11.9.09

11 de Setembro

No dia do atentado às torres gêmeas eu saí cedo de casa, rumo a um trabalho que eu estava fazendo na ABES, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária... Eu estava trabalhando num mailing para um congresso internacional. Me lembro que o prédio fica ali na Beira Mar, bem em cima do Termas Aeroporto.

Todo dia era uma festa ficar assistindo as mulheres entrando, cada uma mais espetacular do que a outra. Na rua, em frente ao local, um monte de carros importados, BMWs, Mercedes, Harley Davidsons... Era um espetáculo à parte.

Bem... Neste dia eu cheguei cedo para organizar o café da manhã da reunião. Estou eu lá arrumando pães e frios, a tv ligada, quando de repente vi a cena do choque do primeiro avião. Logo depois, ao vivo, online, tempo real, o segundo avião se chocou com a torre.

Me lembro que chocada fiquei eu. Ninguém tocou no café da manhã. Foi triste de ver, mas ao mesmo tempo era uma tristeza de quem pode ficar triste, proporcionada pela distância e segurança e ausência totoal de neuroses que só nós aqui, tão longe, poderíamos ter.

Uma parte de mim, não nego, disse bem feito! Estão pagando pelo que construíram ao longo de muitos anos de imperialismo desarvorado, tal qual na época da conquista de novos territórios na América... Mas essa parte de mim, satisfeita, era tão pequena diante da desgraça e das muitas vidas perdidas, que nada tinham a ver com isso, que me calei.

Pensei nos mortos do 11 de setembro assim como penso diariamente nas milhares de vítimas de balas perdidas no Rio, nos milhares de mortos em confrontos com a polícia nas favelas brasileiras. São todos vítimas de uma guerra em que eles não escolheram entrar...

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