24.2.09

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

É difícil não falar de carnaval no carnaval... Eu acho que é porque é muito estranho ser alguém estranho ao carnaval. A alguns poucos, que conseguem manter um olhar crítico nesta data, o carnaval certamente é a melhor época para gerar desconforto.


O que realmente me incomoda no carnaval é essa sensação de urgência, o Brasil inteiro para pra curtir o que deixou de curtir no ano passado e o que deixará de curtir no resto desse ano. E se você não entra no esquema folia-pegação-loucura, você é logo visto como um ser de outro mundo e não de outros gostos... Ora, meu carnaval é o ano inteiro. Tenho essa paixão por curtir e por viver a vida plenamente o ano inteiro. Serei eu a errada nessa história?

Neste carnaval conversei com meu amigo, Adamastor Goldman, justamente sobre esse incômodo que toma conta de todo meu ser quando um amigo vira pra mim e me diz, pô, anima aí... Não basta eu ter saído sexta, sábado e domingo. Se eu tirei a segunda-feira pra arrumar minhas coisas e ficar o dia inteiro trancada dentro de casa, eu sou uma louca. Pior e mais inacreditável ainda, uma desanimada... 

Eu realmente espero um dia entender o que é "ser animado" para as pessoas. O que elas entendem por animado? Algo do tipo ridículo, infantil e idiota que sai por aí cantando marchinhas de carnaval em altura estridente e jogando aquele odioso spray de espuma na cabeça das pessoas que só serve para grudar confete amassado, que junta com o suor do pula-pula-todo-mundo-junto até formar lama nos cabelos?

O Dama ficou sensibilizado com a minha dor e me confessou que vai aos blocos e fica lá só observando, que é o que gente normal como eu e ele gostamos de fazer, e sempre aparece alguém que fala "Anima aí, po" ou então diz "nossa... você fala taaaaaanto!!!!" e chacoalha o corpo dele como se tivesse que dar corda no brinquedinho insosso. 

Concordamos veementemente que não há nada pior do que ser "animado" por alguém e para demonstrar toda nossa revolta eu sugeri a ele que criássemos, inspirados no Vem ni mim que eu sou facinha, o bloco carnavalesco "Sai de mim que eu não me animo", mas o Adamastor logo me convenceu que havia um nome melhor: 

"Não me chacoalha que eu esporro"

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22.2.09

Pra nunca mais...

Quando éramos novos, ele me disse: _ Quero ser ator quando crescer! Eu olhei para aqueles olhos grande e pretos, quase encobertos pela franja do cabelo estilo cuia, decerto descendência de índios, e nada questionei... Ele podia ser o que quisesse, sendo meu amigo.
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Alguns anos depois, poucos anos, na verdade, já trabalhando numa grande indústria como operador de alguma máquina que desconheço o nome, eu perguntei a ele porque tinha desistido de ser ator. Os mesmos olhos pretos, mas não tão grandes, me olharam suspirando por toda uma vida de sonhos... _ Não desisti de ser ator. Na verdade é só o que eu faço. Represento papéis pros outros, minto sobre quase tudo para quase todo mundo, finjo sempre ser alguém que não sou, nunca fui e que pode ser que eu consiga ser um dia...

Todo mundo faz isso, querido amigo, retruquei. _ Mas não em tudo. Nem com você eu consigo ser eu, nem com minha avó, com meu namorado tampouco. Minto para que as pessoas não saibam que estou triste, que estou feliz, que estou com ciúmes, invento histórias mirabolantes, penso em todos os detalhes, conto para todo mundo, me meto em todas as confusões possíveis, mas nunca desminto algo... Ninguém nunca percebeu que eu minto assim dessa maneira, mas essa não é a questão. O problema é que eu não sei mais quando estou mentindo... Eu conto a história uma vez, duas, três, na décima vez eu já conto como se fosse uma verdade absoluta. Se fosse me dado um poder sobrenatural hoje, eu iria escolher poder transformar todas as minhas mentiras em coisas que realmente aconteceram, e aí, eu te juro, eu começava tudo de novo.

Nunca é tarde para se dar esse poder, meu amigo...
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"Passei quase dez anos sem te ver e esses mesmos quase dez anos pensando no que você me disse, sobre eu me dar o poder de começar de novo. Eu decidi que é possível e estou me mudando depois do carnaval. Que tal viajarmos juntos como fizemos quando você me disse aquelas sábias e inesquecíveis palavras? Espero ter coragem para contar verdades para quem sempre menti..."
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"Queridos, é com muita tristeza que lhes escrevo para informar a hora e o local do enterro do nosso querido amigo. Agradeço pela preocupação e o carinho de todos comigo, mas o trágico acidente foi antes dele vir me buscar. O que nos resta é o consolo de saber que sua morte serviu para trazer a vida para muitos que precisavam de um transplante. Até na hora de sua ida nosso amigo conseguiu ajudar quem mais precisava. Não era a viagem que ele, nem ninguém, esperava... Mas eu, sinceramente, só desejo que ela seja repleta de paz. Era isso que ele queria nesse carnaval: amizade, serenidade, calma e principalmente paz. Nós lhe daremos isso, porque ele merece... E sempre vai merecer..." 

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14.2.09

Mais sobre família

E continuando o tema família, meu primo Sérgio Léo acaba de escrever sobre algumas vantagens e desvantagens da nossa família grande opinando em qualquer assunto, até mesmo quando se trata de Paul McCartney no cavaco...

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Das ausências e presenças...

Já não gosto nem de falar na palavra ausência, já que ausente pra uns, presente pra outros também...

Estive me dedicando a outro projeto, familiar, o site do jornal online da minha família, O Praiano, que relata, desde 1925, as nossas férias conjuntas no nosso "condomínio" na Praia de Carapebus. Pra quem não sabe, fica lá onde Judas perdeu as meias, lá depois de onde o vento faz a curva... Consegui finalmente levar alguns amigos para conhecê-la, depois de frequentar o lugar por 26 anos sem jamais convencer alguém a verificar que existem paraísos aqui no Estado mesmo, a apenas três horas de viagem... Eles ficaram extasiados e eu animada em atualizar o site, quase abandonado...

O primeiro passo para a revitalização do site foi comprar os domínios. Eu já tinha opraiano.net, comprado enquanto pessoa física só podia ter poucas extensões de domínios. Liguei, então, para a operadora disposta a comprar o .com, que era mais barato que o .com.br. Finalizei a compra e a atendente me diz: Mas D. Natalia, como assim a senhora não vai querer o monopólio? É melhor a senhora comprar o .com.br também, assim não tem como ninguém usar o nome do seu site para fins mais escusos... Eu respondi: Mas D. Atendente, o .com.br é mais caro, tem que pagar não sei quanto pra vcs, mas não sei quanto pra FAPESP. Aí a Atendente deu sua cartada final e me convenceu com um argumento irrefutável:

D. Natalia, vejamos, a senhora já tem o domínio.net do seu site:

http://www.gatomia.net/

Tem também agora o domínio.com do seu site:

http://www.gatomia.com/

Agora, digamos que a senhora resolva não comprar o domínio.com.br do seu site e vem alguém e faz isso aqui:

http://www.gatomia.com.br/

Ok, D. Atendente, entendi o seu recado... Coloca o .com.br na sacola que eu vou levar...

Como chegar ao paraíso... Parte II
Família que se preze...
Muitos nadas sobre alguma coisa e algumas coisas sobre o nada...
Dance bem, dance mal...

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