resolver da melhor forma possível, porque pode não ser a melhor, mas era a prevista para mim, então vou aceitá-la e ter fé que, um dia, tudo pode mudar.

O destino é aquele que pode fazer, em um único dia, toda sua vida mudar. Eu passei dez anos pensando em algo que, em um único encontro totalmente casual em um ônibus, se tornou uma verdadeira idiotice. Mais fácil acreditar que aquele encontro e aquela informação descoberta ali foram obras do destino. Cruel, impiedoso e inevitável destino; mas se eu quisesse mesmo descobrir antes o que descobri agora, eu poderia tê-lo feito. E talvez tivesse me poupado 5, 6 ou até 9 anos de pensamentos inúteis.

Quantas coisas eu poderia ter me poupado, se eu quisesse ter me poupado, ou se quisesse apenas ter me dado um trabalho maior do que me dei, tentando resolver o assunto? Não sei a resposta para isso. Talvez o destino me diga um dia, se eu continuar ignorando que acasos existem sim, e entender que a vida, apesar de ser mais do que uma mera combinação de coincidências, também tem espaço para coisas inusitadas, inesperadas e por isso mesmo, muito interessantes...

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12.9.09

Birds on the Wires

Do estadão: Tudo começou com a foto de pássaros pousados nos fios de luz de uma rua feita pelo repórter fotográfico do Estado Paulo Pinto, de 49 anos, no interior do Rio Grande do Sul. Uma cena normal, dependendo do olhar. Para o paulistano Jarbas Agnelli, de 46 anos, a imagem "soou" como música. Notas numa partitura foram o que lhe pareceram as aves nos fios de alta tensão. Publicitário e músico, Agnelli recortou a foto publicada no Estado e, naquela noite, no estúdio de sua casa, começou a compor com base nas notas que enxergou na imagem.






Birds on the Wires from Jarbas Agnelli on Vimeo.

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11.9.09

11 de Setembro

No dia do atentado às torres gêmeas eu saí cedo de casa, rumo a um trabalho que eu estava fazendo na ABES, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária... Eu estava trabalhando num mailing para um congresso internacional. Me lembro que o prédio fica ali na Beira Mar, bem em cima do Termas Aeroporto.

Todo dia era uma festa ficar assistindo as mulheres entrando, cada uma mais espetacular do que a outra. Na rua, em frente ao local, um monte de carros importados, BMWs, Mercedes, Harley Davidsons... Era um espetáculo à parte.

Bem... Neste dia eu cheguei cedo para organizar o café da manhã da reunião. Estou eu lá arrumando pães e frios, a tv ligada, quando de repente vi a cena do choque do primeiro avião. Logo depois, ao vivo, online, tempo real, o segundo avião se chocou com a torre.

Me lembro que chocada fiquei eu. Ninguém tocou no café da manhã. Foi triste de ver, mas ao mesmo tempo era uma tristeza de quem pode ficar triste, proporcionada pela distância e segurança e ausência totoal de neuroses que só nós aqui, tão longe, poderíamos ter.

Uma parte de mim, não nego, disse bem feito! Estão pagando pelo que construíram ao longo de muitos anos de imperialismo desarvorado, tal qual na época da conquista de novos territórios na América... Mas essa parte de mim, satisfeita, era tão pequena diante da desgraça e das muitas vidas perdidas, que nada tinham a ver com isso, que me calei.

Pensei nos mortos do 11 de setembro assim como penso diariamente nas milhares de vítimas de balas perdidas no Rio, nos milhares de mortos em confrontos com a polícia nas favelas brasileiras. São todos vítimas de uma guerra em que eles não escolheram entrar...

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4.6.09

Viradão Carioca

Pela primeira vez, o Rio de Janeiro será palco de um grande evento multicultural com 48 horas seguidas de intensa programação gratuita ou a preços populares. Criado e coordenado pela Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Cultura, o Viradão Carioca ocupará diversos pontos da cidade - entre praças, ruas, teatros, cinemas, bibliotecas, lonas e centros culturais - com shows, peças, concertos, exposições, leituras, performances, filmes, literatura e circo, entre os dias 5, 6 e 7 de junho. O Viradão tem apoio institucional da Globo Rio e a parceria do Sistema Globo de Rádio e da Infoglobo.

Boa parte dos cerca de 300 eventos programados acontecerá em locais abertos, como os quatro "palcões" na Praça Quinze, Santa Cruz e Madureira. Ou ainda nos palcos itinerantes - Viramóvel e Palco sobre rodas - que passarão por bairros como Campo Grande, Pavuna, Méier, Bangu e Leme. A programação ao ar livre se espalha ainda por ruas e praças, como a Rua do Mercado, Praça Tiradentes, Praça do Méier, Praça Afonso Pena, Praia de Copacabana, Lapa, Viaduto de Madureira, entre outros. "A rua é a grande vocação do carioca, que não gosta de praça vazia. O Viradão mostra uma meta da nossa gestão, que é fazer da cultura uma forma de reflexão e transformação da cidade. Nosso lema é a cultura como um direito à cidade e ocupar a rua e os espaços públicos é um passo em direção a isso", diz a secretária de Cultura, Jandira Feghali.


Cada um dos quatro palcos principais terá um perfil temático que norteará a programação dentro de um conceito específico. As Lonas Culturais da Prefeitura, espalhadas pela Zona Norte e a Zona Oeste, também serão temáticas. A idéia do nome 'Viradão' é não só a de 'virar' duas noites com programação ininterrupta mas 'virar' a cidade culturalmente, apresentando ao público da Zona Sul, eventos e artistas da Zona Norte; ou da Zona Oeste no Centro.

Assim, o palco da Praça Quinze - onde o 'Viradão Carioca' começa, no dia 5, sexta-feira, às 21h, com shows de Dudu Nobre, MartNália e "virada" com Marlboro e outros DJs - terá como tema 'O Rio de Janeiro, fevereiro e março', e receberá a música carioca por excelência, do samba ao funk, do pop à MPB.

No palco de Santa Cruz serão celebrados 'Maestros Soberanos' de ontem e hoje, como Tom Jobim, Nelson Cavaquinho e Heitor Villa-Lobos.

Na quadra da Portela, em Madureira, o palco 'No reino de Luiz Gonzaga' leva para a terra do samba os ritmos nordestinos, com apresentações de grandes nomes da MPB e grupos de forró.

PRAÇA TIRADENTES E SÃO CRISTÓVÃO NO ROTEIRO

O entorno da Praça Tiradentes se transformará no Pólo Contemporâneo Tiradentes, com shows, musicais, exposições e performances. A programação inclui o Teatro Municipal Carlos Gomes - que além de sua programação regular sediará um grande show de MPB e a abertura do Ciclo de Leituras Nelson Rodrigues - e o Teatro João Caetano, da rede estadual de teatros, que sedia o festival de música 'Rio Follie Journée'. No sábado, às 11h será montada na Praça Tiradentes uma exposição de grandes artistas plásticos contemporâneos, coordenada pela Gentil Carioca, galeria de Ernesto Neto, Marcio Botner e Laura Lima. Em seguida, uma 'batalha' de DJs nas 'juke box' da rua Luís de Camões, nas cercanias do Centro de Artes Hélio Oiticica, vai agitar a região.

Uma outra "batalha" - a dos repentistas contra os rappers - vai animar a noite do Centro de Tradições Nordestinas, o Pavilhão de São Cristóvão. A entrada da cultura "hip hop" no Pavilhão, habituado a receber eventos ligados à cultura nordestina, como a festa junina que sediará também no mês de junho, espelha a troca de conceitos proposta pelo Viradão para cada espaço.

Os equipamentos culturais da Prefeitura vão estar todos tomados pelo Viradão: no Planetário, na Gávea, leituras literárias e teatrais com grandes nomes da TV e do teatro vão se misturar a um show ao ar livre, tendo a cúpula da instituição como pano de fundo. No Castelinho do Flamengo, projeções na fachada vão celebrar as imagens que fizeram a história do Rio, pertencentes ao Arquivo da Cidade. No Parque das Ruínas, as VJ Nights vão transformar a área ao ar livre em pista de dança, com vista privilegiada da cidade. Na Tijuca, o Centro Coreográfico terá programação intensa, que vai se espalhar pelos palcos itinerantes da cidade com grupos como Cia Urbana de Dança ou a Arquitetura do Movimento. No Centro de Referência da Música, o roteiro inclui a exibição de "Contratempo", filme de Malu Mader, com a presença da atriz para um debate.

CINEMA NA PRAÇA, ORQUESTRA NA IGREJA

O projeto Cinema na Praça vai se espalhar por várias regiões da cidade. O roteiro de cinema inclui ainda as salas de exibição da Riofilme, caso do Cine Glória, no Memorial Getúlio Vargas, que vai virar a noite com sessões consecutivas de cinema, até o raiar do dia. Em uma parceria com o evento, o Grupo Estação também vai realizar uma Super Maratona no Odeon, convidando os cinéfilos a abrir mão da noite de sono.

A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) vai dar dois concertos gratuitos na Igreja da Candelária, lembrando com "A criação" os 200 anos da morte de Haydn. Grandes nomes do teatro e da literatura serão celebrados nas bibliotecas municipais e nos centros culturais. O Ciclo de Leituras Nelson Rodrigues, criado em parceria com a Globo Rio, começa com um "corujão" - a sessão de 23h de sexta-feira no Carlos Gomes - e se distribui em outros teatros da Rede Municipal e nas Lonas Culturais, com grandes atores da Rede Globo revisitando os episódios de "A vida como ela é".


A RUA PARA TODOS

A festa continua na rua, o grande palco do Viradão Carioca. O bloco Cordão do Boitatá, famoso por seu desfile no domingo de carnaval, na Praça Quinze, ocupará a região em dose dupla: no sábado, coordena na Rua do Mercado um Arraial para Santo Antônio, primeiro santo junino, com a presença do Rio Maracatu e da cantora Clara Becker e barraquinhas de quitutes. No domingo, às 8h, faz a Alvorada com o Boitatá no Palcão Praça Quinze.

No Méier e na Praça Afonso Penna, na Tijuca, "estátuas vivas" vão mostrar para o público passante um pouco da obra de Rodin e Camille Claudel, numa homenagem ao Ano da França no Brasil. Os monumentos arquitetônicos franceses serão o tema do concurso de escultura de areia que vai se realizar na Praia de Copacabana.

No domingo, a orla se agita com dois desfiles: no primeiro, as bandas da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e dos fuzileiros navais se reúne para um grande concerto no Forte de Copacabana, depois de marcharem ao lado do público. Depois dos militares, é a vez dos grupos artísticos formados pelas Lonas Culturais da periferia mostrarem seus trabalhos para os banhistas. Oficinas com a bateria e a bateria mirim do Império Serrano vão ser oferecidas no Bairro Peixoto e no Parque da Catacumba. "A ocupação da rua vai dar o tom da nossa gestão. O Viradão é um cartão de visitas", explica Jandira Feghali.

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24.5.09

Politicando ou Twitando?

Se a moda pega, em breve nós vamos ver no twitter frases assim: 


"Estou indo pagar o suborno que prometi ao delegado fulano de tal".  

"Minha cueca tá incomodando, será que os dólares podem causar infecção genital? #prontofalei"

"#follow friday @politicoroubalhao @corrupcaoja @subornoehlegal"


Igreja, Gays e afins
O casamento gay
Supermercado Verde

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15.5.09

Música de Sexta

O Música de Sexta dessa sexta volta ao tema de boas bandas genuinamente brasileiras, cantando em estrangeiro e tocando no estrangeiro, também...


Dessa vez a recomendação vai com um carinho especial, pois a Phone Trio é composta por dois amigos meus. O som dos caras é inovador, interessante (pra quem gosta de Punk Rock, é claro) e os caras estão fazendo grande sucesso lá fora.

Para quem quiser conferir ao vivo, eles vão tocar aqui em Niterói, no Bar Convés, dia 23, a partir das 14h.

Enquanto isso, divirtam-se com o vídeo da primeira turnê deles na Argentina:


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12.5.09

Dizem que sou louco por pensar assim...

Eu sempre achei que a linha entre o surto e a sanidade é muito tênue. Nós, passageiros da corda bamba, tentamos ter domínio sobre a rota, mas os pés podem ser grandes demais para o equilíbrio necessário...

O Harmonia Enlouquece e o Sistema Nervoso Alterado são grupos formados por profissionais, técnicos e pacientes de Centros Psiquiátricos do Rio de Janeiro...

É música para quem é louco por música...





Sufoco Da Vida ( Letra )

Harmonia Enlouquece

( Composição Hamilton, Maurício E Alexandre M )

Estou vivendo no mundo do hospital
Tomando remédio de psiquiatria mental
Haldol, Diazepam, Rohypnol, Prometazina…
Meu médico não sabe como me tornar um cara normal
Me amarram, me aplicam, me sufocam num quarto trancado
Socorro! Sou um cara normal asfixiado.
Minha mãe, meu irmão, minha tia, minha tia
Me encheram de drogas de levomepromazinna.

Ai, ai, ai que sufoco da vida
Estou cansado de tanta levomepromazina

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9.5.09

Igreja, Gays e afins...

Olhando por fora, e durante um tempo por dentro também, parece uma igreja normal, dessas evangélicas, com espaço amplo, colunas por todos os lados. Pessoas com bíblias na mão, sentadas em suas cadeiras, conversando baixo e com algo no olhar... Aquele algo que sempre me intrigou, talvez pelo quê de descredulidade que tenho em mim, talvez pela fascinação que a fé me desperta.


À primeira vista, parecem pessoas normais assistindo a missa, mas um olhar mais apurado irá lhe mostrar que não é, absolutamente, um público a que se está acostumado a ver em uma igreja. O seminário já vai começar. O pastor, com um microfone portátil, sobe em um palco iluminado, com cenário de nuvens, muitos holofotes, algumas tvs por perto, para falar do seu livro "A Bíblia sem preconceitos"...

Estamos em uma noite qualquer no mês de abril, na Lapa. O bairro de noites agitadas, de bares barulhentos, de putas e travestis se oferecendo nas esquinas ainda está quieto... Alguns trabalhadores apressados em voltar pra casa, passam rápido em frente ao letreiro branco e azul da rua mais badalada do bairro. Ignoram que ali fica a Igreja Cristã Contemporânea, que não quer ser conhecida pelo rótulo de "Igreja Gay", mas sim pelo compromisso de levar "o amor de Deus à comunidade GLBT, já que são tão rejeitados pela igreja..."

Enquanto eu tentava me concentrar em ouvir o discurso do pastor, milhões de frases passavam na minha cabeça e algumas se repetiam... "Será que ele é gay?", "Ele realmente acredita no que está dizendo?", "O apoio é sincero ou simplesmente o cara achou um nicho de mercado a ser explorado?". Poucos ali, ou ninguém talvez, se faziam as mesmas perguntas... O clima era de aceitação enquanto o pastor falava da paixão entre Jônatas e Davi, Sodoma e Gomorra e de Eunucos na bíblia, citando muitas passagens que, em sua visão, mostram que Deus não condena a homossexualidade... 

“Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito querido me eras! Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.” (2 Samuel 1, 26).

“E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma”.(1 Samuel 20, 17) 

“E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais. E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz; o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha descendência e a tua descendência, seja perpetuamente.” (1 Samuel 20, 41-42).

"Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta Palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do Reino dos Céus. Quem pode receber isto, receba-o.” (Mateus 19, 11-12)


Já no final do discurso, o pastor deixa claro que não está falando de libertinagem, de sexo homossexual para "mudar a rotina" e que quando considera um relacionamento entre gêneros iguais, está se referindo a um "relacionamento de unidade, de amor, de fidelidade entre duas pessoas que se amam e se completam..."

O discurso termina ovacionado, alguns choram, outros riem e se abraçam... As perguntas continuavam rondando a minha cabeça e com elas eu atravessei a rua até o bar da frente pra tomar umas cervejas, desopilar o fígado e esquecer de pensar por algumas horas...


Pra saber mais sobre a Igreja Cristã Contemporânea:

http://www.igrejacontemporanea.com.br

Pra desopilar o fígado:




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8.5.09

Música de Sexta

Dois bons e novos talentos brasileiros, cantando em inglês e fazendo turnês no exterior...


Aonde andam os novos talentos brasileiros falando brasileiro? Há algo de podre no reino da Dinamarca...






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18.4.09

Guanabara

Fred Martins, excelente músico niteroiense está lançando Guanabara, seu quarto trabalho, onde faz uma declaração de amor à bossa nova... Vale a pena ouvir e degustar o Fred. Imperdível!


AMO TANTO

amo tanto
já não sei o quanto
tanto que com o tempo
eu nem lembro mais
de todo o meu pranto
 
canto
mesmo que o vento
transforme em lamento
o que um dia enfim
o amor me fez cantar
 
achei que havia perdido
o que acabei de encontrar
achei que não saberia
amar alguém nunca mais
agora encontro você e
já não sei mais o que achar 
 

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16.4.09

Supermercado Verde

O Pão de Açúcar constrói o primeiro supermercado verde da América Latina, em Indaiatuba. Com investimentos de mais de R$ 7,5 milhões, o supermercado possui estação de reciclagem, embalagens retornáveis, ações educativas para crianças, produtos orgânicos e funcionários treinados em educação sócio-ambiental.



Placa de Boas Vindas do Supermercado.

Vagas especiais para carros à álcool ou gás.

Bicicletário.

Vagas de estacionamento feitas com concregrama.

Estação de reciclagem para ser usada pela comunidade.

Os resultados da ação fixados na entrada.

Caixa Verde: Ao sair do caixa, você pode deixar as embalagens que não quer levar.

Carrinho totalmente produzido com garrafas pet recicladas.

Sacolas retornáveis à venda em toda a loja.

Bandejas feitas com fécula de mandioca ao invés de isopor.

Bandejas artesanais feitas com jornal e suco verde à disposição dos clientes.

Frutas e Verduras orgânicas.

Lixeiras seletivas espalhadas pela loja.

Gôndolas feitas com madeira certificada pelo FSC Brasil.

Placas informativas.

Quadro com as ações sustentáveis da obra.

Leitoras de código de barras em todos os corredores.

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