21.11.09

The Last Waltz


Não sei se é possível ver o estranhamento em meus olhos, mas creio que existe uma hora em que a mudança acontece. Em um ano você está de um jeito, no outro envelheceu dez anos... Como diz o X-Men 2, de tempos em tempos a evolução dá um salto. Acho que isso também acontece com as pessoas normais no curso de sua evolução pessoal.

Só sei que tive vontade de gritar "Sou do tempo onde se acendiam isqueiros em um show, não celulares...", Celulares que servem para fofocar por SMS com as amigas que estão a menos de um metro de distância fazendo concurso para ver quem fica com mais emos que a outra... Celulares que servem para tirar fotos pro Orkut... "Aproveita que ligaram os refletores, tira uma foto! Ei fica de costas pro palco, que é melhor! Miguxa, corre aqui, vou botar no Fotolog"...


Em pouco tempo ninguém saberá o que é um isqueiro e não por melhorias tecnológicas, mas sim por falta de uso mesmo. Ninguém saberá o que é estar na grama lamacenta de algum show de rock barulhento e na hora da melhor balada, no auge da emoção tomando conta, ver o palco apagando as luzes e as pessoas acendendo seus isqueiros, balançando as mãos, a chama fraquejando... Alguém vai comentar "É por isso que eu tenho um Zippo", outro vai dizer "Ai, queimei meu dedo"... Mas nada disso vai importar, porque todos vão estar ali hipnotizados por aquelas pequenas chamas amarelas, bailando no céu, refletindo estrelas em um universo de gente de todos os tipos... Os músicos irão desligar seus instrumentos, a bateria vai marcar o compasso e aquelas milhares de sombras de cabeças iluminadas pelas pequenas chamas amarelas irão entoar o refrão cheios de paixão e criarão um momento, um segundo de momento, único para todos...

Sou do tempo onde se acendiam isqueiros em um show, não celulares... Sou do tempo onde a expressão "sou do tempo" ainda não existia. Pelo menos para mim.

Um comentário:

Dona M. disse...

Excesso de tecnologia faz mal.