24.11.09

Mon Drummond

Houve um dia, há muitos e muitos anos atrás, que um velhinho me disse: "Vai Nat, ser gauche na vida". Também me disse que eu não me chamasse Raimundo, o que, por sorte, obedeci, mas se Raimundo me chamasse, eu amaria a Maria... Morreria em um desastre, sem filhos porque é melhor não tê-los, mas como os saberei?

No meio do meu caminho tinham várias pedras e por causa delas perdi o bonde e a esperança. Eu sou uma desiludida... Os desiludidos continuam iludidos, sem coração, sem tripas, sem amor... Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Meu coração não é maior do que o mundo. O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar, o mundo é apenas uma fotografia na parede, mas como dói!

Cantaremos o medo da morte e o de depois da morte e depois morreremos de medo, mas estamos num tempo onde não se diz mais Meu Deus, não se diz mais Meu Amor. O Amor resultou inútil e os olhos não choram. Não amei bastante sequer a mim mesmo, não amei ninguém mas não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas...

A bunda, que engraçada, está sempre rindo, não quero ser o último a comer-te. Pra que tantas pernas? Prefiro as coxas, ah, a castidade com que abria as coxas... Não quereis ser pornográficos? Ah coito, coito, morte de tão vida. E nem restava mais o mundo, à beira dessa moita orvalhada, nem destino.

E agora, José? Se você morresse... Eu não devia te dizer, mas essa lua, mas esse conhaque, botam a gente comovido como o diabo.

2 comentários:

Dona M. disse...

Nossa! Que lindo!

Nat disse...

Embaralhar versos de Drummond jamais poderia dar outro resultado, Dona M.! ;)