12.4.09

Celebração

Era uma vez, há muitos e muitos e muitos anos atrás, uma humanidade que celebrava a entrada da primavera e seu simbolismo de colheita e fartura, depois de invernos tenebrosos de escassez e jejuns. Na Grécia Antiga havia o culto a Dionísio; Os Romanos celebravam a Deusa Réia ou Cibele, Deusa da Terra, no iníco da primavera. Os egípcios celebravam o Deus Osíris, o Deus cujos pedaços (menos o pênis que foi devorado por peixes e substituído por caules) foram reunidos pela sua esposa-irmã Ísis e que teria ressuscitado pra se tornar Deus dos Mortos. Osíris teria governado o Egito e ensinado aos homens os princípios da agricultura. 


Os Judeus também tem sua festa de celebração da primavera, o Pessach, uma de suas mais antigas festividades, que significa a passagem do anjo da morte por cima da casa dos hebreus, poupando seus primogênitos quando da morte dos primogênitos egípcios. A Pessach celebra a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito e dura 7 dias em Israel e 8 na diáspora.

A Pessach começou na época do patriarca Avrahan (Abraão) quando Deus lhe promete um herdeiro que terá mais sementes que estrelas e diz que depois de 400 anos de escravidão, seu povo finalmente se libertará. A história de Yossef, bisneto de Avrahan, que chega ao Egito e de escravo se torna rico é narrada na Torah. Depois da morte de Yossef o novo faraó escraviza seus descendentes por mais de 200 anos e ordena que todos os bebês homens hebreus sejam jogados no rio. Moshê (Moisés) escapa da sina porque sua mãe o colocou num cesto no Rio Nilo que foi encontrado pela filha do Faraó. Moshê, criado como príncipe, mata um soldado egípcio que estava maltratando um escravo hebreu e foge para o deserto, onde depois de longo período de meditação, recebe de Deus a missão de tirar os judeus do Egito e levá-los à Terra Prometida. 

Moshê levou a profecia ao faraó, mas como ele não acreditou, Deus enviou ao Egito dez pragas. Ao fim de cada praga, Moshê procurava o faraó para que este libertasse os judeus, sem sucesso. Deus então ordena que um anjo mate todos os primogênitos no Egito. Moshê orienta os hebreus a matarem um cordeiro e colocarem o sangue na porta para que o anjo não entrasse e poupasse seus filhos. 

Quando vê seu filho morrer, o faraó aceita que os judeus saiam do Egito, mas depois manda o exército persegui-los. No sétimo dia de fuga, em frente ao Mar Vermelho, Moshê ordena que o mar se abra dando passagem aos judeus se fechando sobre o exército do faraó, permitindo que eles prossigam até Canaã, a Terra Prometida. O Pessach então foi instituído a todas as futuras gerações como recordação da libertação de seu povo e do castigo de Deus para o faraó, com a peregrinaçao até Jerusalém e o sacrifício de animais tal como fizeram os antigos para pouparem seus primogênitos.

A Páscoa, tal como conhecemos hoje, é a maior festa da igreja católica e uma celebração cristã da ressurreição de Jesus Cristo. Jesus celebrava o Pessach e sabia que o sacrifício do cordeiro para a libertação dos judeus dessa vez seria o dele, Cordeiro de Deus. O Trino Pascal começa na quinta-feira, quando Jesus fez a Santa Ceia, onde distribuiu o pão ázimo, Matzah, que é feito sem levedo para lembrar a humildade do povo judeu fugindo que não tinha como esperar o pão fermentar. Na sexta é relembrada a Paixão de Jesus Cristo, sua crucificação. No sábado a vigília, a espera pela notícia de sua volta e no Domingo, a Páscoa em si, onde se comemora a sua ressureição. 

Outras religiões, embora crêem em Deus ou em Jesus Cristo, não comemoram a Páscoa ou o fazem de maneira diferente. Os espíritas não acreditam em ressurreição e para eles a aparição de Jesus no terceiro dia foi uma aparição do corpo espiritual. Os protestantes comemoram somente no Domingo, a ressurreição, que significa renovação da ligação com Deus. Os muçulmanos não comemoram a Páscoa, mesmo reconhecendo Jesus Cristo como mensageiro importante da palavra de Deus, citado várias vezes no Alcorão.  

Boa parte do que eu contei aí em cima é História, com H maiúsculo, história de todos nós, de nossas origens. E boa parte do que contei aí em cima também é mito. Eu só estou aqui escrevendo essas palavras porque não me importa em que eu acredito ou deixo de acreditar, assim como não me importa o que você crê. O importante realmente é relembrar o passado desses povos antigos e tirar esse Domingo, não importa por qual motivo, pra pedir um pouco de paz. 

Paz para o mundo, o nosso mundo. Afinal, essa história aconteceu há muitos e muitos e muitos anos atrás, mas a escravidão, a guerra e o desejo de libertação ainda fazem parte de uma história do presente...

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