2.11.09

Casos e acasos

Estou rodeada de pessoas que não acreditam no acaso, somente em destino. Não acreditam que as sucessões de eventos, por vezes inacreditáveis, aconteçam por mera casualidade. É tudo fruto de uma coisa maior e por muitas vezes, mais sádica também... Esse destino, se existe, tem um quê de ironia relativamente grande.


Mas o destino pode ser também uma grande desculpa para aceitar as coisas que nos acontecem sem parar para refletir sobre elas, ou analisá-las de uma maneira racional, superando ou absorvendo os eventos que por vezes nos perturbam. É como um espírita que deixa de resolver seus problemas nesta vida porque ainda terá outras tantas para viver...

Acreditar em destino é como ter fé em qualquer outra coisa. As coisas se ajeitarão, porque de uma maneira ou de outra, elas estavam previstas para acontecerem, e, de uma maneira ou de outra, tudo vai se resolver da melhor forma possível, porque pode não ser a melhor, mas era a prevista para mim, então vou aceitá-la e ter fé que, um dia, tudo pode mudar.

O destino é aquele que pode fazer, em um único dia, toda sua vida mudar. Eu passei dez anos pensando em algo que, em um único encontro totalmente casual em um ônibus, se tornou uma verdadeira idiotice. Mais fácil acreditar que aquele encontro e aquela informação descoberta ali foram obras do destino. Cruel, impiedoso e inevitável destino; mas se eu quisesse mesmo descobrir antes o que descobri agora, eu poderia tê-lo feito. E talvez tivesse me poupado 5, 6 ou até 9 anos de pensamentos inúteis.

Quantas coisas eu poderia ter me poupado, se eu quisesse ter me poupado, ou se quisesse apenas ter me dado um trabalho maior do que me dei, tentando resolver o assunto? Não sei a resposta para isso. Talvez o destino me diga um dia, se eu continuar ignorando que acasos existem sim, e entender que a vida, apesar de ser mais do que uma mera combinação de coincidências, também tem espaço para coisas inusitadas, inesperadas e por isso mesmo, muito interessantes...

6 comentários:

Dona M. disse...

Dia sim, dia não, eu acredito em destino.
Dia sim, dia não, eu acredito em acaso.

Darwinista disse...

Concordo com você. Acreditar no destino é acreditar em uma divindade como qualquer outra. Se há destino, então não vou mais sair desse apartamento, esperando ele vir me encontrar.

nada será como antes disse...

Nat,

Agradeço seu retorno ao blog e aos textos agradáveis.

O acaso consiste em ocorrência para a qual não buscamos ou não queremos explicações.

O destino simplesmente não existe.

Nat disse...

Nasca, adoro como vc consegue resumir as coisas hahaha Bjs!

Dona M. Feliz em tê-la de volta.

Darw, pls, saia do apartamento tá? O destino até pode vir a encontrá-lo dentro dele, mas é bem mais prazeroso que ele te encontre na rua ;)

Colafina disse...

Aceitar o destino é não acreditar no poder de escolha. Aceitar o acaso é não acreditar que haja um objetivo maior para a existência humana.

Se o Darw não sair mais do apartamento, lá na frente ele pode dizer: "Meu destino era mofar no apartamento!"

Quem não buscar ou não quiser entender o que lhe acontece na vida, pode dizer: "Tudo é fruto do acaso!"

Nem que percebamos as consequências décadas depois do acontecido, nada é por acaso. Eu acredito.

El Torero disse...

Bueno, digamos que acredito no acaso como uma 'não predestinação'. Não estava escrito nas estrelas que eu conheceria fulana e teria três filhos.
Porém também não foi por acaso que nos esbarramos em algum lugar.
Foram séries de decisões tomadas ao longo da vida. Uma infinidade de gostos e gestos, negações e acovardamentos-o cacete a quatro-que me levaram a tal encontro.
Fui ao encontro, sou culpado pelo dito. E o resultado deste também é minha responsabilidade.
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Vale dizer que amanhã eu poderei escrever exatamente o contrário.