9.5.09

Igreja, Gays e afins...

Olhando por fora, e durante um tempo por dentro também, parece uma igreja normal, dessas evangélicas, com espaço amplo, colunas por todos os lados. Pessoas com bíblias na mão, sentadas em suas cadeiras, conversando baixo e com algo no olhar... Aquele algo que sempre me intrigou, talvez pelo quê de descredulidade que tenho em mim, talvez pela fascinação que a fé me desperta.


À primeira vista, parecem pessoas normais assistindo a missa, mas um olhar mais apurado irá lhe mostrar que não é, absolutamente, um público a que se está acostumado a ver em uma igreja. O seminário já vai começar. O pastor, com um microfone portátil, sobe em um palco iluminado, com cenário de nuvens, muitos holofotes, algumas tvs por perto, para falar do seu livro "A Bíblia sem preconceitos"...

Estamos em uma noite qualquer no mês de abril, na Lapa. O bairro de noites agitadas, de bares barulhentos, de putas e travestis se oferecendo nas esquinas ainda está quieto... Alguns trabalhadores apressados em voltar pra casa, passam rápido em frente ao letreiro branco e azul da rua mais badalada do bairro. Ignoram que ali fica a Igreja Cristã Contemporânea, que não quer ser conhecida pelo rótulo de "Igreja Gay", mas sim pelo compromisso de levar "o amor de Deus à comunidade GLBT, já que são tão rejeitados pela igreja..."

Enquanto eu tentava me concentrar em ouvir o discurso do pastor, milhões de frases passavam na minha cabeça e algumas se repetiam... "Será que ele é gay?", "Ele realmente acredita no que está dizendo?", "O apoio é sincero ou simplesmente o cara achou um nicho de mercado a ser explorado?". Poucos ali, ou ninguém talvez, se faziam as mesmas perguntas... O clima era de aceitação enquanto o pastor falava da paixão entre Jônatas e Davi, Sodoma e Gomorra e de Eunucos na bíblia, citando muitas passagens que, em sua visão, mostram que Deus não condena a homossexualidade... 

“Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito querido me eras! Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.” (2 Samuel 1, 26).

“E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma”.(1 Samuel 20, 17) 

“E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais. E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz; o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha descendência e a tua descendência, seja perpetuamente.” (1 Samuel 20, 41-42).

"Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta Palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do Reino dos Céus. Quem pode receber isto, receba-o.” (Mateus 19, 11-12)


Já no final do discurso, o pastor deixa claro que não está falando de libertinagem, de sexo homossexual para "mudar a rotina" e que quando considera um relacionamento entre gêneros iguais, está se referindo a um "relacionamento de unidade, de amor, de fidelidade entre duas pessoas que se amam e se completam..."

O discurso termina ovacionado, alguns choram, outros riem e se abraçam... As perguntas continuavam rondando a minha cabeça e com elas eu atravessei a rua até o bar da frente pra tomar umas cervejas, desopilar o fígado e esquecer de pensar por algumas horas...


Pra saber mais sobre a Igreja Cristã Contemporânea:

http://www.igrejacontemporanea.com.br

Pra desopilar o fígado:




Um comentário:

Giovani Iemini disse...

bem, gay tb é gente, pode gostar dessa bobagem religiosa como todos os outros. hehehe.